quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

No timing do cotidiano



Espiritualidade feminina

Dona Rosa se foi. Saudades de sua Espiritualidade alegre
Car@ amig@ leitor/a. A hora do deadline para essa crônica sobre espiritualidade feminina em fevereiro expirava às 24h. Pedi à redatora que pudesse concluí-la na manhã seguinte enquanto minha esposa estivesse numa delicada cirurgia. Eu trouxera na mochila junto ao Leptop essa foto dos 50 anos de amor do casal Rosa e Antonio . Imaginem que refizeram essa bênção no alto da Pedra Branca. Soube pelo facebook que D. Rosa faleceu essa semana aos 90 anos. Rosa me visitou em 2016. Ela me ensinou a espiritualidade da alegria. Foi a bisavó contadora de piadas mais divertida que conheci.

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Marisa Letícia Lula da Silva (★1950 - 2017)
Outra mulher que me chamou a atenção neste fevereiro foi Marisa Leticia a partir da crítica aos vídeos da TVT no velório da ex-primeira dama. Um casório de viúvos migrantes: Marisa, de italianos e Lula, nordestino. No amor forjado no sofrer, um misto de ideal familiar e de cidadania. Após mais de 40 anos deste amor, Lula matara o câncer mas Mariza não conseguiu vencer o AVC. Alguns analistas atribuíram como causa mortis a provável repercussão psicossomática provocada pelas perseguições político-judiciárias, difamação midiática e assédio policial de coerção indevida ao casal.
 
Fala-se pouco, mas creio que também pesou em ambos a experiência de traição dos ideais sagrados por alguns “companheiros” no exercício do poder político. Ideais sagrados construídos com muito sacrifício e risco nos tempos em que o jovem casal Lula e Marisa freqüentava as comunidades de oração e ação em São Bernardo do Campo, perto do Ipiranga, em São Paulo onde estudei na década de setenta. Não esqueço o alerta do cardeal Arns: cuidar com grupos que internalizavam os valores de fé e os que se apóiam em ideologias políticas autossuficientes. Noutras palavras, o grande sábio pedia foco no valor da verdadeira espiritualidade como movente da política.

Mesmo com o cultivo da espiritualidade, certamente não foi tarefa fácil para o casal estimular ações processuais com a coerência de “cortar na própria carne” vendo colegas julgados e condenados. Mariza, segundo Gilberto Carvalho mantinha a espiritualidade a partir de ritos da fé popular do catolicismo brasileiro mesmo no  Palácio da Alvorada e Granja do Torto.

Nas quatro horas na sala de espera do hospital, desfiei o rosário e meditei na memória amorosa de Joana de Gusmão, a mulher rica que se tornou beata e andarilha franciscana semeando obras de cuidado com os pobres e doentes que ainda resistem em SC e RS após sua morte em 1780, há 237 anos. Era meio dia e no retorno da cirurgia, a preocupação primeira de minha esposa foi entronizar as imagens de Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora de Guadalupe. Já na boca da noite, quando eu ia dar um pequeno cochilo, entra um padre para orar. Foi ele quem encaminhou a D. Maria Alves de Sá Mattos a doar o chão onde a Orionópolis Catarinense construiu os lares para pessoas com deficiência em estado de abandono desde os anos de 1990. Depois do Padre Pedro Keller que me lembrou D. Maria, logo de manhã, a surpresa de outra mulher que levava Cristo de quarto em quarto.

Meu visual de barba longa e branca dificultou à dona Elizabete reconhecer o padre Jaci do Abraão, Bom Abrigo e Itaguaçu onde ela era ativa educadora de fé. Quando descobriu a emoção tomou conta de todos nós. Minha esposa impressionou-se com espiritualidade de Bete ao dar-me o Cristo Pão Vivo: “Obrigado por esse presente. Muitas vezes o padre Jaci me servia oferecendo tua comunhão, agora tenho a imensa emoção de servir-te para ele e sua esposa!”  

Vamu q vamu, amig@. É só não cochilar. Porque Deus não dorme, nem cochila. Ele está no meio de nós.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Espiritualidades no Timing do Cotidiano

Paz criativa versus falsidade

Jaci Rocha Gonçalves *

Mauri Heerdt,
Foto: Luisy Albuquerque
Car@ amig@ leitor/a. Felizmente, a utopia factível da paz ganhou alguns espaços nas agendas políticas programáticas próprias dos janeiros.  De Davos ao discurso do novo reitor da Unisul, nosso  colega filósofo Mauri Heerdt. Em ambos, a paz é conceituada biocraticamente como o nome dado a toda a práxis na qual se busca o desenvolvimento da vida para todos e tudo.

Heerdt assentou seu discurso no dueto raízes e asas: na força inspiradora das raízes e na saúde transformadora das asas. Após breve mergulho nas raízes de sua família representada pelo velho pai de 85 anos e na gratidão e afeto aos professores de seu percurso nas  raízes escolares, responsabilizou alguns jovens organizados em protesto com  abaixo-assinado, pelo seu ingresso e vôo no espaço da gestão universitária. E disse: “é missão essencial da universidade educar para a transformação de pessoas e de ambiente.”

Em Davos, no Fórum Econômico mundial, o foco dos discursos entre os grandes executivos e gestores mundiais foi o enfrentamento dos números necrocráticos filhos das desigualdades  estruturais que desafiam suas governanças.  Vale a pena ler o relatório da OXFAM como fonte de meditação neste tempo de veraneio e de férias. Sugiro como facilitador de leitura a clipagem jornalística oferecida diariamente pelo IHU da Unisinos. Um número da desigualdade é o de oito pessoas, empresários, todos do sexo masculino que acumulam a mesma riqueza que a metade mais pobre da população mundial, ou seja, 3,6 bilhões de pessoas. No Brasil, o fenômeno se repete com oito empresários da comunicação e vendas de bebidas.

E o que tem a ver essas preocupações programáticas de janeiro com  a paz e as espiritualidades? Tudo. Porque as espiritualidades existem como espaços privilegiados para a construção de sentidos para nós, todos os humanos, e para o ecossistema. De fato, os espaços de espiritualidades são criados pelas religiões, pelas artes e pelas Ars Artium,  primeiro nome dado aos espaços universitários.

E eles correm o risco de se tornarem reféns de zonas de conforto criando rituais desligados das realidades concretas onde se inserem. A esse propósito vale o  alerta recente de papa Francisco aos católicos de que “a Igreja  não é estacionamento,  mas espaço de compromisso na luta pela paz. Desde o nível local e diário até ao nível da ordem mundial, possa a não-violência criativa tornar-se o estilo característico das nossas decisões, dos nossos relacionamentos, das nossas ações, da política em todas as suas formas”.
Aqui em Palhoça e em cada cidade, as transformações de paz podem se dar pela nossa participação virtuosa em espaços de decisões políticas: família, associações, igrejas, escolas, grupos de jovens, de idosos etc. Numa de minhas paróquias, esses grupos se revezavam na freqüência semanal à Câmara de Vereadores, no século passado. 

Que tal agora com a facilitação virtual? São formas de cultivar a paz sem falsidade.

Vamu que vamu, querid@s.       


*Padre Casado, Doutor em Teologia, Filósofo,
estudou Comunicação no Vaticano e é Professor da Unisul.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Espiritualidade no timing do cotidiano

Paz em 2017. 2+01+7= ?

Jaci Rocha Gonçalves *

Car@ amig@ leitor/a. A utopia factível da paz tem sido tema dos janeiros.  A dica a todas as espiritualidades veio do Papa Paulo VI em 1º de janeiro de 1967. Três meses depois, em março, na famosa carta encíclica sobre o Progresso dos Povos (Populorum Progressio) o sábio papa Montini explicou que entendia a paz como o desenvolvimento da vida para todos. Neste janeiro de um ano que soma dez, alguns de nossos velhos sábios, teimosos cultivadores da paz com este significado, nos deram “até logo!”

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Zygmunt Baumann (1925-2017)

Faz três horas, enquanto partilho essa crônica, recebi esse inbox no face: pai, Zygmunt Baumann se foi. Em seguida, um post de um amigo mineiro lembrou que em entrevista no Observatório da Imprensa, em 2015, o filósofo polonês  se mostrou surpreso com os avanços sociais brasileiros por uma paz concreta bem conforme ao conceito de Montini que lembrei acima: “representantes de 66 governos do mundo vieram para o Rio de Janeiro para se consultarem, para aprenderem sobre a experiência de retirar 22 milhões de pessoas da pobreza. Ninguém mais repetiu esse milagre, apenas o Brasil até agora", disse Baumann.


Há várias outras fontes de espiritualidade que confirmam  a necessidade urgente de viver este foco da ciência da paz, ou seja, como criação de oportunidades iguais para o desenvolvimento de todas as vidas no planeta de forma não-violenta ativa e criativa. Um dia desse janeiro na livraria, enquanto minha filha de nove anos procurava o clássico Menino do Dedo Verde, de Maurice Druon, me vi folheando um diálogo entre Daniel Goleman, o guru de inteligência emocional e o Dalai Lama, papa do Budismo Tibetano. Após exílio de 50 anos, o sorridente Lama insistia que a maior ameaça à paz é esse sistema  intrinsecamente anti-ético de gerir a economia para o lucro de pouquíssimos. 

O papa Francisco na mensagem sobre a paz para 2017 lembra o Mahatma Ghandi, apóstolo maior da não-violência, Khan Abdul Ghaffar Khan, muçulmano paquistanês que defendeu a escolha não-violenta de Gandhi, e Martin Luther King. Entre as mulheres, Francisco lembra a terapeuta e prêmio Nobel “Leymah Gbowee e milhares de liberianas, que organizaram encontros de oração e protesto não-violento (Pray-ins) conseguindo negociações de alto nível para o fim da segunda guerra civil na Libéria”.

Aqui pertinho demos “até logo”  ao mucisista e teólogo padre Ney Brasil, o amigo dos detentos, e ao professor e prefeito Sérgio Grando, que soava um sininho ao subir os morros chamando o povo para o plano participativo nos anos 80. Ambos tinham em comum a dica do papa Francisco: o cultivo da “não-violência ativa e criativa como estilo de vida e um estilo de fazer política”.

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Neste 2017, completam-se 50 janeiros deste santo aprendizado de irenelogia (ciência da paz) como inclusão da qualidade de vida para todos e tudo. Somos milhares nessa procissão de maioria anônima   comprometida a “cultivar comunidades não-violentas, que cuidem da casa comum”. Vamu q vamu! 2017 repropõe velhos desafios à irenelogia. 


*Padre Casado, Doutor em Teologia, Filósofo,
estudou Comunicação no Vaticano e é Professor da Unisul.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Jaci sobre as corrupções do Dia a Dia

Na última quinta feira 15-12-16, o professor Dr. Jaci Rocha Gonçalves falou sobre as pequenas corrupções do dia a dia, no Programa "Olhares" da Band. A entrevista você confere no vídeo abaixo a partir de 16:45min.


terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Espiritualidade no timing do cotidiano

FACE-TO-FACE COM O MENINO JESUS

Jaci Rocha Gonçalves*

Car@ amig@ leitor/a. É Natal: niver de Jesus. Partilho um pequeno poema com sabor de reza e mimo espiritual. A intenção é renovar nosso fôlego utópico nos votos de Feliz 2017.

Escrevi o poema porque hoje é sábado que coincide com o 68º niver da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 10 de dezembro de 1948.  O poema foi para o niver no Face de um dos poucos afilhados de crisma que reencontrei na internet e me pareceu assustado com nosso futuro. Ele está beirando a idade dos 55 e, pelo Face, voltei a exercitar com ele o face-to-face, o olhos-nos-olhos e o velho poder de fazer Raio X da alma com quem reencontramos.

Meu afilhado morava lá em Sampa, no velho Bixiga, quarteirão famoso da Escola de Samba Vai-Vai, há poucas quadras da Av. Paulista, palco freqüente de exercícios democráticos na continuidade da luta pelos direitos de nossa jovem e assustada cidadania. Ali, na Paulista, bem perto da Aquiropita, pequena igreja que escolhi para ser ordenado sacerdote em julho de 1975.

Na Paulista, Wall Street brasileira, é onde se reúnem as suntuosas towers do centro financeiro dos maiores Bancos como catedrais de arquitetura imponente do deus Mercado Internacional. O escritor Frei Betto, criador do Fome Zero, o apelidou de deus vampiro. É um monstro que teima em dizer: “confiem a mim as economias, fruto de vossos trabalhos, as juntarei em grandes tesouros bancários sem fronteiras para render nas minhas Bolsas de Valores. Vou protegê-las com juros bem maiores que os 12% anuais sonhados na Constituição Cidadã de 1988. Eu lhes garanto competência rentável otimal como as divulgadas no ápice da crise dessa semana: Juros do cartão de crédito mantêm maior taxa desde 1995; foram de 463,03% ao ano e de 15,49% ao mês. Comigo, vocês não perdem nenhum centavo; quanto mais tem, mais terão.”

Para ser bem objetivo, honesto e amoroso com os parabéns ao meu afilhado negro do Bixiga, perguntei ao Google os números da fome em 2016. O Google me disse: Mundo – Mais de 800 milhões de pessoas ainda passam fome no mundo, 30 mil crianças morrem de fome a cada dia... Eu queria confirmar o tamanho dessa ação vampiresca do deus Mercado: de fato, ele insiste naquela lógica dos sacrifícios dos humanos, mania dos deuses já nos tempos da Torre (tower) de Babel. Diante da angústia de vovô negro, lá na velha megalópole, escrevi esse poema como parabéns prá você. Parabéns prá ele, prá Jesus e prá tod@s nós:

É Natal, seu e do Menino Jesus.
O que importa é manter os pés firmes no chão da fé,
o amor vindo do coração movendo o corpo inteiro
 sob o ritmo da esperança na dança teimosa
do sonho biocrático do Menino Deus (Jo 10,10).

É o que aos 33 de idade, Jesus dizia na praça com experiência e serenidade em alto e bom som:
“eu insisto em me deixar governar por aquele plano de governo do meu Pai -

que tod@s e tudo tenham vida. Vida prá valer. Todos e tudo.”

*Padre Casado, Doutor em Teologia, Filósofo, estudou
Comunicação no Vaticano e é Professor da Unisul.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

UNISUL media presença Guarani no XIV ENAM



UNISUL media presença Guarani no XIV ENAM

No dia 23 de novembro de 2016 o prof. dr Jaci Rocha Gonçalves, da UNISUL, e a naturóloga Marcela Fluetti, egressa da UNISUL, foram mediadores da mesa: Vivência de mulheres indígenas com amamentação e alimentação complementar saudável na Tenda Paulo Freire do XIV Encontro Nacional de Aleitamento Materno (ENAM) e IV Encontro Nacional de Alimentação Complementar Saudável (ENACS). O convite foi feito por Daysi Jung (Fisioterapia UNISUL) e Eliana Wiggers (UFSC).
As falas ficaram por conta de Marcelo Gonçalves, representante do cacicado e Juliana Kerexu Mirim, coordenadora das artesãs guarani, ambos da aldeia Itaty do Morro dos Cavalos em Palhoça (SC).
Jaci trouxe a alegria em presenciar esta busca e valorização da sabedoria originária dos trópicos que por muito tempo foi abafada e esquecida pelos imigrantes no Brasil. Marcelo Gonçalves falou do cultivo dos saberes tradicionais e a urgência da demarcação de terras. Kerexu Mirim respondeu sobre questões maternais. O coral Tapé Mirim (Pequeno Caminho), cantou e dançou com o público animado e participativo.
Coral Tapé Mirim (Pequeno caminho)

As respostas sábias e objetivas de Kerexu Mirim sobre as relações femininas, a maternidade, a amamentação e vários costumes tradicionais guarani formaram uma grande aula que emocionou o público. Esclareceu que há toda uma preparação da mulher para gestar: mudam a alimentação, vestem roupas confortáveis e são orientadas pelas mulheres mais velhas para a hora do parto. Ao contrário da nossa cultura, uma mulher grávida deve estar ativa e não evitar exercícios, pois isso estimula o bebê a se mexer na barriga e facilita na hora do parto.
Na aldeia a mulher opta em dar à luz no hospital ou com as parteiras da aldeia. Juliana, com seus 28 anos, mãe de dois filhos, disse que já foi parteira em seis partos. Ela explica que é um dom herdado de sua avó.
Na aldeia, as mulheres não costumam sofrer com a famosa TPM (Tensão Pré-Menstrual), nem é muito comum os bebês sofrerem com cólicas. Isto porque durante a menarca e a amamentação, as mulheres cortam de sua alimentação o açúcar, o sal e a gordura. Outro cuidado é evitar trazer más notícias às mães. Eles acreditam que as cólicas do bebê também têm relação com o bem-estar da mãe.  

Marcela Fluetti, Juliana Kerexu Mirim e Marcelo Gonçalves

Momento comovente também foi no encerramento com o Coral Tapé Mirim ensinando sua dança tradicional com a participação de todos na grande roda.


Roda de encerramento


Rafaela Iwassaki
Extensionista do Projeto Mediações Culturais do Grupo de Ensino, Pesquisa e Extensão Revitalizando Culturas, da UNISUL.
Supervisão: Prof. Dr. Jaci Rocha Gonçalves

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Educação e Cidadania: A educação diferenciada das Aldeias Indígenas

No programa Educação e Cidadania exibido na Record News no dia 29/10, o professor dr. Jaci Rocha Gonçalves fala, junto a diretora da Escola Itaty, sobre o ensino diferenciado nas aldeias indígenas e a batalha para recuperar a língua tupi guarani.