terça-feira, 12 de novembro de 2013

VI UniDiversidade - Cultural : o DNA do jeito humano de ser.

Car@s Amig@s,


Olhem aí quem está chegando! O nosso VI UniDiversidade, trazendo na mala de viagens: música, dança, poesias, esculturas e debates. 
Venham ver, ouvir, sentir, interagir com a natureza e culturas no espaço Unisul de aprendizagem. 
Participe dessa grande troca de vivências acadêmicas.


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Exemplo de cidadania: A organização Guarani em Palhoça/ SC



Veja a mobilização das aldeias do povo Guarani, no Morro dos Cavalos em Palhoça. Lição de autonomia indígena e de solidariedade dos não-indígenas. Eles se uniram aos outros povos originários que de norte a sul cobraram obediência à Constituição no aniversário de 25 anos. Aweté Nhanderu! (Deus nos abençoe!)

Assista ao vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=7JV9aMZrRHY&sns=fb

domingo, 6 de outubro de 2013

2° Desafio Lixo Zero (2). Cidadã(o) Lixo Zero: a performance da(o) boneca(o)


Uma história curiosa na construção do 2° Desafio Lixo Zero  na SIDD Pedra Branca

Luisa Chiquetti
Grupo de alunos, Professor Jaci & Cidadã (o) Lixo Zero
A incubadora da(o) Cidadã(o) Lixo Zero, boneco símbolo do movimento Lixo Zero na SIDD do campus Pedra Branca foi uma equipe multidisciplinar de estudantes de Naturologia, Engenharia Civil e Jornalismo, voluntários e estagiários do Programa Revitalizando Culturas, Coordenados pelo Prof. Jaci Gonçalves, desde 27 de setembro 2013.
Foram três dias até que nosso personagem, o “arroz da festa” estivesse pronto. Seu corpo foi sustentado por ripas de madeira, revestido de caixinhas de leite, braços de copo de iogurte, chapéu de isopor, pernas de lata e cabeça de balão. E elementos que são descartados e pouco reciclados em nosso dia-a-dia.
Ainda mal concluído, nosso Cidadão Lixo Zero já desfilou na abertura do evento em passeata pelos corredores. Visitou a farmácia, copiadoras, banco, loja de utilidades, mercadinho e salão de beleza. Fez sua entrada triunfal na praça de alimentação, sob o som do violão e o cordão cantando o  samba “Viver e não ter a vergonha de ser feliz”, do saudoso Gonzaguinha. E se posicionou no ponto central junto às lixeiras.
Ao ser perguntado sobre a presença da Cidadã (o) Lixo Zero, o Prof.  Jaci disse : “É urgente que todos nos demos o direito de sermos aprendizes deste Cidadão Lixo Zero. 80% dos elementos que o compõem nasceram lá na cozinha de nossa casa.” As palavras do professor pareceram fazer eco  do refrão do samba quando chama para a formação continuada como “eternos aprendizes”.
O 2° Desafio continua na presença de nossa boneca Cidadã (o) Lixo Zero que não irá descansar. Até o final do semestre irá interagir em algum ponto do campus trocando informações, curiosidades e dicas a respeito da reciclagem e da saúde.
Com seu contagiante sorriso de barbante, sua simpatia transmitida por seus olhinhos de tampinha, espera trazer cada vez mais participantes ao movimento que anima o viver com mais qualidade, com mais saúde – preservando e despoluindo a Mãe Terra e seus filhos.

Cidadã (o) Lixo Zero

sábado, 5 de outubro de 2013

2° Desafio Lixo Zero no campus Pedra Branca (1).


PLANTAS PURIFICADORAS, HORTO NAVEGANTE E CIDADÃ(O) LIXO ZERO.


O 2° Desafio Lixo Zero ocorreu nesta quinta-feira no Espaço Hipermídia, no Campus UNISUL Pedra Branca entre os eventos da SIDD animado pelo projeto Mediações Culturais do Programa Revitalizando Culturas.

Hipermídia ( Hall de entrada do bloco C, UNISUL-PB)

Unindo  forças convergentes das UNAs da tecnologias, comunicação e saúde, mesmo com a chuva os participantes puderam curtir o documentário A volta guarani da Rio+20 sobre a manhã do 1º Desafio Lixo Zero em 2012. Em seguida o prof Jaci Gonçalves conduziu uma série de entrevistas com líderes de comunidades do entorno do campus: Dori Edson, do COMPIRP-Conselho Municipal  pela Igualdade Racial em Palhoça, Carlos e Adilson da Associação de Catadores do bairro Frei Damião.

Os alunos de naturologia inauguraram o Projeto ReciclAR, liderados por Michel Zanotto. Comparando conhecimentos da NASA e dos nossos conhecimentos tradicionais, eles mostraram como cultivar plantas purificadoras do ar e de lixos eletrônicos em nossas salas de aula e ambientes do campus.

O outro foi o Projeto Horto Navegante da aluna Gabriela Yanomani que usando o de códigos de barras digitais gravados na parte de baixo de latinhas de alumínio permite acessar os dados e ler informações codificadas sobre as plantas.

Confecção dos códigos
ReciclAR
                                                                










O que mais chamou a atenção, foi o lançamento do Cidadã(o) Lixo Zero. Um boneco todo feito de material reciclado, criado por alunos do curso de Engenharia Civil, Naturologia e Jornalismo para chamar atenção das pessoas sobre a importância da reciclagem. Uma passeata com samba levou o Cidadã(o) pelos corredores até ficar na Praça de Alimentação do campus estimulando a conscientização.
Cidadã(o) Lixo Zero
Passeata até a Praça de alimentação

           
                                                                                                                                                                   






Fillipe Souza 
Foca de jornalismo no Programa Revitalizando Culturas.


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Participe do nosso III WebSeminário Nacional.

Caro amigo, amiga.

Veja só que gol de placa para o time do direito à diversidade cultural na copa da vida.
É o nosso 3º WebSeminário Nacional de Pesquisa, Observação e Aplicação Inclusiva.
O tema de 2013: “Pessoas com deficiência e processos de escolarização”.
É na semana que vem. Nas tardes e noites de 1º e 2 de outubro – das 17h às 21:30h.
Pelo milagre do WWW você pode sintonizar nossa grande roda virtuosa no virtual.

Velhas e teimosas lutas pela dignidade merecem fôlego renovado.
Siga esse link

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

2º DESAFIO LIXO ZERO

Caro amigo e amiga,
olha só que graça o nosso 2º Desafio Lixo Zero.
Vibro como aprendiz dessa juventude ativa e amorosa.
Ela me ensina a exercitar uma cidadania Lixo Zero.

Desde o mundo externo até o DNA de nosso jeito de ser mais íntimo. 
Participe de nosso evento no Campus Unisul Pedra Branca.
Ou encare esse desafio onde quer que você esteja!
Um grande abraço de Prof. Jaci.




sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Parabéns Prof. Pedro !

Professor Pedro Santos, visita o do Revitalizando Culturas 
e oferece seu livro  "Fundamentos de Sociologia Geral"
Por Jaci Gonçalves

Na visita ao Revitalizando Culturas o nosso colega, Pedro Antonio Dos Santos nos brindou com um volume do seu livro, Fundamentos de Sociologia Geral, lançado pela editora Atlas esses dias.
Conheço o Pedro Santos há mais de 20 anos e é nosso colega docente na UNISUL há cerca de 12 anos. Jornalista, grande líder no seu país, viajou em busca da troca de saberes no mundo estado-unidense e depois casou-se com Tomazia, educadora brasileira e atua no nosso país. 
Em todo esse tempo, jamais deixou de olhar para o seu continente, a Africa.
Nesse livro, encontrei a mesma fidelidade que sempre teve com suas raízes.
Também nesse estudo propõe uma sociologia que incluí a vertente arábico-islâmica que está espalhada por toda a Africa.
Ao mesmo tempo, Pedro se preocupa em mudar nossa visão voltada para o norte, propondo um exercício ótico de sul-sul no mundo, o Brasil como o segundo pais mais negro no mundo,
merece esse  valioso trabalho.



Livro disponível em :

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A visita surpresa de Dérick e Renata.

João Francisco é fruto de amor de Dérick e Renata nutrido desde os tempos do Revitalizando Culturas. Dá-lhe emoção!

Jaci Gonçalves


Emoções à flor dos olhos. Abraços longos. Silêncios contemplativos na salinha do Revitalizando Culturas em frente ao Auditório C. Apresentação do menino João Francisco. Olha só: é chará de quem? E nasceu alguns dias antes do Papa escolher o apelido de Francisco.

É filho do amor da carioca Renata e do goiano Dérick. Egressos da Naturologia e que estagiaram no Revitalizando focando serem aprendizes do povo guarani de SC e dos kaingang de Estrela no RS. Dérick está entre os raros seres eleitos pelos guarani para viver como um deles. Vieram fazer a cerimônia de batismo guarani de João Francisco. A madrinha é naturóloga e parteira do menino. Especialista em parto natural, Marcela foi a única mulher branca escolhida para o Primeiro Encontro de parteiras guarani. Casada com Régis, todos cultivam um profundo vínculo com a alma guarani.

A visita foi ontem, 9 de setembro, dia do niver de Dérick. Ele desceu da  montanha onde ficou em retiro longo semanal com os velhos sábios guarani.

Assim, a luz do viver pleno vai se  revitalizando e milhões de  histórias de amor que nos surpreendem com novos karaís Franciscos: uns recém-nascidos ou na forma de velhos sábios como o Papa com jeito de menino que vem do fim do mundo.


Obrigado e parabéns à família de João Francisco, da qual nos sentimos parentes próximos.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Mano Jaci Gonçalves. 64 anos. Criador do Revitalizando Culturas.

Car@s amig@s.
Meus sessenta e quatro anos. Sabor de dualidade.
Meninice e experiência.
Sonho e rebeldia.
Saudade e ousadia.
Fé e amor, razões de nossa utopia factível.
Virtuoso e virtual.
Reencontrar os amigos no facebook pelo milagre do www.

30, 40 e 50 anos passados
mais parecem hoje ou ontem à noite,
na missa matinal do Morro do Anhangava ou Pedra Branca,
nos acampamentos no Lar dos Meninos à beira da Lagoa da Pampulha,
ou curtição da fé dançarina nos desertos saarianos de Cabo Verde.

Quando vocês nos mandam fotos de nossas vivências face-to-face 
nas quais nos sentíamos em praça de aldeia no vai-e-vem das ruelas de Roma,
ou no Bexiga, nas periferias de Floripa e por aí vai...
Jaci oferece o texto ilustrado HOMO SERVIENS aos seus amigos. Veja no link
http://revitalizandoculturas.blogspot.com.br/2013/09/homo-serviens.html
Parecem álbuns virtuais de relações virtuosas...
Como hoje, em nossas salas de aula presenciais e à distância ou no gostoso e desafiador viver familiar...

Mais ou menos assim. Um mundo dentro de casa e uma casa aberta aos mundos...
Alunos do viver como HOMO SERVIENS!
Dá-lhe vida! Sempre como eternos aprendizes na escola da professorinha VIDA!

Homo Serviens



Apostila Homo Serviens - Sirvo à vida, sou feliz! Prof. Jaci Rocha Gonçalves

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Abrace o povo guarani!

9 de agosto. Dia Mundial dos Povos Indígenas. 8, 9 e 10 de agosto é festa dea inauguração de uma maior e mais nova Opy (Casa de Reza, terapia e medicina), a igreja do povo guarani do Morro dos Cavalos, indo pela Palhoça para o Sul. Quem for, pode se alimentar na aldeia e levar material para elaborar cartazes. Vem guarani de várias aldeias, grupos de amigos como os quilombolas (de descendência negra), estudantes, representantes do COMPIRP e COPPIR, dos Sem (terra, teto, vez e voz) e os defensores do ambiente. São três dias de orações, reunião de estudos e reivindicação contra a PEC 215 que dá ao Congresso Nacional a tarefa inconstitucional de administrar as Demarcações de Terras Indígenas e Quilombolas. Isso é tarefa do Executivo. As paralisações visam à homologação da primeira terra devolvida à comunidade guarani em SC: o Morro dos Cavalos. As paralisações visam à homologação da primeira terra devolvida aos guarani em SC: o Morro dos Cavalos. Há também uma luta para adequar a lei de indenização não só para benfeitorias como também da terra nua em tramitação na Assembléia Legislativa de SC. Assim, todos os direitos de maricultores, pescadores e pessoas de boa fé, poderão receber sua justa indenização. Torcemos por uma desintrusão justa e legalizada para todos. Bem-vindas, pessoas de boa vontade.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

LIXO ZERO NA CALOURADA

Jaci Gonçalves

Era uma tarde de junho de 2012. Mariano e Gabriela são estudantes de Naturologia  Aplicada e me falam pela primeira vez em Cidadania Lixo Zero. Às vésperas da Rio+20. O que resultou desse encontro vocês já curtiram em nosso blog durante todo o ano de 2013: I Desafio Lixo Zero; participação no Waste International e Semana Acadêmica Interdisciplinar Unisul.

Agora a dupla de acadêmicos Gabi e Mariano realizou a proposta revolucionária de focar o Lixo Zero na Calourada da Naturologia na  Guarda do Embaú (cf. face de C.A.N.A.L-Centro Acadêmico de Naturologia Aplicada).

A calourada de Naturologia próxima ao Dia do (Meio) Ambiente religou os participantes até na sutileza do uso da caneca na festa a relações cuidadosas, amorosas, não descartáveis. 

Para motivar, os acadêmicos deixaram-se motivar pela profa. Hélia, de pedagogia ecológica, e participantes da PROCREP, Associação das comunidades daquela região que há mais de 20 anos exercitam o cuidado comunitário da natureza e a reciclagem. A experiência é uma lição reconhecida nacionalmente.

Mariano e colegas: uma criativa festa de calouros, socioambiental. 
  
A Procrep sugeriu placas para a divisão de materiais.
É o novo relacional que revitaliza decididamente a mãe natureza, o cosmos e nos humaniza. Esses jovens são  esperança concreta de um jeito de ser humano amoroso porque unem saber no fazer.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Roda Viva com a Cacica Guarani na Unisul Pedra Branca



No Abril Indígena da Unisul

Uma Roda Viva com a cacica Guarani


Eunice Para'i a primeira cacica na história Guarani de SC participou da Roda Viva com universitários e professores  da Unisul na 10a Semana Indígena.

A cacica da aldeia Itaty, mãe de três filhos, faz a universidade indígena e participou do Abril Indígena na recente  ocupação  do Congresso Nacional quando líderes de 102 povos se fizeram ouvir contra a PEC 215. Com seu esposo e coordenador pedagógico da Escola Itaty, responderam por mais de duas horas na Roda Viva dos estudantes.



Os padres da Orionópolis Catarinense apoiaram as refeições coletivas da Semana Cultural Guarani.
Ao centro, o jovem guarani André ofereceu os colares sagrados aos sacerdotes.


Autoria coletiva Guarani: Dois livros bilíngues


Foram lançados solenemente na terça-feira na Aldeia e na Unisul dois livros de autoria coletiva da comunidade guarani das aldeias de SC e outro do RS. São livros em guarani e português. Os autores/as guarani deixam por escrito suas memórias sobre as aldeias e como aconteceram suas caminhadas sagradas.

 Cada página mostra o protagonismo de um povo sábio, honesto e respeitoso.
Ao mesmo tempo, aparece clara sua opção de espiritualidade. É um povo decidido a cumprir a missão que Nhanderu (Deus) lhes deu de nos ajudar a voltar ao colo da terra. De cuidar  de  suas riquezas naturais que nós, os não-índios, temos insistido em destruir com nossos terríveis ecocídios.


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Ambiente de aprendizagem:

a aldeia Itaty do Morro dos Cavalos


Está bombando desde sexta-feira, 19 de abril a 10ª. Semana Indígena na Unisul Pedra Branca unida à 8ª. Semana Cultural da Tekoá Itaty.

No sábado pela manhã, os guarani se dedicaram ao plantio de árvores nativas e frutíferas orientados por sábios guarani e as agrônomas Ravia e Flávia Simão Lapa. 

Cerca de 500 visitantes - guaranis, estudantes e interessados pela causa indígena – já circularam na aldeia do Morro dos Cavalos - Tekoá Itaty. Dentre eles reencontramos o naturólogo Walbert Zanoni com sua esposa irlandesa Manika e seus filhos. 

Eles acabam de fazer a travessia sagrada do Peabiru - caminhos dos povos originários do sul do Equador unindo Pacífico e Atlântico. Manika vai lançar seu livro sobre o Peabiru esse ano em inglês na Irlanda. 

A jornalista Rosana Bond e o prof. Adão Karaí Tataendy apresentaram várias pesquisas neste domingo. Com embasamento na historiografia, Rosana mostrou um jornalismo cultural na apresentação do segundo volume de História do Caminho do Peabiru. 

Tataendy (Chama Divina) por sua vez apresentou os resultados da sábia troca de saberes com a oralidade dos Xeramõi (velhos sábios) e das Xejany (avós sábias). Ele desentranhou das palavras muitos contextos históricos.




 Muito obrigado, Analúcia, Procuradora da República,
por nos proteger!
(Trad. Luís Karaí – TI Itaty)


Obrigado, meritíssimo juiz, porque veio olhar o nosso lugar!
(Traduções de Luís Karaí – TI Itaty)

Já levaram toda a nossa terra! Senhor juiz,
ajuda-nos, por amor de Deus!
  

Esses cartazes feitos pelos estudantes da aldeia para as autoridades judiciárias da República continuam lá. Eles acolhem os visitantes e refletem a esperança guarani pela homologação definitiva da Terra Indígena Morro dos Cavalos - um de seus morros sagrados.

quarta-feira, 17 de abril de 2013


Por que correram, deputados?







por Elaine Tavares - jornalista

As comunidades indígenas do Brasil estão em processo de crescimento. Desde 1991 , segundo mostraram os dados do IBGE, o aumento da população foi de 205%. Hoje, o Brasil já contabiliza 896,9 mil índios de 305 etnias, e em quase todos os municípios (80%) tem alguma pessoa autodeclarada indígena. Até mesmo alguns grupos já considerados extintos, como os Charrua, se levantam, se juntam, retomam suas raízes, formam associações e lutam por território. Isso significa que a luta que vem incendiando a América Latina desde o início dos anos 90 já chegou por aqui.

Não é sem razão que causou tanto estupor a declaração dos Guarani Kaiowá, do Mato Grosso do Sul, de resistir até o último homem caso forem retirados de suas terras. É que as comunidades já estão fartas de conversinhas e promessas governamentais. Querem ver seus direitos garantidos agora e estão dispostos a lutar. Isso também coloca todo mundo em polvorosa, porque, de certa forma, quando os índios estão quietinhos nas aldeias, são muito bem vistos. Mas, bastou levantar o tacape para que os racistas e reacionários de plantão já se alvorocem. É o que acontece hoje em Santa Catarina, quando é chegada a hora da desintrusão da terra indígena do Morro dos Cavalos. Aceitos por vários anos, vivendo em condições precárias em poucos hectares, agora que tiveram as terras definitivamente demarcadas e lutam pela desocupação do território, provocam o ódio de comunidades pacatas e cheias de "gente de bem". 

Também é o que se vê na luta contra Belo Monte e as demais hidrelétricas que poderão destruir boa parte da vida no Xingu. As revoltas das comunidades indígenas e ribeirinhas incitam os velhos ódios e não faltam as vozes a clamar contra o que chamam de "obstáculos ao progresso". Já as fazendas de gado e de monocultura que destroem pouco a pouco a Amazônia são vistas como "desenvolvimento". Da mesma forma foram julgados como baderneiros e oportunistas os indígenas que ocuparam e resistiram na Aldeia Maracanã por sete longos anos, querendo unicamente preservar um espaço histórico. Foram retirados à força, como se fossem bandidos.

Agora, os ataques vem do governo e do Congresso Nacional, no qual tramita uma proposta de mudança na Constituição, a PEC 215. Essa proposta tem por objetivo transferir para o Congresso Nacional a competência de aprovar a demarcação das terras indígenas, criação de unidades de conservação e titulação de terras quilombolas, que até então é de responsabilidade do poder executivo, por meio da Funai, do Ibama e da FCP, respectivamente. A aprovação da PEC põe em risco as terras indígenas já demarcadas e inviabiliza toda e qualquer possível demarcação futura.

Além disso também está em vigor a portaria 303, da AGU, que define que qualquer terra já demarcada pode ser revista e tirada das comunidades, basta que dentro delas haja algo que seja do interesse dessa gente sempre pronta a sugar as riquezas do país (minérios, petróleo, rios). Ou seja, é a forma moderna de dominação dos mesmos velhos opressores. Se antes eram os arcabuzes, agora é a lei. E o que é mais espantoso, uma lei que viola a Carta Magna. 

Por isso é que os indígenas brasileiros organizados decidiram fazer uma ação em Brasília, junto aos deputados. Sabem que não dá para confiar numa casa cujos habitantes foram eleitos por grupos econômicos que sistematicamente vêm rapinando as riquezas da nação e, portanto, não hesitarão passar por cima de comunidades inteiras se isso for necessários aos seus interesses. E tanto isso é verdade que ontem (dia16.04) eles estavam lá, tentando conversar, tentando entrar na casa que dizem, é do povo. Mas, estavam impedidos. Só que decidiram não aceitar uma imposição sem sentido. Se a casa é do povo, entrariam. E foi o que fizeram. Forçaram a porta e adentraram ao plenário, onde os engravatados os ignoravam. 

A cena protagonizada pelos deputados seria risível se não representasse claramente o que pensam dos índios. Os engravatados correram, desesperados, quando viram um pequeno grupo de indígenas avançando  em danças rituais pelo meio do plenário. Para eles, aqueles homens e mulheres nada mais são do que selvagens, perigosos e ameaçadores. Não conseguem os ver como cidadãos brasileiros, iguais a eles em direitos e deveres. Os deputados correram por que? De medo? E por que teriam medo? Porque sabem muito bem o que fazem e como tratam os povos indígenas nesse país.

A vergonhosa correria rendeu frutos aos indígenas. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), acabou propondo uma saída honrosa. A casa suspenderia  a criação da comissão especial que iria apreciar o mérito da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215 e criaria  um grupo paritário para discutir os temas de interesse dos povos indígenas. Os índios reunidos no Salão Verde conversaram e deliberaram aceitando a proposta . 

Agora é vigiar porque esse não vai ser um debate fácil. Tanto o governo como os grupos de poder que financiam a maioria dos deputados querem poder dispor das terras indígenas que estão cheias de riqueza. Mas, o fato é que a ação do "abril indígena" conseguiu pelo menos colocar em pauta um tema que já vem caminhando desde anos e não recebe a devida atenção nem pela mídia nem pelos deputados. Foi uma vitória, parcial e temporária, mas ainda assim uma vitória. O que prova por a + b que só a ação direta e organizada faz a vida das gentes avançar. E, para aqueles que estão aí, na luta sempre, a cena do apavoramento dos deputados deixa muito claro que eles sim, têm medo, embora não tenham prurido de destruir sistematicamente o modo de vida dos povos indígenas. A lição do abril indígena é singela: é preciso fazer com essa gente que não leva em conta os desejos das maiorias voltem a ter medo delas. A luta de classes avança por aqui também...     

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Semana Cultural Tekoá Itaty



Programação dos dias 19 a 26 de Abril


Todos os dias às 08:00h e às 17:00h cantos e danças com o Coral Tape Mirim e às 12:00h almoço coletivo.

19 de Abril:
Rezos com xeramõi Alcindo Wera Tupã, xejanyi Rosa Potty Dja e o Karai Okenda Geraldo.
13:00h Exposição de artesanato, vídeos e arte guarani

20 de Abril:
8:30h Caminho na mata com reflorestamento de plantas nativas.
Orientação da agrônoma Ravia.
13:00h Caminho na mata com reflorestamento de plantas nativas.
Orientação da agrônoma Ravia.
17:00h Cantos com o coral Tapé Mirim e Cerimônia na Casa de Reza xeramõi Alcindo Wera Tupã, xejanyi Rosa Potty Dja e o Karai Okenda Geraldo:  participação dos alunos e pais de alunos.

21 de Abril:
8:30h Oficina de peteca com professor Adão Karai Tataendy
10:00h Debate sobre territorialidade guarani com os escritores Rosana Bond e Adão Antunes
13:00h Tarde esportiva: Futebol masculino e feminino

22 de Abril:
8:30h Oficina de pintura corporal
10:30h Competições tradicionais de zarabatana (masculino e feminino)
13:00h Apresentação: Alimentos tradicionais: professor Marcos Moreira.

23 de Abril:
8h30 – Lançamentos:
*Livro: YVY OJEVY IJA ETE PE - "A TERRA QUE VOLTA AO VERDADEIRO DONO". Autoria: povo guarani.
* Revista cartilha: "PEC 215 - AMEAÇA AOS DIREITOS DOS POVOS INDÍGENAS, QUILOMBOLAS E MEIO AMBIENTE".
*DVD: TERRA SEM MAL - O caminho do Peabiru - A Saga de Aleixo Garcia" pelo Revitalizando Culturas/Unisul, da ONG Projeto Barra Sul.
13:00h - Xeramõi kuery

ATIVIDADES NO CAMPUS DA UNISUL PEDRA BRANCA
17:00h ­– Venda de artesanato Guarani
18:00h  Exposição 15 anos do Revitalizando Culturas – Espaço hipermídia
18h30  Coral TapeMirim
19:00h  Lançamentos do livro: YVY OJEVY IJA ATE PE, A TERRA QUE VOLTA AO VERDADEIRO DONO. Autoria: povo guarani. * Revista cartilha: PEC 215 - AMEAÇA AOS DIREITOS DOS POVOS INDÍGENAS, QUILOMBOLAS E MEIO AMBIENTE. *DVD: TERRA SEM MAL - O caminho do Peabiru - A Saga de Aleixo Garcia,da ONG Projeto Barra Sul.
20:00h  Roda viva com a Cacique Eunice Antunes Parai


24 de Abril:
8:30h Oficina de cestaria e etnomatematica
Professor João Batista Gonçalves Karay


25 de Abril:
8:30h Palestra: As brincadeiras das crianças guarani. Prof: Eunice Antunes.
10:30h Jogos tradicionais: tiro de arco-flecha (masculino e feminino)
13:00h Caminhada na trilha
15:30h Final da competição do arco-flecha


26 de Abril:
8:30h Vídeo documentário sobre a cultura guarani, história do território.
13:00h Apresentação do PPP (Projeto Político Pedagógico da Escola Itaty)
Diretor Cesar Cansian Dalla Rosa.
17:00h encerramento da Semana Cultural com o coral Tapé Mirim e reza do Xeramõi.

Todas as atividades estão incluídas na 10° semana Indígena Unisul Pedra Branca

Será concedido certificado de AACAS aos participantes pelo programa Revitalizando Culturas/Unisul, AIMG e escola Indígena Itaty.  
AACAS - Fazer Assinatura no local das atividades.

quinta-feira, 14 de março de 2013


Habemus Papa Francisco! Que seja papa SSD!




Em minha primeira nota sobre o conclave, lembrando romances, escrevi: "E o último romance que li diz que o nome do novo papa poderia ser: ‘Francisco I’ ! Rezemos." O autor daquele romance Habemus Papam, Francesco, é o padre Paolo Farinella, discípulo do outro jesuíta, o cardeal Martini. Da editora Gabrielli, ano 2000. 

Feliz coincidência que o primeiro jesuíta escolhido para ser Papa adote o nome programático de Francisco. E já deu sinais do porquê do nome escolhido: pede bênção ao povo, antes de oferecê-la. Chama o povo de irmãos e irmãs, portanto em masculino e feminino, traz a analogia do "caminho" (diz que vem do fim do mundo!) e programa como tema fundante da oração o mais querido ao Santo de Assis: fraternidade! 

Diz: "Vamos seguir esse caminho juntos. Vamos orar uns pelos outros para que haja grande fraternidade." 

O papa Francisco parece unir duas características essenciais para o nosso tempo: uma comunicação simples de pastor do povão e, ao mesmo tempo, é traquejado na convivência com a dinâmica e/ou inércia burocrática dos mundos religioso e profano. 

Embora da segunda Itália do mundo, a Argentina, e descendente de europeus, nasceu e cresceu para cá do Atlântico. Sua história e escolha mostram que parece querer unir simplicidade de Francisco e esperteza de jesuíta. 

Mas a grande expectativa continua sendo aquela esquecida pela mídia internacional e até mesmo pelo Vaticano. A realização do subtítulo de Francisco e dos outros papas vigente até aqui: SSD – Servus Servorum Dei (Servidor dos Servidores de Deus). Inspirado no Cristo que usa avental e lava os pés aos discípulos, esse título do Papa tem sido até tema de bestseller para executivo como o The Serviator (O monge e o executivo) ou a figura de Deus em A Cabana. Espera-se que simbolize uma Igreja servidora da vida para todos e tudo. 


Mas o desafio está aí. Salve, Jorge! Com o povo em oração e organização, qualquer poder treme. Mas tudo, sem perder a graça, é claro. Dessa vez o papa foi quase brasileiro. Mas o jeito de brincar, certamente aprendeu por aqui.




LINKS DOS ARTIGOS SOBRE A SUCESSÃO PAPAL.
POR JACI ROCHA GONÇALVES:

http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/geral/noticia/2013/03/teologo-jaci-rocha-goncalves-habemus-papam-na-convivencia-do-simbolico-e-do-diabolico-4071700.html

http://www.unisul.br/wps/portal/unisul-hoje/Noticia/?id=111629

http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/geral/noticia/2013/03/teologo-jaci-rocha-goncalves-comenta-sobre-a-sucessao-papal-4071243.html