quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

UNISUL media presença Guarani no XIV ENAM



UNISUL media presença Guarani no XIV ENAM

No dia 23 de novembro de 2016 o prof. dr Jaci Rocha Gonçalves, da UNISUL, e a naturóloga Marcela Fluetti, egressa da UNISUL, foram mediadores da mesa: Vivência de mulheres indígenas com amamentação e alimentação complementar saudável na Tenda Paulo Freire do XIV Encontro Nacional de Aleitamento Materno (ENAM) e IV Encontro Nacional de Alimentação Complementar Saudável (ENACS). O convite foi feito por Daysi Jung (Fisioterapia UNISUL) e Eliana Wiggers (UFSC).
As falas ficaram por conta de Marcelo Gonçalves, representante do cacicado e Juliana Kerexu Mirim, coordenadora das artesãs guarani, ambos da aldeia Itaty do Morro dos Cavalos em Palhoça (SC).
Jaci trouxe a alegria em presenciar esta busca e valorização da sabedoria originária dos trópicos que por muito tempo foi abafada e esquecida pelos imigrantes no Brasil. Marcelo Gonçalves falou do cultivo dos saberes tradicionais e a urgência da demarcação de terras. Kerexu Mirim respondeu sobre questões maternais. O coral Tapé Mirim (Pequeno Caminho), cantou e dançou com o público animado e participativo.
Coral Tapé Mirim (Pequeno caminho)

As respostas sábias e objetivas de Kerexu Mirim sobre as relações femininas, a maternidade, a amamentação e vários costumes tradicionais guarani formaram uma grande aula que emocionou o público. Esclareceu que há toda uma preparação da mulher para gestar: mudam a alimentação, vestem roupas confortáveis e são orientadas pelas mulheres mais velhas para a hora do parto. Ao contrário da nossa cultura, uma mulher grávida deve estar ativa e não evitar exercícios, pois isso estimula o bebê a se mexer na barriga e facilita na hora do parto.
Na aldeia a mulher opta em dar à luz no hospital ou com as parteiras da aldeia. Juliana, com seus 28 anos, mãe de dois filhos, disse que já foi parteira em seis partos. Ela explica que é um dom herdado de sua avó.
Na aldeia, as mulheres não costumam sofrer com a famosa TPM (Tensão Pré-Menstrual), nem é muito comum os bebês sofrerem com cólicas. Isto porque durante a menarca e a amamentação, as mulheres cortam de sua alimentação o açúcar, o sal e a gordura. Outro cuidado é evitar trazer más notícias às mães. Eles acreditam que as cólicas do bebê também têm relação com o bem-estar da mãe.  

Marcela Fluetti, Juliana Kerexu Mirim e Marcelo Gonçalves

Momento comovente também foi no encerramento com o Coral Tapé Mirim ensinando sua dança tradicional com a participação de todos na grande roda.


Roda de encerramento


Rafaela Iwassaki
Extensionista do Projeto Mediações Culturais do Grupo de Ensino, Pesquisa e Extensão Revitalizando Culturas, da UNISUL.
Supervisão: Prof. Dr. Jaci Rocha Gonçalves

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Educação e Cidadania: A educação diferenciada das Aldeias Indígenas

No programa Educação e Cidadania exibido na Record News no dia 29/10, o professor dr. Jaci Rocha Gonçalves fala, junto a diretora da Escola Itaty, sobre o ensino diferenciado nas aldeias indígenas e a batalha para recuperar a língua tupi guarani.



quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Tecnologia e Yvyrupá



Mesa de abertura com autoridades indígenas e acadêmicas
O Projeto Mediações Culturais do Programa de Pesquisa e Extensão Revitalizando Culturas foi convidado pelo Curso de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC a participar do Seminário Mapa Yvyrupa: Cartografia Digital do Território Guarani, uma plataforma interativa que tem como intuito sistematizar e disponibilizar informações sobre a situação territorial dos povos guarani. Foi nos dias 14 e 15 de outubro de 2016, e teve o apoio do Centro de Trabalho Indigenista - CTI, da Comissão Guarani Yvyrupa - CGY e do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.

Extensionista Rafaela, prof. Jaci Gonçalves e Xeramoi de Imaruí Augusto
O Mapa Yvyrupa - muito bem desenvolvido e em fase final de implantação – mostra detalhes da situação das terras indígenas guarani. A plataforma está disponível no site guarani.map.as. Através dela, é possível ver se a terra foi habitada por guaranis recentemente, se os guarani se encontram lá, se a terra está demarcada ou não, se há sítios arqueológicos na região que comprovam a presença dos guaranis há muito tempo, se é área de preservação ambiental, entre outras informações valiosas.

Foi uma alegria participar desta troca muito rica no miniauditório do CFH – Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFSC. Na noite do primeiro dia, os Xeramoi – sábios anciãos das aldeias – expressaram sua rica experiência. Cada um trouxe um tema de sua escolha. A fala foi em guarani com posterior tradução. Eles compartilharam a mitologia guarani, suas experiências com demarcação e compra de terras, opiniões acerca das relações políticas que os envolvem, sugestão para a arqueologia consultar os guarani, pois muitos dos artefatos encontrados e transferidos para museus são objetos sagrados para o povo. No sábado pela manhã, as falas de várias lideranças indígenas em guarani, de representantes de OGs e ONG’s fortaleceram a idéia de uso da tecnologia para facilitar o entendimento e motivar as ações pelo poder público e os não-índios.



Leonardo Werá traduz as palavras dos velhos sábios

 
Mesa com os Xeramõi


Rafaela Iwassaki

Extensionista do Projeto Mediações Culturais 
Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão Revitalizando Culturas

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Espiritualidades no timing da vida: Dois Franciscos e os jovens da SIDD

Jaci Rocha Gonçalves*

Depois da festa dos Arcanjos Gabriel, Miguel e Rafael fechando setembro, vem a safra dos santos fortes de outubro que mostram a diversidade rica da hagiografia cristã: dos Anjos, e Terezas contemplativas aos grandes títulos de Maria como o de Nossa Senhora Aparecida, libertadora dos escravos, 171 anos antes de 1888. Em 2017, são os 300 anos da façanha amorosa da Mãe de Jesus que não conseguiu ficar no céu vendo tanta violência na terra apelidada de sua Santa Cruz.Os santos de Outubro são encharcados de utopias factíveis; eles se parecem a jardineiros que na vibe da oração e ação crêem investir no ideal de Cristo de dar sua vida pela dignidade e qualidade de vida os humanos e toda a criação.

São Francisco de Assis e Papa Francisco
Neste sentido, tive duas graças especiais em dois momentos fortes de espiritualidade promovidos por jovens estudantes. A primeira foi com jovens do ensino médio em dois eventos. Na mensagem de conclusão da semana franciscana numa escola de Ensino Médio da região. Tive que modificar meu roteiro quando assistimos a uma rápida mensagem de abertura. Abriram-se as cortinas e no palco, conversando num banco de jardim, aparecem as figuras de dois Franciscos – de Assis e do papa unindo oito séculos.

Nos diálogos, o Francisco Papa sendo questionado pelo Francisco Santo – lembrando logo ao Papa que Francisco Santo era só ele, por enquanto, e perguntando o porquê do uso da linguagem diária de hashtag, twitter e internet. Vai ser difícil esquecer o papo descontraído, de alegre leveza daqueles dois jovens que vieram misturar-se à platéia e me fizeram mudar toda a dinâmica da conversa. Eles conseguiram unir naquele fim de manhã os tempos e desafios dos dois Franciscos: de teimar promover o encontro das diferenças como riqueza, de um lado, e do reencontro com a natureza como nossa Casa Comum, de outro lado.

Essa juventude que tem como hashtag o compromisso com a qualidade de vida para todos e toda a criação, a encontrei ainda na mesma semana da SIDD (Semana da Integração Discente Docente) no campus da Unisul Pedra Branca: centenas de estudantes do Ensino Médio da região visitando laboratórios, dependências e todos os espaços de nossa universidade comunitária. O Unisul Experience para escolas particulares e inúmeras escolas públicas. Jovens que sabem de seus direitos e possibilidades de acesso ao ensino universitário utilizando programas como PROUNI, PROÍNDIO e sistemas de financiamento acessíveis como o FIES.
Unisul Experience
Foto: Wellington Heinz e Gabriela Ferrarez

Quando os olhava, alguns com piercing e muitos com tatuagens, ficava emocionado  imaginando os históricos que terão em seus cotidianos. Semelhantes aos da aluna de um curso da área da saúde cujo dia começa às quatro e meia da manhã e o retorno à casa às dez da noite. Tempo investido entre estudo e o trabalho para pagar o que vai muito além da mensalidade coberta pelo governo, fruto dos impostos que lhe pagamos.  

Quando me percebi, estava desfiando as contas do rosário que recebi de um casal guarani feito com sementes e cruz de cedro. A outra graça foi a espiritualidade ativa nas visitas que curti no SBPC. Fica para a próxima crônica, amig@s. No embalo dessa garotada, vamu q vamu!  


*Padre Casado, Doutor em Teologia, Filósofo, estudou
Comunicação no Vaticano e é Professor da Unisul.

Publicada originalmente no
Jornal Cotidiano em 17/10/11.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Dia 3, 1º Congresso Internacional Revitalizando Culturas sobre Indigenismo e 13ª Semana Cultural Indígena Unisul

Medicinas originárias e espiritualidades (dia 15/09/20116)

Sob a presidência da professora guarani Kerexu Yxapyry Eunice Antunes, o terceiro dia do 1º Congresso Internacional Revitalizando Culturas sobre Indigenismo e 13ª Semana Cultural Indígena Unisul Pedra Branca em 14 de setembro de 2016 foi no Centro de Formação Tataendy Rupá, na aldeia Itaty do Morro dos Cavalos, em Palhoça (SC) há 15km do Campus Unisul Pedra Branca.

Manhã de sol forte acolheu os participantes na visita orientada na aldeia. Depois, no Tataendy Rupá, os guarani deram o tom místico do encontro com seus cantos e ritos ancestrais em guarani e as falas ungidas sobre medicina originária de Geraldo Karaí, Timóteo Karaí e a presença centenária, carismática e lúcida de seu Alcindo Karaí (107 anos). 

Após almoço típico com cardápio guarani, a Roda de conversas e debates sobre a saúde e o direito à medicina indígena uniu cientistas, pesquisadores e indígenas. Depois o tema da produção de audiovisual endocultural no Brasil, América do Sul e Índia.

A espiritualidade ancestral envolveu a tod@s. As fotos falam muito mais!

Álbum completo do segundo dia, você encontra na nossa página do facebook (Clique aqui)


Leonardo Santos da Silva
estagiário de Jornalismo no Revitalizando Culturas
Coordenação: Prof. Dr. Jaci Rocha Gonçalves

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Dia 2, 1º Congresso Internacional Revitalizando Culturas

Dia 14: Direito ao direito originário

Os trabalhos do segundo dia foram presididos pela advogada e especialista Myriam Righetto, ex-docente da UNISUL e uma das mentoras do 1º Congresso Internacional Revitalizando Culturas sobre Indigenismo e 13ª Semana Cultural Indígena na Unisul. Os coordenadores dos debates foram os professores Paulo Carvalho, Ms. e Javier Rodrigo Maidana, dr.

O foco jurídico sobre o Direito ao Direito Originário permitiu que professores de direito, acadêmicos de graduação e pós-graduação dialogassem com políticos e lideranças indígenas.

A presença de Hyral, primeiro advogado indígena de Santa Catarina, de acadêmicos indígenas de Direito e interculturalidade promovessem o debate inédito sobre a jurídica originária dos povos do Brasil principalmente sobre direito à educação e território.

A presença de pesquisadores e pesquisadoras das Universidades da Amazônia, da Índia, da Europa e da América do Sul garantiu pela diversidade representativa a urgência do debate sobre a jurídica originária, superando etnocentrismos jurídicos eurocêntricos. 

Álbum completo do segundo dia, você encontra na nossa página do facebook. (Clique aqui)


sábado, 1 de outubro de 2016

Espiritualidades no timing da vida: Duas Saudades de setembro

                                                              Jaci Rocha Gonçalves*

Anjezë Gonxhe Bojaxhiu/Santa Teresa de Calcutá


A primeira saudade é de 4 de setembro de 2016. A canonização de Anjezë Gonxhe Bojaxhiu como Santa Teresa de Calcutá. Canonizar é confirmar que aquela micro mulher vestida com sári branco e duas listras azuis, roupa dos intocáveis da Índia é mais  intercessora junto de Deus, espécie de nossa advogada celestial e exemplo de vivência do amor à maneira de Jesus Cristo de acordo com a Igreja Católica.

Desde jovem padre, meditava seus pensamentos e me inspirava em suas práticas. Essa admiração pela mulher miúda e franzina acontecia em lugares e por pessoas as mais inesperadas como pelos comunistas na cidade de Moscou quando lhe permitiram ter uma capela com o Santíssimo Sacramento no Hospital de Moscou. Suas obras de amor aos sofredores derrubaram fronteiras ideológico-religiosas e político-culturais como na Índia no caso da cidadania dos Intocáveis.

Murad Ahamad Khan, no 1º Congresso 
Internacional Revitalizando Culturas
Quem me clareou essa visão foi a outra presença saudosa deste setembro do doutor indiano Murad Ahmad Khan, um dos convidados de nosso 1º Congresso Internacional Revitalizando Culturas sobre Indigenismo realizado de forma emocionante de 13 a 15/9/2016 no campus da UNISUL Pedra Branca e no Centro Cultural Tataendy Rupá na aldeia indígena Itaty do Morro dos Cavalos aqui em Palhoça (SC), sob o indispensável apoio do PAEP/CAPES.

Em entrevista à TV UNISUL, ele explicava que Madre Tereza de Calcutá passou a ser um símbolo nacional de cuidado com a vida de todos. Sua presença solidária tem sido memória determinante para que o dalit, o Intocável, o cidadão sem casta, possa ter sua cidadania garantida como alguém que conta na sociedade. E dizia ainda que essa forma de olhar e reconhecer a dignidade humana do outro tem feito do cristianismo na Índia o caminho de ascensão social para os dalit mais que em qualquer outra das grandes espiritualidades da Índia como o Budismo e Hinduísmo. Murad é de espiritualidade muçulmana.

Mahatma Gandhi
Ambas as saudades de setembro me remeteram ao estadista indiano que mais li  ao longo da vida: o Mahatma Gandhi cujo método da não-violência ativa me inspira até hoje. Quando a Madre Teresa morreu 1997, de ataque do coração e malária, seu corpo foi transladado ao Estádio Netaji para a missa no mesmo veículo que, em 1948, transportara o corpo do Mahatma Gandhi. Por coincidência foi no mesmo ano que a "Mãe dos pobres" cursa enfermagem, recebe a nacionalidade indiana e vai dar aulas para cinco crianças que dez dias depois já são cinquenta. É seguida por  Shubashini uma de suas antigas alunas, filha de uma rica família, disposta a colocar sua vida ao serviço dos pobres. Hoje são milhares de mulheres e se apelidam como "Missionárias da Caridade".

Tenho insistido nessa coluna sobre a força ética da biocracia, ou seja, aquela espiritualidade que se deixa governar pelo valor da vida, de todas as vidas para além dos ditames do mercado. Prova dessa importância junto ao que Murad nos lembrava acima podemos lembrar que a santa recebera o Prêmio Nobel da Paz, em outubro de 1979, muitas universidades lhe conferiram o título "Honoris Causa"; em 1980, recebe a ordem "Distinguished Public Service Award" e a Medalha Presidencial da Liberdade nos EUA e  a Medalha de ouro do Comitê Soviético da Paz.

Eu me sinto condecorado por essas duas saudades de setembro: o doutor Murad me vestiu com o Sadri, jaleco que lembra Grandhi e seus ideais de não-violência ativa. Madre Tereza no encontro inesperado dessa foto em Roma, um ano antes de sua morte, pôs suas mãos em minha cabeça de padre reoptando por formar uma família e me diz: “Não tenha medo, padre, Deus te abençoa!” São saudades que nos refazem. Vamu que vamu!






*Padre Casado, Doutor em Teologia, Filósofo, estudou
Comunicação no Vaticano e é Professor da Unisul.


Publicado Originalmente Jornal Cotidiano
em 30 de Setembro de 2016.