sexta-feira, 26 de abril de 2013

Roda Viva com a Cacica Guarani na Unisul Pedra Branca



No Abril Indígena da Unisul

Uma Roda Viva com a cacica Guarani


Eunice Para'i a primeira cacica na história Guarani de SC participou da Roda Viva com universitários e professores  da Unisul na 10a Semana Indígena.

A cacica da aldeia Itaty, mãe de três filhos, faz a universidade indígena e participou do Abril Indígena na recente  ocupação  do Congresso Nacional quando líderes de 102 povos se fizeram ouvir contra a PEC 215. Com seu esposo e coordenador pedagógico da Escola Itaty, responderam por mais de duas horas na Roda Viva dos estudantes.



Os padres da Orionópolis Catarinense apoiaram as refeições coletivas da Semana Cultural Guarani.
Ao centro, o jovem guarani André ofereceu os colares sagrados aos sacerdotes.


Autoria coletiva Guarani: Dois livros bilíngues


Foram lançados solenemente na terça-feira na Aldeia e na Unisul dois livros de autoria coletiva da comunidade guarani das aldeias de SC e outro do RS. São livros em guarani e português. Os autores/as guarani deixam por escrito suas memórias sobre as aldeias e como aconteceram suas caminhadas sagradas.

 Cada página mostra o protagonismo de um povo sábio, honesto e respeitoso.
Ao mesmo tempo, aparece clara sua opção de espiritualidade. É um povo decidido a cumprir a missão que Nhanderu (Deus) lhes deu de nos ajudar a voltar ao colo da terra. De cuidar  de  suas riquezas naturais que nós, os não-índios, temos insistido em destruir com nossos terríveis ecocídios.


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Ambiente de aprendizagem:

a aldeia Itaty do Morro dos Cavalos


Está bombando desde sexta-feira, 19 de abril a 10ª. Semana Indígena na Unisul Pedra Branca unida à 8ª. Semana Cultural da Tekoá Itaty.

No sábado pela manhã, os guarani se dedicaram ao plantio de árvores nativas e frutíferas orientados por sábios guarani e as agrônomas Ravia e Flávia Simão Lapa. 

Cerca de 500 visitantes - guaranis, estudantes e interessados pela causa indígena – já circularam na aldeia do Morro dos Cavalos - Tekoá Itaty. Dentre eles reencontramos o naturólogo Walbert Zanoni com sua esposa irlandesa Manika e seus filhos. 

Eles acabam de fazer a travessia sagrada do Peabiru - caminhos dos povos originários do sul do Equador unindo Pacífico e Atlântico. Manika vai lançar seu livro sobre o Peabiru esse ano em inglês na Irlanda. 

A jornalista Rosana Bond e o prof. Adão Karaí Tataendy apresentaram várias pesquisas neste domingo. Com embasamento na historiografia, Rosana mostrou um jornalismo cultural na apresentação do segundo volume de História do Caminho do Peabiru. 

Tataendy (Chama Divina) por sua vez apresentou os resultados da sábia troca de saberes com a oralidade dos Xeramõi (velhos sábios) e das Xejany (avós sábias). Ele desentranhou das palavras muitos contextos históricos.




 Muito obrigado, Analúcia, Procuradora da República,
por nos proteger!
(Trad. Luís Karaí – TI Itaty)


Obrigado, meritíssimo juiz, porque veio olhar o nosso lugar!
(Traduções de Luís Karaí – TI Itaty)

Já levaram toda a nossa terra! Senhor juiz,
ajuda-nos, por amor de Deus!
  

Esses cartazes feitos pelos estudantes da aldeia para as autoridades judiciárias da República continuam lá. Eles acolhem os visitantes e refletem a esperança guarani pela homologação definitiva da Terra Indígena Morro dos Cavalos - um de seus morros sagrados.

quarta-feira, 17 de abril de 2013


Por que correram, deputados?







por Elaine Tavares - jornalista

As comunidades indígenas do Brasil estão em processo de crescimento. Desde 1991 , segundo mostraram os dados do IBGE, o aumento da população foi de 205%. Hoje, o Brasil já contabiliza 896,9 mil índios de 305 etnias, e em quase todos os municípios (80%) tem alguma pessoa autodeclarada indígena. Até mesmo alguns grupos já considerados extintos, como os Charrua, se levantam, se juntam, retomam suas raízes, formam associações e lutam por território. Isso significa que a luta que vem incendiando a América Latina desde o início dos anos 90 já chegou por aqui.

Não é sem razão que causou tanto estupor a declaração dos Guarani Kaiowá, do Mato Grosso do Sul, de resistir até o último homem caso forem retirados de suas terras. É que as comunidades já estão fartas de conversinhas e promessas governamentais. Querem ver seus direitos garantidos agora e estão dispostos a lutar. Isso também coloca todo mundo em polvorosa, porque, de certa forma, quando os índios estão quietinhos nas aldeias, são muito bem vistos. Mas, bastou levantar o tacape para que os racistas e reacionários de plantão já se alvorocem. É o que acontece hoje em Santa Catarina, quando é chegada a hora da desintrusão da terra indígena do Morro dos Cavalos. Aceitos por vários anos, vivendo em condições precárias em poucos hectares, agora que tiveram as terras definitivamente demarcadas e lutam pela desocupação do território, provocam o ódio de comunidades pacatas e cheias de "gente de bem". 

Também é o que se vê na luta contra Belo Monte e as demais hidrelétricas que poderão destruir boa parte da vida no Xingu. As revoltas das comunidades indígenas e ribeirinhas incitam os velhos ódios e não faltam as vozes a clamar contra o que chamam de "obstáculos ao progresso". Já as fazendas de gado e de monocultura que destroem pouco a pouco a Amazônia são vistas como "desenvolvimento". Da mesma forma foram julgados como baderneiros e oportunistas os indígenas que ocuparam e resistiram na Aldeia Maracanã por sete longos anos, querendo unicamente preservar um espaço histórico. Foram retirados à força, como se fossem bandidos.

Agora, os ataques vem do governo e do Congresso Nacional, no qual tramita uma proposta de mudança na Constituição, a PEC 215. Essa proposta tem por objetivo transferir para o Congresso Nacional a competência de aprovar a demarcação das terras indígenas, criação de unidades de conservação e titulação de terras quilombolas, que até então é de responsabilidade do poder executivo, por meio da Funai, do Ibama e da FCP, respectivamente. A aprovação da PEC põe em risco as terras indígenas já demarcadas e inviabiliza toda e qualquer possível demarcação futura.

Além disso também está em vigor a portaria 303, da AGU, que define que qualquer terra já demarcada pode ser revista e tirada das comunidades, basta que dentro delas haja algo que seja do interesse dessa gente sempre pronta a sugar as riquezas do país (minérios, petróleo, rios). Ou seja, é a forma moderna de dominação dos mesmos velhos opressores. Se antes eram os arcabuzes, agora é a lei. E o que é mais espantoso, uma lei que viola a Carta Magna. 

Por isso é que os indígenas brasileiros organizados decidiram fazer uma ação em Brasília, junto aos deputados. Sabem que não dá para confiar numa casa cujos habitantes foram eleitos por grupos econômicos que sistematicamente vêm rapinando as riquezas da nação e, portanto, não hesitarão passar por cima de comunidades inteiras se isso for necessários aos seus interesses. E tanto isso é verdade que ontem (dia16.04) eles estavam lá, tentando conversar, tentando entrar na casa que dizem, é do povo. Mas, estavam impedidos. Só que decidiram não aceitar uma imposição sem sentido. Se a casa é do povo, entrariam. E foi o que fizeram. Forçaram a porta e adentraram ao plenário, onde os engravatados os ignoravam. 

A cena protagonizada pelos deputados seria risível se não representasse claramente o que pensam dos índios. Os engravatados correram, desesperados, quando viram um pequeno grupo de indígenas avançando  em danças rituais pelo meio do plenário. Para eles, aqueles homens e mulheres nada mais são do que selvagens, perigosos e ameaçadores. Não conseguem os ver como cidadãos brasileiros, iguais a eles em direitos e deveres. Os deputados correram por que? De medo? E por que teriam medo? Porque sabem muito bem o que fazem e como tratam os povos indígenas nesse país.

A vergonhosa correria rendeu frutos aos indígenas. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), acabou propondo uma saída honrosa. A casa suspenderia  a criação da comissão especial que iria apreciar o mérito da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215 e criaria  um grupo paritário para discutir os temas de interesse dos povos indígenas. Os índios reunidos no Salão Verde conversaram e deliberaram aceitando a proposta . 

Agora é vigiar porque esse não vai ser um debate fácil. Tanto o governo como os grupos de poder que financiam a maioria dos deputados querem poder dispor das terras indígenas que estão cheias de riqueza. Mas, o fato é que a ação do "abril indígena" conseguiu pelo menos colocar em pauta um tema que já vem caminhando desde anos e não recebe a devida atenção nem pela mídia nem pelos deputados. Foi uma vitória, parcial e temporária, mas ainda assim uma vitória. O que prova por a + b que só a ação direta e organizada faz a vida das gentes avançar. E, para aqueles que estão aí, na luta sempre, a cena do apavoramento dos deputados deixa muito claro que eles sim, têm medo, embora não tenham prurido de destruir sistematicamente o modo de vida dos povos indígenas. A lição do abril indígena é singela: é preciso fazer com essa gente que não leva em conta os desejos das maiorias voltem a ter medo delas. A luta de classes avança por aqui também...     

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Semana Cultural Tekoá Itaty



Programação dos dias 19 a 26 de Abril


Todos os dias às 08:00h e às 17:00h cantos e danças com o Coral Tape Mirim e às 12:00h almoço coletivo.

19 de Abril:
Rezos com xeramõi Alcindo Wera Tupã, xejanyi Rosa Potty Dja e o Karai Okenda Geraldo.
13:00h Exposição de artesanato, vídeos e arte guarani

20 de Abril:
8:30h Caminho na mata com reflorestamento de plantas nativas.
Orientação da agrônoma Ravia.
13:00h Caminho na mata com reflorestamento de plantas nativas.
Orientação da agrônoma Ravia.
17:00h Cantos com o coral Tapé Mirim e Cerimônia na Casa de Reza xeramõi Alcindo Wera Tupã, xejanyi Rosa Potty Dja e o Karai Okenda Geraldo:  participação dos alunos e pais de alunos.

21 de Abril:
8:30h Oficina de peteca com professor Adão Karai Tataendy
10:00h Debate sobre territorialidade guarani com os escritores Rosana Bond e Adão Antunes
13:00h Tarde esportiva: Futebol masculino e feminino

22 de Abril:
8:30h Oficina de pintura corporal
10:30h Competições tradicionais de zarabatana (masculino e feminino)
13:00h Apresentação: Alimentos tradicionais: professor Marcos Moreira.

23 de Abril:
8h30 – Lançamentos:
*Livro: YVY OJEVY IJA ETE PE - "A TERRA QUE VOLTA AO VERDADEIRO DONO". Autoria: povo guarani.
* Revista cartilha: "PEC 215 - AMEAÇA AOS DIREITOS DOS POVOS INDÍGENAS, QUILOMBOLAS E MEIO AMBIENTE".
*DVD: TERRA SEM MAL - O caminho do Peabiru - A Saga de Aleixo Garcia" pelo Revitalizando Culturas/Unisul, da ONG Projeto Barra Sul.
13:00h - Xeramõi kuery

ATIVIDADES NO CAMPUS DA UNISUL PEDRA BRANCA
17:00h ­– Venda de artesanato Guarani
18:00h  Exposição 15 anos do Revitalizando Culturas – Espaço hipermídia
18h30  Coral TapeMirim
19:00h  Lançamentos do livro: YVY OJEVY IJA ATE PE, A TERRA QUE VOLTA AO VERDADEIRO DONO. Autoria: povo guarani. * Revista cartilha: PEC 215 - AMEAÇA AOS DIREITOS DOS POVOS INDÍGENAS, QUILOMBOLAS E MEIO AMBIENTE. *DVD: TERRA SEM MAL - O caminho do Peabiru - A Saga de Aleixo Garcia,da ONG Projeto Barra Sul.
20:00h  Roda viva com a Cacique Eunice Antunes Parai


24 de Abril:
8:30h Oficina de cestaria e etnomatematica
Professor João Batista Gonçalves Karay


25 de Abril:
8:30h Palestra: As brincadeiras das crianças guarani. Prof: Eunice Antunes.
10:30h Jogos tradicionais: tiro de arco-flecha (masculino e feminino)
13:00h Caminhada na trilha
15:30h Final da competição do arco-flecha


26 de Abril:
8:30h Vídeo documentário sobre a cultura guarani, história do território.
13:00h Apresentação do PPP (Projeto Político Pedagógico da Escola Itaty)
Diretor Cesar Cansian Dalla Rosa.
17:00h encerramento da Semana Cultural com o coral Tapé Mirim e reza do Xeramõi.

Todas as atividades estão incluídas na 10° semana Indígena Unisul Pedra Branca

Será concedido certificado de AACAS aos participantes pelo programa Revitalizando Culturas/Unisul, AIMG e escola Indígena Itaty.  
AACAS - Fazer Assinatura no local das atividades.