terça-feira, 21 de março de 2017

Descartando a ordem de descarte

Na manhã da quinta feira, 16 de março, a equipe do Revitalizando Culturas reuniram-se com alguns membros da aldeia Mbyá Guarani e o cacique Luiz Mariano para o acolhimento de doações nas antigas instalações da UnisulVirtual, no Centro Comercial Pedra Branca. Materiais de escritório declarados para descarte foram recolhidos para melhorar as instalações educacionais da Escola Itaty: cadeiras, mesas, gaveteiras, armários e quadros de avisos, com pequenos reparos, darão conforto para alunos e qualidade para as exposições e armazenamento de material didático.

Para o transporte do material, o amigo Henrique, popularmente conhecido como Macarrão, bateirista da Banda Nós Naldeia, trouxe seu caminhão com duas caçambas que foram preenchidas ao máximo com os materiais e por volta das 12h iniciou o descarregamento lá na aldeia Mbyá Guarani.

E os trabalhos não param. Em Abril ocorrerá a 12ª Semana Cultural Indígena na Aldeia Mbyá Guarani.



Leonardo Santos

(Estagiário Revitalizando Culturas)
Orientação: Professor Dr. Jaci Rocha Gonçalves

quarta-feira, 8 de março de 2017

Coral Mbyá-Guarani se apresenta na Inauguração do Fórum Trabalhista de São José – SC


No dia 6 de março de 2017, às 17h foi inaugurado o novo Fórum Trabalhista de São José, na Praia Comprida. Com trajes sociais, vários membros do Direito da região se fizeram presentes na cerimônia, incluindo o vice-prefeito do município de São José, Neri Osvaldo do Amaral.

Há algumas semanas, a Dra. Maria Beatriz Gubert em um post no facebook pedia algum coral infantil para a cerimônia quando a voluntária do Revitalizando Culturas, Myriam Righetto leu este post durante uma reunião com Jaci Rocha Gonçalves e então surgiu a ideia de levar o coral Mbyá-guarani. Com algumas conversas com ambas as partes e se confirmou a presença no evento.

De volta ao dia da inauguração, via Van, os cantores foram transportados da aldeia do Morro dos Cavalos para o local, chegando lá por volta das 16h. Fizeram um lanche e começaram seus ensaios.

Vários foram os olhares curiosos dos convidados no ensaio. Faziam comentários uns com os outros, gravavam vídeos com o celular e enviavam pelo Whatsapp, sorriam com o encontro com a riqueza do diferente e igual, mas que a sociedade acaba colocando como desigual, inferior e exótico.


Às 17h anunciaram as autoridades devidas e então o coral. Com a coordenação de Wanderley Karaí, cantaram e dançaram três de seus mantras em sua língua guarani  quase exterminada. Estavam com pintura e  vestiam trajes típicos e a camiseta com o slogan do 2º Congresso Internacional Revitalizando Culturas: Direitos Indígenas: Direitos Humanos?  

Os juruás, não índios, aplaudiram e se encantaram: esperamos que não momentaneamente, mas sim por toda a vida.

O albúm completo do evento você confere aqui.


Leonardo Santos

(Estagiário Revitalizando Culturas)
Orientação: Professor Dr. Jaci Rocha Gonçalves

Férias e Descanso, mas em trabalho constante

A equipe do Revitalizando Culturas voltou aos trabalhos oficialmente no dia 6 de março de 2017. Antes disso, com voluntariado de membros da equipe e do coordenador Jaci Rocha Gonçalves, foram feitos alguns trabalhos nas férias de janeiro.

Na comunidade dos Mbyá-Guarani do Morro dos Cavalos, o Centro Cultural Tataendy Rupá possuía poucas cadeiras, causando um pouco de desconforto nos eventos em que os sábios guaranis compartilhavam seus conhecimentos entre si e com os não índios.

Enquanto isso ,a Unisul se desfazia de algumas cadeiras e mesas vistas como inutilizáveis para os acadêmicos universitários. Com conversas com as partes responsáveis, ficou decidido: as cadeiras que estavam, sim, um pouco danificadas foram levadas para os guaranis.

Era um sábado de setembro de 2016 pela manhã, quando Jaci e alguns voluntários carregaram as cadeiras para um caminhão e levaram para o Centro Cultural Tataendy Rupá, na descida para o Vale do Massiambu no morro dos cavalos. As cadeiras já foram utilizadas no dia 13, terceiro dia do 1º Congresso Internacional Revitalizando Culturas.

Em janeiro de 2017, Arthur, Maycon e a gerência da Unisul encaminharam a renovação do estofamento das cadeiras. Com esse conforto a mais, a primeira utilização das cadeiras foi na reunião dos professores indígenas para definição do plano de ensino para 2017. Que seja um ano de mais mudanças favoráveis para o crescimento das condições de vida e lutas de nossos irmãos indígenas.
Reuniões entre o Revitalizando Culturas e os Mbyá foram constantes no período de férias. Na pauta, a organização da 12ª Semana Cultural na Aldeia Itaty e a segunda tratativa para o 2º Congresso Internacional Revitalizando Culturas em setembro de 2017, no 10º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas.

Em meio a uma dessas reuniões surge um pedido de coral e com mediação da voluntária Myriam Righetto, o coral Mbyá Guarani é levado para a Inauguração do Fórum Trabalhista de São José.


Leonardo Santos

(Estagiário Revitalizando Culturas)
Orientação: Professor Dr. Jaci Rocha Gonçalves

Espiritualidade no timing do cotidiano

Mulheres na contramão do descuido

                                                                                                                                               Jaci Rocha Gonçalves *

Car@ amig@ leitor/a. Espiritualidade feminina tem sido sinônimo de biocracia, ou seja, alguém que instintivamente se deixa governar pelo valor inalienável da vida. Nas quebradas de fevereiro e março deste 2017 (=10) o feminino vem perturbar todo esquema de violência à vida. Seja nas expressões de vidas humanas, terrenais ou siderais.

Essa determinação da mulher que parece genético-instintiva com o cuidado da vida está sendo estudada por um aluno de Publicidade e Propaganda da Unisul. Preocupado, escolheu pesquisar o como e o porquê sua mãe de 45 anos, mulheres mais novas e da dita melhor idade  celebram o internacional Dia da Mulher em 8 de março. E como está a representação desse Dia da Mulher na propaganda brasileira.

129 mulheres, Nova York, 1857
Meu aluno está impactado como a festa e o mercado sofrem de amnésia, a doença do esquecimento, da perda de memória do fato celebrado. Neste caso, a lembrança do dia de 1857 em que cerca de 129 mulheres morreram trancadas e sufocadas pelo incêndio provocado em fábricas de Nova York nos EUA. Era uma trágica represália à greve das trabalhadoras. Exigiam jornada diária de 8 horas de trabalho ao invés de 16h/dia e direito a voto.

Em nosso contexto de crise da democracia, temos a presença inédita em nossa história do feminino cuidadoso ocupando mais da metade das vagas em nossas universidades, sobretudo nas atividades de educação e saúde. E logo, logo, vamos vê-las com a caneta na mão definindo nossas políticas. Nesse dia, será um concreto contexto de esperança para nossa espiritualidade biocrática.
Não posso esquecer de listar as mulheres teólogas católicas, muçulmanas e anglicanas que discutem sem medo esse lado  biocrático do cuidado com a vida, inerentes aos livros sagrados de revelação das grandes religiões judaico-cristãs e islâmicas.

E a festa dos 300 anos da padroeira Nossa Senhora Aparecida que está fazendo cair nossa ficha: sua presença negra rebelde pescada no rio Paraíba antecipou por 171 anos o grito pela libertação dos escravos. Fato que mereceu memória até no desfile de carnaval de 2017: mais parecia procissão em forma de samba dançado pela Escola de Samba paulistana da Vila Maria.


Nessa mesma vibe, partilho ainda com você a graça da entrevista para o Programa de TV Educação e Cidadaniade Maria Odete Olsen.  Foi na paróquia de Capoeiras com cenas no prédio que substituiu a velha casa da Orionópolis na DibCherém, 492. Faz 30 anos do trabalho biocrático do Projeto Turminha, hoje, CEDO(Centro Educacional Dom Orione) com crianças carentes . Na parede de uma sala cheia de máquinas de costura vi a foto de Salete, esposa de um amigo empresário. Foi quem reuniu as primeiras de centenas de voluntárias. São mais de 4 mil vidas com cidadania protegida por educadores corajosos. O câmera vibrava lembrando o movimento de que participou quando menino. Uma menina dizia que sua mãe também foi educada ali.

Sempre na mesma contramão do descuido, vibrei ainda com o convite da jornalista da Arquidiocese de Florianópolis, egressa da UNISUL, para outra  entrevista inédita: quais possíveis lições biocráticas de amor aos biomas,  as tradições indígenas poderiam nos indicar para a Campanha da Fraternidade 2017. Sugeri, então, que ela entrevistasse uma recém graduada guarani, mãe de três filhos e vovó, permitindo que os indígenas falassem por si mesmos. Você precisa conferir o resultado.

Vamu que vamu nesse cordão feminino da esperança: biocrático, ridente e transformador.

*Padre Casado, Doutor em Teologia, Filósofo,
estudou Comunicação no Vaticano e é Professor da Unisul.

terça-feira, 7 de março de 2017

[Educação e Cidadania] Professor Jaci fala sobre o Centro Educacional Dom Orione

Aos 4:06 do vídeo abaixo, você confere o professor Dr. Jaci Rocha Gonçalves em uma de suas visitas a um de seus projetos do passado. É o Centro Educacional Dom Orione, em Capoeiras. Jaci acompanhou toda a história, que começou há 30 anos e inclusive foi coordenador da instituição.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

No timing do cotidiano



Espiritualidade feminina

Dona Rosa se foi. Saudades de sua Espiritualidade alegre
Car@ amig@ leitor/a. A hora do deadline para essa crônica sobre espiritualidade feminina em fevereiro expirava às 24h. Pedi à redatora que pudesse concluí-la na manhã seguinte enquanto minha esposa estivesse numa delicada cirurgia. Eu trouxera na mochila junto ao Leptop essa foto dos 50 anos de amor do casal Rosa e Antonio . Imaginem que refizeram essa bênção no alto da Pedra Branca. Soube pelo facebook que D. Rosa faleceu essa semana aos 90 anos. Rosa me visitou em 2016. Ela me ensinou a espiritualidade da alegria. Foi a bisavó contadora de piadas mais divertida que conheci.

Resultado de imagem para Marisa Letícia
Marisa Letícia Lula da Silva (★1950 - 2017)
Outra mulher que me chamou a atenção neste fevereiro foi Marisa Leticia a partir da crítica aos vídeos da TVT no velório da ex-primeira dama. Um casório de viúvos migrantes: Marisa, de italianos e Lula, nordestino. No amor forjado no sofrer, um misto de ideal familiar e de cidadania. Após mais de 40 anos deste amor, Lula matara o câncer mas Mariza não conseguiu vencer o AVC. Alguns analistas atribuíram como causa mortis a provável repercussão psicossomática provocada pelas perseguições político-judiciárias, difamação midiática e assédio policial de coerção indevida ao casal.
 
Fala-se pouco, mas creio que também pesou em ambos a experiência de traição dos ideais sagrados por alguns “companheiros” no exercício do poder político. Ideais sagrados construídos com muito sacrifício e risco nos tempos em que o jovem casal Lula e Marisa freqüentava as comunidades de oração e ação em São Bernardo do Campo, perto do Ipiranga, em São Paulo onde estudei na década de setenta. Não esqueço o alerta do cardeal Arns: cuidar com grupos que internalizavam os valores de fé e os que se apóiam em ideologias políticas autossuficientes. Noutras palavras, o grande sábio pedia foco no valor da verdadeira espiritualidade como movente da política.

Mesmo com o cultivo da espiritualidade, certamente não foi tarefa fácil para o casal estimular ações processuais com a coerência de “cortar na própria carne” vendo colegas julgados e condenados. Mariza, segundo Gilberto Carvalho mantinha a espiritualidade a partir de ritos da fé popular do catolicismo brasileiro mesmo no  Palácio da Alvorada e Granja do Torto.

Nas quatro horas na sala de espera do hospital, desfiei o rosário e meditei na memória amorosa de Joana de Gusmão, a mulher rica que se tornou beata e andarilha franciscana semeando obras de cuidado com os pobres e doentes que ainda resistem em SC e RS após sua morte em 1780, há 237 anos. Era meio dia e no retorno da cirurgia, a preocupação primeira de minha esposa foi entronizar as imagens de Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora de Guadalupe. Já na boca da noite, quando eu ia dar um pequeno cochilo, entra um padre para orar. Foi ele quem encaminhou a D. Maria Alves de Sá Mattos a doar o chão onde a Orionópolis Catarinense construiu os lares para pessoas com deficiência em estado de abandono desde os anos de 1990. Depois do Padre Pedro Keller que me lembrou D. Maria, logo de manhã, a surpresa de outra mulher que levava Cristo de quarto em quarto.

Meu visual de barba longa e branca dificultou à dona Elizabete reconhecer o padre Jaci do Abraão, Bom Abrigo e Itaguaçu onde ela era ativa educadora de fé. Quando descobriu a emoção tomou conta de todos nós. Minha esposa impressionou-se com espiritualidade de Bete ao dar-me o Cristo Pão Vivo: “Obrigado por esse presente. Muitas vezes o padre Jaci me servia oferecendo tua comunhão, agora tenho a imensa emoção de servir-te para ele e sua esposa!”  

Vamu q vamu, amig@. É só não cochilar. Porque Deus não dorme, nem cochila. Ele está no meio de nós.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Espiritualidades no Timing do Cotidiano

Paz criativa versus falsidade

Jaci Rocha Gonçalves *

Mauri Heerdt,
Foto: Luisy Albuquerque
Car@ amig@ leitor/a. Felizmente, a utopia factível da paz ganhou alguns espaços nas agendas políticas programáticas próprias dos janeiros.  De Davos ao discurso do novo reitor da Unisul, nosso  colega filósofo Mauri Heerdt. Em ambos, a paz é conceituada biocraticamente como o nome dado a toda a práxis na qual se busca o desenvolvimento da vida para todos e tudo.

Heerdt assentou seu discurso no dueto raízes e asas: na força inspiradora das raízes e na saúde transformadora das asas. Após breve mergulho nas raízes de sua família representada pelo velho pai de 85 anos e na gratidão e afeto aos professores de seu percurso nas  raízes escolares, responsabilizou alguns jovens organizados em protesto com  abaixo-assinado, pelo seu ingresso e vôo no espaço da gestão universitária. E disse: “é missão essencial da universidade educar para a transformação de pessoas e de ambiente.”

Em Davos, no Fórum Econômico mundial, o foco dos discursos entre os grandes executivos e gestores mundiais foi o enfrentamento dos números necrocráticos filhos das desigualdades  estruturais que desafiam suas governanças.  Vale a pena ler o relatório da OXFAM como fonte de meditação neste tempo de veraneio e de férias. Sugiro como facilitador de leitura a clipagem jornalística oferecida diariamente pelo IHU da Unisinos. Um número da desigualdade é o de oito pessoas, empresários, todos do sexo masculino que acumulam a mesma riqueza que a metade mais pobre da população mundial, ou seja, 3,6 bilhões de pessoas. No Brasil, o fenômeno se repete com oito empresários da comunicação e vendas de bebidas.

E o que tem a ver essas preocupações programáticas de janeiro com  a paz e as espiritualidades? Tudo. Porque as espiritualidades existem como espaços privilegiados para a construção de sentidos para nós, todos os humanos, e para o ecossistema. De fato, os espaços de espiritualidades são criados pelas religiões, pelas artes e pelas Ars Artium,  primeiro nome dado aos espaços universitários.

E eles correm o risco de se tornarem reféns de zonas de conforto criando rituais desligados das realidades concretas onde se inserem. A esse propósito vale o  alerta recente de papa Francisco aos católicos de que “a Igreja  não é estacionamento,  mas espaço de compromisso na luta pela paz. Desde o nível local e diário até ao nível da ordem mundial, possa a não-violência criativa tornar-se o estilo característico das nossas decisões, dos nossos relacionamentos, das nossas ações, da política em todas as suas formas”.
Aqui em Palhoça e em cada cidade, as transformações de paz podem se dar pela nossa participação virtuosa em espaços de decisões políticas: família, associações, igrejas, escolas, grupos de jovens, de idosos etc. Numa de minhas paróquias, esses grupos se revezavam na freqüência semanal à Câmara de Vereadores, no século passado. 

Que tal agora com a facilitação virtual? São formas de cultivar a paz sem falsidade.

Vamu que vamu, querid@s.       


*Padre Casado, Doutor em Teologia, Filósofo,
estudou Comunicação no Vaticano e é Professor da Unisul.