quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Nos Caminhos do Peabiru: cacique guarani leva DVD para Argentina

Nesta manhã, 21/12/11, o cacique Teófilo Gonçalves recebeu cópia do DVD IV UniDiversidade - Unisul e o Diferente Cultural na Aldeia Itaty do Morro dos Cavalos. Ele solicitara o documento audiovisual para fazer trocas de experiência com as comunidades guarani de Missiones no Norte da Argentina, aos quais chama de parentes.

O líder da aldeia segue viagem nesta quarta-feira à noite. O coral Tapé Mirim, as artesãs e alguns  sábios marcaram presença no campus no mês de novembro. Fizeram intercâmbio cultural vivenciando a economia de reciprocidade pela troca de saberes eco-sistêmicos, religiosos, etno-estéticos e educacionais.

A viagem do cacique confirma a visão sem fronteiras própria da multimilenar cultura guarani. Seus caminhos sagrados - terrenais e siderais - chamados de Peabiru continuam recebendo o maior respeito deste povo teimoso em caminhar e antecipar desde aqui  sua utopia da Busca da Terra Sem Males.

Há poucos dias do Natal, o DVD oferecido como gift de causa  pelo Revitalizando Culturas registra mais um momento de alegria entre nós da Unisul.

É como se fizéssemos mais uma imersão na retina desses olhos sábios e refizéssemos nosso olhar pluralista por uma Universidade que aprende novos passos  na factibilidade de sua utopia como educadora/aprendiz biocrática. Boa viagem, Karaí!

 


   
Cacique Teófilo recebe e mostra o DVD (acima)
Prof. Jaci explica o conteúdo do DVD IV UniDiversidade
 Unisul e o Diferente Cultural (abaixo).


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

TV Unisul pode exibir os documentários do IV UniDiversidade em clima de natal

Estamos aguardando com expectativa a apresentação dos quatro documentários sobre o IV UniDiversidade a ser veiculado pela TV UNISUL em Tubarão (SC). O release sugere a inserção como mensagem do ciclo de natal.

Certamente o Deus feito nenen, vai vibrar com as mensagens. Elas lembram o Deus sem preconceito que interage com pastores (desqualificados sociais por utilizarem as pastagens alheias) e com sábios desprendidos andarilhos seguidores  de estrelas.

Crianças guarani recuperam obra de arte em madeira no mutirão de linpeza "Desculpa, mãe Terra"
no final do IV UniDiversidade na aldeia Itaty do Morro dos Cavalos em Palhoça (SC).











sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

IV UniDiversidade em Documentários

Nessa tarde de 16 de dezembro de 2011 a equipe do Revitalizando Culturas teve o prazer de entregar ao professor Luciano Bitencourt  coordenador da UNA e da Escola Livre de Humanidades e Artes do campus Norte a primeira cópia do DVD IV UniDiversidade - a Unisul e o diferente cultural.

Cultura dos afro-descendentes, Cultura das Pessoas com Deficiência, Cultura dos Povos Originários e Espiritualidades são os títulos. A  minutagem tem média de 12min cada título.
Este o explicativo no box de capa: 
"O DVD Quatro Documentários do IV UniDiversidade contribuem na formação continuada de nosso olhar pluralista como utopiza a Unisul no pilar da cultura em sua pauta de gestão  2009-2013.
Procura-se aprofundar um conceito científico de cultura como um conjunto complexo de saberes e fazeres elaborado de forma diversificada pelos grupos humanos em resposta às suas múltiplas necessidades.
Sob esse olhar, mais que inclusão, busca-se uma política de participação dos sujeitos culturais pela vivência da auto-estima, autonomia e sustentabilidade como itinerário de sua revitalização cultural.
Jaci Rocha Gonçalves, Dr.
Você poderá contar também com as transcrições das falas e os vídeos etnográficos completos do evento para pesquisas complementares no revitalizandoculturas.blogspot.com" tão logo o conseguirmos.

Camila e Ana Vitória do PPA, Luciano coordenador da UNA, Jaci e Vitor, mostram o novo DVD.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Direitos Humanos: somos filhos das estrelas

                                                                                                                                                                     Jaci Rocha Gonçalves, Dr.
O 10 de dezembro de 1948 marcou definitivamente um salto qualitativo diciológico (códigos focados nos direitos) para a humanidade: a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Embora ainda hoje reféns de códigos deontológicos (focados nas obrigações, nos deveres) aquela promulgação dos 30 artigos de direitos humanos representou um breakthrough, uma virada de página para o projeto humano em vista de um ethos (jeito de ser) com relações mais justas porque mais biocráticas.
Cada artigo atualizava os sonhos da Revolução Francesa, abafada, infelizmente, pelas Revoluções Industriais. Ao mesmo tempo, os 30 artigos documentam novas posturas determinadas a superar as costumeiras imposições legalistas, tanto na jurídica religiosa quanto político-econômico e acadêmico-sociais. Como não vibrar com um evento como esse?
Afinal, nossas histórias estão ligadas à macro-história da aventura humana, não é mesmo?
Eu era embrião humano irrepetível
Nesse caso, partilho duas felizes coincidências. A primeira é que era primavera no Hemisfério Sul quando nasceu a Declaração, e eu me tornava embrião humano, pois nasceria nove meses depois à margem do encontro dos rios Capivari e Tubarão, num ventre materno de 19 anos.
A propósito, num dos colóquios acadêmicos dia desses, conversávamos sobre essa Declaração, de 1948, e uma aluna lembrou-nos para observar um detalhe que conta: a histórica reclamação do movimento feminista que pedira na época por uma adequação de gênero no título. Isso resultou que não mais seria Direitos do Homem, mas Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Outro aluno acrescentou uma observação de conteúdo: dizia que lera em algum autor a crítica que os 30 artigos eram atualização moderna dos 10 mandamentos. O papo que rolou, então, foi sobre a possibilidade de estarmos vivendo uma nova versão da Era Axial estudada pelo filósofo alemão Karl Jaspers. Essa Era Axial é o nome daquele ciclo de cerca de 500 anos nos quais o Oriente e o Ocidente nos ofereceram Sócrates, Isaías, Jesus, Sidharta, Zaratustra, Lao-Tsé e Confúcio, para lembrar os mais conhecidos.
Eles revisaram todos os códigos deontológicos antigos deixando-nos heranças focadas apenas no essencial. Naquela roda de estudantes, ficou a sensação que os saltos qualitativos da humanidade, em termos de amor, seguem maturação multissecular. E uma consequente necessidade de miragem e de fôlego para longo prazo.
Nesse sentido, teria tudo a ver em nossas escolhas o sugestivo título que deu ao seu testamento o poeta chileno Pablo Neruda: “Para nascer, nasci.” Somos embriões humanos nessa evolução. Mas irrepetíveis como nosso DNA.
A segunda coincidência, diz respeito ao convite para trabalhar na Unisul. Ele ocorreu ao final de três meses de palestras para acadêmicos de todos os turnos sobre os 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos nos campi de Araranguá e Tubarão, concluindo no Clube Sete de Setembro, em Palhoça.
O velho xamã e Victor Jara: nações filhas da natureza
Vim do interior. Foi uma das primeiras viagens com minha esposa e meu filho aqui no litoral. Paramos na aldeia guarani do Morro dos Cavalos para um papo com o velho xamã. Como surpresa, encontramos um outdoor de compromisso da Unisul com o povo originário guarani.
Mais tarde, eu me dedicaria no aprofundamento da interação acadêmica com esse povo originário, desta feita agregando um viés mais científico. Na despedida, o velho sábio me emocionou dizendo que por ter casado não deixaria de ser o padre de sempre, um xamã junto de sua gente. Essa declaração e aquele outdoor iluminaram meu fio condutor nos três meses de encontros sobre os Direitos Humanos.
A propósito, enquanto me preparava para escrever essas reflexões, estive ouvindo e vendo algumas músicas de Victor Jara e Joan Baez no Youtube, nos endereços sugeridos por meus filhos e meus alunos. Victor Jara me levou às sabedorias originárias latino-americanas e caribenhas que nesses últimos anos insistem - inclusive na COP 17 e debates em Durban na África do Sul - que as nações voltem com urgência a tratar a terra como filhas da natureza.
Até parece que essas lideranças originárias participaram do final daquela roda acadêmica na Unisul em 1998 quando lemos numa lâmina: “é hora de passar dos Direitos Humanos aos Direitos da Terra”.
Joan Baez, Montesinos , Boff: por uma grande família cósmica!
É comovedor constatar que, quem se acha autorizado a estimular a volta a essa relação, são descendentes dos povos tornados escravos pela colonização européia. Por coincidência, nesse dezembro, se comemoram os 500 anos do histórico sermão de Montesinos de 1511.
Considerado o “embrião” da Carta da ONU de 1948, na homilia escrita, o frade dominicano denunciou a exploração dos nativos e reivindicou a sua dignidade como filhos e filhas de Deus: "com que direito e com que justiça esses índios são mantidos em servidão tão cruel e horrível? Acaso eles não são homens?"
À voz dos povos originários da Ameríndia, em favor da Mãe Terra, juntaram-se nesses dias também os africanos como Desmond Tutu insistindo que "esse é o único lar que temos”. Sob os embalos e a voz romântico-indignada de Joan Baez, pensei fechar essa reflexão bem ao seu estilo, não só trazendo o grito da Conferência de Durban por "Justiça Climática Já!” como também o apelo do filósofo catarinense Leonardo Boff por nossa urgente ampliação conceitual de inclusão do universo, como o fazem ainda hoje os povos originários quando seguem seus xamãs.
Damo-nos, dessa forma, o direito dos direitos de nos sentirmos unidos ao universo, como irmãos e irmãs das estrelas, formando uma grande família cósmica levando uma vida sustentável, serena e cheia de sentido. O uso desse direito, tanto nos faz silenciar diante da grandeza do mar, vibrar diante do olhar da pessoa amada como estremecer face a um recém-nascido, como nos indignar contra a necrocracia. É uma ótima receita diciológica para o novo que renasce teimoso em 2012.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Fórum Virtual

Fórum
“Democracia é dar a todos um mesmo ponto de partida”.
- Carga horária prevista: 10h
- Coordenador: Jaci Rocha Gonçalves, Dr. (jacirg@terra.com.br)
- Supervisora: Thaís Gomes Teixeira (thaiisg@hotmail.com)
Car@,
Criamos uma atividade online sobre o tema da Diversidade Cultural e  Democracia Participativa. Construir um olhar pluralista entre os povos tem sido um dos maiores desafios em nossa vivência de cidadãos. A convivência histórica tem sido marcada por relações deetnocentrismos, preconceitos e xenofobias.
Em nosso projeto, no entanto, mantemos viva a chama da esperança valorizando o respeito e aprendizado com o diferente de nossa cultura.
Essa atividade do fórum “Democracia é dar a todos um mesmo ponto de partida” traz três experiências sobre diversidade: uma nacional do vídeo Semeadura, sobre o polêmico tema da política de cotas; outra internacional no vídeo Por Detrás da Janela sobre a cultura de pessoas cegas vindas da Angola para a Unisul e o texto da Declaração Universal do Direito à Diversidade Cultural, da Unesco de setembro de 2001.
É simples: Siga a Programação
1. Assista ao vídeo Semeadura, de Cleuza Soares, Ms e cineasta egressa da Unisul.
2. Assista ao vídeo Por detrás da Janela, de Vitor Gnecco, acadêmico de jornalismo da Unisul sobre Fernando Camuaso Segundo, primeiro cego jornalista de Angola. (http://www.youtube.com/watch?v=DzbggpCw6J0&feature=player_embedded)
3. Leia o texto da Declaração Universal do Direito à Diversidade Cultural, da Unesco, de setembro de 2001. (http://www.manamani.org.br/diversidadecultural.pdf)
 4. Agora você pode postar uma síntese pessoal (até 30 linhas) sobre o tema “Democracia é dar a todos um mesmo ponto de partida”(Mário Quintana) ligando-o com o curso que está fazendo e sua vida de cidadão/ã. Em nosso blog: revitalizandoculturas.blospot.com - Você pode encaminhar o texto para um dos emails citados acima.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011



 O IV UniDiversidade objetiva aprofundar temáticas e acolher vivências referentes a CULTURA - na Gestão Inovadora e Criativa da Unisul 2009-2013. Reverbera em nosso contexto uma educação de olhar mais abrangente no que se refere às diferenças culturais e oferecer informações e espaços de vivência para alunos, docentes, colaboradores e comunidade do entorno sobre a história e cultura dos povos afro-descendentes, das pessoas com deficiência, dos povos originários e da cultura popular catarinense.



O UniDiversidade oportuniza o diálogo com o diferente. É um abraço a este natural jeito de ser do humano, como tão bem dizia o saudoso Claude Lévy-Strauss:

"O que há de natural no humano é
sua capacidade de ser diverso!"



Maiores informações:
www.unisul.br/eventos
48 3279 1114 • 48 8863 5444

Inscrições Gratuitas no Local
As palestras serão consideradas como AACAS


Apoio:
Reitoria e Pro-reitorias; Direção do Campus; UNAs; Escola Livre de Humanidades e Artes (vai emitir sua primeira certificação); Curso de Comunicação  Social e outros cursos, Hipermídia, Gepex; Núcleo de Pesquisa e Programa Unisul/Revitalizando Culturas; Biblioteca Universitária Pedra Branca e virtual;  OMDA; DCE; Agência ComVersão; Unisul Virtual; C&Marketing; Ciências da Linguagem-Feito a mão; Cacicados; Ciências Contábeis; Curso de Filosofia
EVA; PPA. - Programa de Promoção à Acessibilidade; Organizações Unisul ligadas à África; WRCópias.  Acadêmicos voluntários do Artigo 170 e outros.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Tempo de Despertar

         Foto: Luiz Fernando Cavalcante



O Seminário sobre inserção e protagonismo de pessoas com necessidades específicas motiva e aprimora o Programa de Promoção a Acessibilidade da Unisul.


Download do evento na íntegra - Parte da Tarde


Por: Aline Takaschima*


O Seminário sobre a inserção de pessoas com deficiência na universidade, na última quarta feira do mês, dia 28, trouxe esperança e energia pela contínua luta que se desdobra e se vence dia após dia. Os coordenadores e professores vinculados ao projeto PPA – Programa de Promoção a Acessibilidade, alunos com deficiência que não se abatem em meio às adversidades e acadêmicos sensíveis à causa reuniram-se para uma palestra matinal com a professora mestra convidada, Nivânia Maria de Melo Reis. A conferência foi precedida por uma conversa e chá da tarde, ocorrida no começo da tarde, entre docentes e acadêmicos. O evento perdurou até o último minuto possível, sendo finalizado às 19h, horário no qual os professores deveriam ministrar suas aulas noturnas na Unisul.



*Estudante da 3ª fase do curso de jornalismo e ex-estagiária do Núcleo de Pesquisas Revitalizando Culturas

domingo, 6 de novembro de 2011

Acessibilidade e Inserção




Texto: Aline Takaschima*
Fotos: Cristina Souza*


Os acadêmicos, professores e funcionários da UNISUL, demais convidados, bem como participantes da comunidade puderam contemplar a quarta-feira do dia 28 de setembro com diálogos e questões no Seminário acerca da acessibilidade e inclusão de pessoas com necessidades específicas dentro da universidade. O Professor Jaci Gonçalves declarou para os que ali estavam presentes sobre sua emoção de estar em tal encontro “Depois de 44 anos trabalhando com a cultura da pessoa com deficiência.”


A abertura ficou ao encargo do Coordenador de Pesquisa, professor Rogério Santos da Costa. Com uma saudação entusiástica, e rodeado por colegas de peso da instituição o professor declarou para os presentes e para a câmera: “Sejam todos bem vindos!”. O mediador da programação agradeceu ainda a FAPESC – Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina, ao CAPs – Centros de Atenção Psicossocial, ao CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, e ao MEC – Ministério da Educação. Desta forma foi dada a largada, às 09h30min da manhã, o debate sobre a inserção de pessoas com deficiências.

O evento matinal promovido pelo Programa de Promoção a Acessibilidade – PPA teve a participação de alunos dos mais diversos cursos dentre eles fisioterapia, jornalismo e psicologia que encheram o auditório do bloco C. O momento ainda contava com a presença de um intérprete de libras, José Carlos Ferreira Souza, que atuou na comunicação daqueles que não podem ouvir. A participação não se restringiu apenas ao espaço físico do campus da Pedra Branca. Foram instaladas televisões na Orionópolis e UNISUL Tubarão. Os Internautas acompanharam através da Unisul Virtual contabilizando mais de 150 acessos no momento do evento.

* Alunas do curso de Jornalismo da UNISUL

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Há 10 anos, o Onze de setembro abafou essa boa notícia!

Jaci Rocha Gonçalves

De 31 de agosto a 7 de setembro de 2001, em Durban, na África do Sul, inaugurávamos o Ano Internacional da Mobilização contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e todas as formas de Intolerância. No dia 8 de setembro de 2001 a mídia pode contar com o script da Declaração Universal sobre o Direito à Diversidade Cultural. Os Estados Unidos e Israel saíram da Conferência opondo-se à Declaração. Três dias depois, a tragédia do WTC no EEUU mostrou que estávamos inaugurando um novo momento para enfrentar o velho desafio da boa convivência com o diferente. Estudar Antropologia Cultural é um dos exercícios para desafiar desafios milenares como este. Pensando nisso é que resolvi repartir com você essa carta que escrevi há alguns meses aos meus alunos presenciais e virtuais na ocasião da entrega de uma nova apostila.

Criar esta apostila como subsídio de seu estudo de Antropologia Cultural (AC) significou vivenciar sentimentos de desafio e esperança.

Desafio porque a AC é filha da Antropologia, a jovem ciência de menos de duzentos anos de idade. Nela, pela primeira vez, o humano acrescenta à reflexão, o momento científico da observação de si mesmo; e como cultural, assume o desafio de observar a cultura como constitutivo do humano.

Na verdade, somos a única espécie a criar mil respostas diferentes para necessidades iguais. Assim, para saciar a fome, mil cardápios e economias; para conviver, criamos inúmeros sistemas políticos, para manter a sanidade, mil medicinas; para habitar e nos locomover, inúmeras formas de engenharias e tecnologias.

A lista não acaba: criamos ritos variados para o nascer e o morrer. Mas em tudo, as diversidades culturais geram uma teia de coerência endocultural e ecossistêmica.

Nisto nos temos descoberto como iguais: na capacidade de sermos diversos. Aí mora a esperança de deixarmos de confundir diferença, que é riqueza, com desigualdade que é fonte de desgraça e de sofrimentos. E já que fomos criados todos iguais na diferença, reside aí uma esperança para a cidadania.

A Antropologia Cultural, como você verá, empreendeu com entusiasmo a tarefa de pesquisar a cultura como fenômeno humano e nos dar condições científicas de olhar o macro e o micro produzido pelo humano no seu real contexto de complexidade. Não há cultura ingênua, nem simplória.

Quando remarmos pelos rios da cultura, vamos nos dar conta que para a AC todo detalhe conta. E o que nos provoca estranhamento nos ajuda a crescer porque nos observamos estranhos também para a alteridade. E o que julgávamos como inato e único, o descobrimos como cultural e nosso modo-de-ser como um jeito a mais entre outros jeitos possíveis de viver.

Há, no entanto, uma preciosidade em cada jeito identitário: ele é irrepetível e tem fascínio próprio a ser oferecido – como pessoa e como povo. Você verá assim que a unidade e diversidade de cada cultura como objeto de análise da Antropologia Cultural, pode ser compreendida a partir de diversos enfoques. Inclusive este: as singularidades mostram este aspecto ontológico do humano que é ser diverso.

Nossos encontros têm ainda uma expectativa: de ser instrumento na sua formação como  pessoa e profissional de olhar pluralista num momento ímpar de mundialidade. O distante é vizinho e no videogame nossos filhos brincam e interagem com meninos chineses,indianos, nas savanas africanas, indonésios, no nordeste,com um povo originário da Amazônia ou no Bexiga no centro da megalópole paulista.

Assusta-nos, porém, imaginar um mundo de mesmice. Mas há muito o que fazer. Como veremos ao final dos encontros, a primeira vez que nos reunimos para objetivamente tratarmos da questão do direito à diversidade cultural e diagnosticarmos  situações crônicas de doenças culturais como xenofobia, preconceitos e fundamentalismos foi próximo ao 11 de setembro de 2001.

Quem soube do grande encontro de Durban, na África do Sul, quando discutimos em foro internacional sobre diversidade cultural pela primeira vez?

Mas os remédios vão aparecendo nos movimentos de economias solidárias, jurisprudência de sabedorias até então desconhecidas; formas de lidar com o ecossistema onde é surpreendente a sintonia fina de povos originários ligados à terra a quem continuam chamando de Mãe.

Neste contexto é que acreditamos que nossos encontros de AC ajudem-nos a cumprir nossa missão científica de esperança, de não deixar romper a união entre as ciências da vida, as ciências exatas e as ciências humanas.

Mais do que a procura de origens, ela foca a história da convivência com o diferente. Um exercício que pode ajudar a humanidade a superar a belicosidade crônica das guerras e aprender a irenelogia, ciência da paz.

Porque somos todos alunos do cultural. Somos todos professores tb. Daí sua interação através dos trabalhos de troca cultural ser indispensável; já que estamos no Brasil de muitos brasis e no mundo virtual onde as fronteiras postiças da geopolítica cedem a cada dia o espaço para a troca de identidades culturais.

O texto de nossos encontros quer ser didático e, ao mesmo tempo, inacabado como a dinâmica cultural. Nisto contará com você. Que procure estabelecer relações com suas experiências culturais trocando sabedorias através deste imenso espaço virtual ou nas nossas rodas de ensino presencial. Bom estudo! Prof. Jaci”

Pois é, amig@ já faz um tempo que escrevi esse recado para a roda acadêmica sobre essas notícia. Há 10 anos, o Onze de setembro abafou essa boa notícia. Quem sabe a lembrança de Durban, a leitura daquela Declaração e de seu Plano de Ações possam ser uma homenagem  concreta às vítimas do WTC e de milhões de outras vítimas anônimas, reféns do mesmo mal que nos desafia há milênios: nosso analfabetismo na arte de ver no diferente uma riqueza ao invés de ameaça!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A Gente fala Guarani e não sabe!

Serviço de  Carol Alves


Karaí Adão, cacique Teófilo e professor Jaci

        No dia 19 de abril, dia do Índio,  a Aldeia Guarani Itaty do Morro dos Cavalos esteve representada  no programa FALANDO SC da TVCOM. Junto a crianças e jovens (cunumin), as mulheres (kunhá), participaram Adão Antunes Karaí, professor bilíngüe, o cacique Teófilo Gonçalves e professor coordenador do Programa Revitalizando Culturas, Jaci Rocha Gonçalves.
       O encontro proporcionou aos telespectadores a sensação de irem até a aldeia sem mesmo saírem do conforto de suas casas. Os guarani cantaram, dançaram, trocaram várias idéias de vivência com o público, até mesmo ensinaram palavras  em Guarani para que pudéssemos nos cumprimentar como eles o fazem. Mas... Será que já não fazemos isso?
É o que o professor e escritor Adão Antunes trouxe à tona quando afirmou que os “não – índios” falam em Guarani muitas vezes e não tomam consciência disso.
     O manezinho que gosta de um Pirão D’água com uma tainha é um prova disto. Palavras como Mandioca, Pirão, Amendoim, Biguaçú, Palhoça, Curitiba, Cambirela, Tatu, Tucano, Ipê  e muitas e muitas outras, fazem parte do nosso cotidiano e, sem o  querer ou não, passam despercebidas sem que saibamos de sua origem Guarani.
    Além de proporcionar essa troca de culturas, foi uma ótima oportunidade para divulgação da cultura e tradição Guarani através da música, dança, canto e artesanato, como podemos observar no trabalho da artesã Lucia Benites da Silva.
Linda Cestaria feita pela artesã.

Se você ficou interessado em Saber mais sobre este encontro, confira no sítio da TVCOM. O endereço é: