segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Carijós e guaranis: nomes diferentes, um mesmo povo

Novo livro da jornalista Rosana Bond traz registros históricos que refutariam um dos principais argumentos contrários à demarcação da terra indígena no Morro dos Cavalos


O livro “Aleixo Garcia: Algo Mais Sobre a Saga do Descobridor dos Incas”, que acaba de sair do forno,
traz revelações contundentes acerca de um tema que vem mexendo com o cotidiano palhocense nos
últimos anos: a demarcação da terra indígena no Morro dos Cavalos. Com uma argumentação sólida, baseada em fontes históricas, a pesquisadora e escritora Rosana Bond derruba um dos principais argumentos contrários à homologação, o de que os guaranis que hoje habitam a área não descendem do grupo carijó que povoou a região centenas de anos atrás.


Na quinta-feira, dia 20, Rosana repassou suas descobertas pessoalmente aos índios do Morro dos Cavalos durante programação que fez parte do evento multicultural UniDiversidade, no auditório do bloco C, na Unisul, na Pedra Branca. Rosana “devolveu” aos representantes indígenas, em forma de esperança, a sabedoria que os índios repassam a cada nova jornada de desbravamento de fatos. A autora chegou a se emocionar com as palavras de uma liderança guarani presente no encontro. Palavras que representavam a expressão de uma cultura rica em simbolismos.

Uma riqueza que certamente ajudou a transformar a jornalista em uma peregrina incansável na cruzada em busca dos registros históricos. Em seu 17º livro, editado pela editora carioca Aimberê/AND, Rosana explica a confusão de nomenclaturas. Segundo a autora, os indígenas guaranis e os carijós encontrados em Palhoça e em outros pontos do litoral no século 16 são uma mesma tribo. Ela sustenta que o antigo povo não se extinguiu; apenas o termo “carijó”, criado artificialmente pelos conquistadores europeus quando chegaram ao Brasil e à América do Sul, é que caiu em desuso com o passar do tempo. “Como se pode falar em extinção de um povo apenas porque membros deste, premidos pelas circunstâncias, mudaram de lugar e foram viver em aldeias interioranas? O nome ‘cario’ ou ‘carijó’, tão somente o vocábulo, é que foi se extinguindo na costa catarinense conforme tais índios iam desaparecendo deste cenário geográfico. Não se pode, e nem se deve, confundir”, alerta a autora, em trecho do livro.

Rosana acredita que as “controvérsias e equívocos” hoje existentes foram motivados pela própria complexidade histórica que envolve o assunto. “No livro, tento clarear um pouco as coisas, mostrando didaticamente, através de informações da história, que os carijós ou carios não desapareceram como povo, e sim, que seu nome, tão somente seu nome, é que transformou-se paulatinamente numa palavra em desuso, porque os espanhóis e os portugueses deixaram de aplicá-la, passando a chamá-los de guaranis”, explica.
Rosana Bond conta que localizou um estudo no Paraguai, feito na década de 1970, comprovando que no começo da conquista do Brasil e da América do Sul os europeus utilizavam o termo “carijó/cario” para designar os guaranis em geral, não importando se viviam no litoral brasileiro, no interior do Paraná, no Paraguai ou até no Pantanal.

Em outra pesquisa, uma historiadora e arqueóloga dos Estados Unidos mostra que em uma fase de quase 50 anos os nomes carijó e guarani foram usados paralelamente como sinônimos num amplo território brasileiro e sul-americano. “Na costa catarinense, do Maciambu para o Sul, essa sinonímia durou até meados dos anos 1600, quando os últimos guaranis fugiram dos bandeirantes e foram morar nas aldeias carijós do interior do continente”, explica.
A jornalista diz acreditar que a confusão e o mal-entendido atual se devem às sucessivas mudanças de nome que os “brancos” impuseram à tribo guarani, dando a impressão de que eram povos diferentes. “Não encontramos nenhum documento dos anos 1500 ou 1600 informando que os carios eram ‘um outro tipo’ de guarani. Carijó era guarani e guarani era carijó”, sentencia.

“Aleixo Garcia: Algo Mais Sobre a Saga do Descobridor dos Incas” também traz informações inéditas ou pouco conhecidas sobre o náufrago que viveu entre os guaranis-carijós da região do Maciambu desde 1516 e, trilhando o milenar Caminho de Peabiru, foi o descobridor do império inca, antes dos espanhóis. Segundo Rosana, o Morro dos Cavalos, onde se situa a aldeia, fazia parte, nos anos 1500, da área de uso e circulação dos guaranis. “Inclusive, como registrei numa obra anterior, existia ao pé do morro um caminho indígena, comprovado por relatos dos séculos 16, 17 e 18, e ainda por um mapa militar português de 1786, de acesso restrito e só publicado em Santa Catarina há poucas décadas. Em cima desse caminho transitado pelos antigos guaranis é que parece ter sido traçado o leito da BR-101 naquele trecho”, argumenta.

Argumentos

As revelações do livro “Aleixo Garcia: Algo Mais Sobre a Saga do Descobridor dos Incas”

Argumento: Cario era um apelativo que, no começo (da conquista da América) era aplicado aos guaranis em geral
Fonte: o livro “Etnografia Paraguaya”, escrito pela antropóloga eslovena Branislava Susnik e publicado em 1978

Argumento: o termo carijó era usado como sinônimo de guarani ainda em 1543. Domingo de Irala, dirigente do Paraguai, costumava se referir aos carijós e aos guaranis como sendo um mesmo povo ou tribo, que ocupava uma vasta área, desde Assunção até a costa do Brasil. 
Fonte: o artigo “Alejo García en la Historia”, publicado pela pesquisadora norte-americana Catherine Julien, na Bolívia, em 2005

Argumento: o mercenário alemão Ulrich Schmidl também chamou de carijós os índios guaranis do porto de Juruquissaba, no rio Paraguai
Fonte: o livro “Derrotero y Viaje al Rio de la Plata y Paraguay”, que Ulrich Schmidl publicou na Europa em 1567

Argumento: o povo carijó catarinense não se extinguiu. Uma parte foi efetivamente morta nos séculos 16 e 17, em ataques de bandeirantes ou devido a enfermidades causadas pelo contato com os brancos. Porém, outra parte sobreviveu e se deslocou a Oeste (chegando inclusive ao Paraguai e à Argentina); uma parte ainda teria ficado na própria região do Maciambu.
Fonte: pesquisas da autora e tese sustentada na tese de doutorado da antropóloga Maria Dorothea Darella.

Argumento: foram localizados na Bolívia descendentes de carijós que fugiram do litoral de Santa Catarina nos séculos 16 e 17. Entre eles havia até descendentes de companheiros de viagem de Aleixo Garcia. Eles vivem na região do Isoso, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.  
Fonte: informações colhidas junto aos índios locais pelo indigenista e ex-diplomata boliviano Franz Michel Torrico

“Resida ele na costa de Santa Catarina ou de outros estados. Resida ele no Mato Grosso do Sul, no Paraguai, na Argentina ou na Bolívia. Tenha sido ele chamado de carijó ou de quaisquer outros nomes. Vocábulos extintos ou vigentes. Não importa. Ele é o guarani”

Texto: Luciano Smanioto


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O 7º UniDiversidade começa hoje! Confira a programação

Cidadania sustentável e cidadania Lixo Zero


Agradeço o apoio de todos vocês para mais este mutirão de compromisso com a sustentabilidade ecohumana.
Seguem dois cartazes com programação geral e o Concurso Boneco Zera Lixo.




Este é um Concurso inventado por alunos de várias Unidades de Aprendizagem.
A iniciativa permite vivenciar o manuseio dos resíduos sem medos.
Tem um ganho de moeda acadêmica para alunos e qualquer outro cidadão/ã.
Divulgue o mais que puder!

Na espiritualidade do amor vamos saborear a alegria de mais uma novembrada exigente mas serena.
Abraços e gratidão de Jaci Rocha Gonçalves.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Guerreira Sindical da Saúde visita o Revitalizando Culturas

Marilza Aparecida Martins da Silva, egressa do Serviço Social da
Unisul, turma de 2012, é a mais nova dirigente do sindicato dos
funcionários da saúde do estado catarinense. É casada e tem três
filhos. Veio nos visitar em 16 de outubro de 2014. Marilza interagiu
com o professor Jaci Rocha Gonçalves quando era diretor numa 
rede de escolas em Lages. Ela também trabalhou na Orionópolis Catarinense
e foi participante ativa do Revitalizando Culturas. O professor Jaci fez
uma entrevista relâmpago com essa verdadeira guerreira sindical
sobre suas experiências com grupos vulneráveis como os Guarani 
e pessoas com deficiência. Assista no link:
https://www.youtube.com/watch?v=8JWBfyTu-7g

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Ajude a preparar os guaranis para o ENEM!

Caros voluntários da UNISUL do Art. 170, AACAS e amigos da causa guarani.
Tire um tempinho para auxiliar os guaranis da Aldeia Itaty do Morro dos Cavalos nos preparativos para o ENEM. Descobrimos que além d e matemática e português, há necessidade de tirar dúvidas também de física e química, especialmente da tabela periódica.

O ENEM será dias 8 e 9 de novembro. Você pode tirar um dia de segunda a sexta-feira e contar com a carona da profa. Elizabete Albino, diretora da Escola Indígena que reside na Pedra Branca próximo à UNISUL. Contatos da prof: facebook "betealbino"; celular 99647092.
Outros contatos: prof. Guarani KENNEDY 91717781 e DENILZA 91912530; prof. Jaci:  8863 5444 ou à tarde no Revitalizando: 32791114 revitalizandoculturas@gmail.com; ou com Thalyta 91077206.

AWETÉ, NHANDERU! (Deus nos Abençoe!)

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

VII Congresso Nacional de Naturologia

Presença da Sabedoria Medicinal Guarani

Estamos felizes e agradecidos com a presença dos Guaranis no VII Congresso Nacional de Naturologia realizado no campus Pedra Branca no sábado, 11 de outubro. A presença lúcida do xamã Alcindo, 106 anos de idade,  com sua dança e sua palavra sábia, e de outros jovens Guarani conversando sobre as medicinas específicas de seu povo multimilenar foi um abraço endocultural neste Brasil de muitos Brasis. Parabéns aos que fecharam este Congresso com esse diálogo com medicinas tradicionais sustentadas na espiritualidade e interação com a natureza  .



Presente, também, a cacica Eunice Paraí Kerexu, da Aldeia Itaty, localizada no Morro dos Cavalos, conversando sobre as políticas de saúde com os povos indígenas. Foi um momento marcante de escuta dessa ilustre guerreira, preocupada com as dificuldades de reconhecimento da dupla cidadania do seu povo, tanto guaranítica, quanto brasileira.

A mediação foi feita por Diogo Teixeira, mestre em Antropologia e Naturólogo. Ele dissertou sobre as sabedorias deste povo e representa o compromisso dos naturólogos da Unisul com as raízes originárias do chão onde nascemos.


É uma interação mediada pelo Revitalizando Culturas da Unisul desde 1999, quando a primeira turma de naturólogos subiu o Morro Sagrado dos Guarani – Morro dos Ancestrais, conhecido como Morro dos Cavalos e que vai desdobrando-se de mil formas ativas.


Eduardo Schmidt
Supervisor Jaci Rocha Gonçalves

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Mutirão de Solidariedade com os Guarani

As sementes de maior volume, foram as sementes de milho crioulo.
O Revitalizando Culturas, através dos programas Mediações Culturais e Povos Originários respondeu ao pedido urgente de alguns líderes guarani para suprir a falta de alimentos devido ao atraso da entrega pelos órgãos públicos.

A coleta de alimentos incluiu o mutirão das sementes crioulas para também socorrer o atraso da entrega de sementes já que as terras estavam prontas para o plantio nas aldeias do Vale do Rio Tijucas. Estudantes de Engenharia Ambiental e da Naturologia da UNISUL conseguiram reunir boa doação de sementes. 

Alegria dos moradores ao receber o alimento na aldeia de Tijuquinhas.

Alguns alunos da Naturologia fizeram chegar sementes   agroecológicas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do projeto que eles têm de BioNatur. As sementes de vários tipos de milho e de hortaliças e os alimentos foram encaminhados as aldeias pelos trabalhadores da Funai que nos remeteram as fotografias na entrega das doações.

Em Santa Catarina, já são onze aldeias de povos originários Guarani que se revitalizaram ao longo do litoral. Especialmente nos últimos 7 anos desde que foram compradas novas terras com o dinheiro do Banco Mundial proveniente da duplicação da BR-101 Sul no Projeto Internacional de Reparação dos males causados aos povos que habitavam o território brasileiro antes das invasões europeias. 


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O VII UniDiversidade vai acontecer em novembro de 2014 (2)

Prepare-se para o evento curtindo as sequências de MEMÓRIA VIVA (2) de 2013 que o Revitalizando Culturas preparou para você.


Oficina Processo de Aquecimento Solar

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O Projeto Processo de Aquecimeto Solar, do Curso de Engenharia Ambiental, foi orientado pela prof. Dra. Ana Regina Dutra. Foi um importante momento de troca de Know-how no VI UniDiversidade do grupo de pesquisa e programa de extensão Revitalizando Culturas da Unisul - Pedra Branca.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O VII UniDiversidade vai acontecer em novembro de 2014

 Prepare-se para o evento curtindo as sequências de MEMÓRIA VIVA (1) de 2013 que o Revitalizando Culturas preparou para você.



Arte em Grafite no Lixo Zero

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As artistas de naturologia Eliza Makray e Marli de Oliveira deram um tratamento estético pela Arte em Grafite ao Depósito de Resíduos da Unisul Pedra Branca.
Foi um momento de profunda espiritualidade no VI UniDiversidade.


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Jaci agradece os parabéns de amig@s! Il grazzie di Jaci.

Segue o "muito obrigado" de Jaci a todos pelos parabéns na forma de 54" de música no vídeo.


Cari amici,
ricevete il mio grazzie a voi per i ricordi dei 65 anni di età. 54" di messaggio audiovisivo.

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Duas Lições de São Luís Orione

Conheci a história e obras de são João Luís Orione em 1961, com 12 anos de idade, em Siderópolis, região de colonização italiana do sul de Santa Catarina.

Tive a graça de levá-lo como meus temas às academias internacionais de mestrado e doutorado na Pontifícia Universidade Urbaniana de Roma em 1986 e 1996, respectivamente.

A área foi de Missiologia que versa sobre evangelização e culturas que a igreja católica tem nesta faculdade desde 1622, há 392 anos.

Da residência ao lado do Coliseu, fui transferido para vivenciar e trabalhar com a cultura local na paróquia de Ognissanti (Todos os Santos), oferecida a Dom Orione pelo papa Pio X, em 25 de março de 1908.
Na ocasião, o papa lhe disse que ao seu pedido de trabalhar na América do Sul oferecia o convite para evangelizar naquela “Patagônia Romana”, em referência às terras geladas do sul da Argentina.

Tenho duas lições aprendidas com este santo atípico nas minhas buscas como padre brasileiro nas duas vezes em que fui estudar em Roma.

A primeira lição foi tirar a limpo o seu protagonismo como defensor da cidadania do povo negro na igreja do Brasil após a abolição da escravatura em 1888 e a separação igreja/estado em 1891, dois anos após a Proclamação da República.

Pude, então, ver e analisar os manuscritos das cartas trocadas pelo santo durante 27 anos com Silvério Gomes Pimenta, o único arcebispo negro da história do Brasil colonial e republicano porque afilhado de crisma do servo de Deus, o bispo Dom Viçoso em Mariana (MG) que lhe empregara como porteiro do seminário para custear os estudos.

Silvério tornou-se famoso como participante da Academia Brasileira de Letras e como secretário do I Concílio Latino-americano em Roma em 1899. “Niger, sed sapiens! (Negro, porém, sábio!)” diziam discriminadamente sobre o arcebispo negro.

Em 1921, o santo finalmente vem ao Brasil e à Argentina, após ter enviado missionários desde dezembro de 1914, há 101 anos.

Com Silvério, ele inaugura no Brasil o primeiro seminário e noviciado para vocações de homens e mulheres negras em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Por essa causa, Luís Orione sofre vexames, constragimentos e perseguições inclusive por autoridades da própria igreja.

Descrevi em detalhes na dissertação como o santo consegue remover a discriminação legalizada pelo governo lusitano nas Constituições de 1707.

Com método sábio, mais do que por palavras, agiu eticamente contra aquelas leis injustas e anti-evangélicas naturalizadas para justificar a escravidão.

Dentre os frutos dessa ousadia ética, está a ordenação do primeiro grupo de afro-descendentes em 19 de março de 1963 em Roma. Dia de São José. Adivinhem onde foi? Isso mesmo, bem ali na Patagônia Romana. No dia seguinte, o grupo foi recebido pelo papa São João XXIII.

Um deles, o Pe. José do Nascimento F. da Silva, 79, há mais de 30 anos trabalhando em SC lembra nos 51 anos daquela primeira missa que “foi um momento histórico para a Congregação, porque foi o primeiro grupo de padres negros. Isto estava nos planos de São Luís Orione e que seus religiosos levaram adiante, às vezes sem mesmo o perceber”.

De fato, Dom Orione quando apresentou ao arcebispo de Mariana D. Silvério Gomes Pimenta o projeto da criação de duas famílias religiosas para negros e indígenas fez com o bispo negro uma novena a São José em favor do sonho.

E animou o sonho de muitos garotos negros como o menino Nascimento: “Minha madrinha era inspetora do Colégio D. Bosco, perto de Congonhas do Campo. Ela me encaminhou para lá durante as férias. Fiquei quatro dias esperando uma resposta definitiva. Aí ela me disse: ‘Vamos procurar outro semináro’. Então alguém informou que em São Julião estava funcionando um seminário de Dom Orione. Fomos para lá. Eles foram muito rápidos em me atender. Daquela época em diante houve abertura e não tive problemas devidos à cor. No seminário maior do Rio de Janeiro, também já havia uma mentalidade aberta, era um seminário para muitas dioceses e a nossa presença negra foi bem aceita”.

A segunda lição do santo foi a sua luta pelo direito das pessoas com deficiência viverem sua vocação religiosa e sacerdotal na igreja. Uma luta ética travada contra a discriminação jurídica no Direito Canônico vigente que impedia às pessoas cegas, corcundas, sem mãos, etc de serem sacerdotes, monjas e religiosas.

No próprio Vaticano, conseguiu juntar mulheres cegas para inaugurar uma comunidade de freiras contemplativas. Uma atividade dele e do papa mantida em segredo por longo tempo até se tornar costume mostrar a inadequação daquela lei canônica.

Essa bandeira de reconhecimento de direitos às pessoas com deficiência foi fortalecida por São Luís Orione na Itália e também na vizinha Argentina onde foi exilado por três anos.

Em Claypole, fundou uma grande vila que até hoje é a menina dos olhos dos argentinos. No Brasil, seus devotos tem hasteado a mesma bandeira de luta pelo cuidado com as pessoas com deficiência em estado de abandono e de outros abandonados, em uma centena de obras no Brasil e na África.

Tive a graça de animar um grande mutirão para construir a Orionópolis Catarinense. Esse nome passou a homenagear sua memória nas obras brasileiras. É uma extensão do que fez quando em sua humildade apelidava as suas obras de Pequeno Cotolengo como homenagem a São José Benedito Cotolengo cuja obra em Turim, na Itália, chega a 8 mil leitos.

O seu nome nas obras, levam assim a nossa sociedade a hastear as mesmas bandeiras de sensibilidade com a vida de todos. Eu só pude aprofundar esse aspecto dez anos depois, na tese de doutoramento sob o título de Dom Orione Evangelizador.

Hoje, no céu e numa incontável roda de seguidores, nosso santo peregrina com seu sangue, certamente festejando conforme escreveu um dia: “Hoje tenho uma vontade louca de dançar. Haverá dança no Paraíso? Se existe música haverá dança também; quero cantar e dançar sempre. De repente o Senhor me arranjará um cantinho particular para não perturbar os mais contemplativos. Eu quero manter a alegria em todos, cantar e dançar sempre, quero ser o santo das danças, dos cantos, da alegria em Deus”.

Na festa de 51 anos do primeiro grupo de padres afro-brasileiros, no mínimo está havendo um “santo batuque no céu!”

Quanto aprendi e partilhei naquele quartiere romano típico com pessoas de todas as idades e ideologias: jovens universitários e não, cristãos com carteirinha do Partido Comunista obrigados à confissão a cada vez que quisesssem comungar, ex-simpatizantes das Brigadas Vermelhas até à grande presença de idosos próximos ao centenário que diariamente faziam do templo, seu espaço de espiritualidade e aconchego.
Agora no bairro virtual do Facebook continuamos a trocar energias de fraternidade no grupo que formamos sob o nome de L’oceano non conta (O oceano não nos separa), desde 1986.

Em PDF organizado pela gráfica Agnus, ofereço esse estudo de mestrado sob o título São Luís Orione – o santo defensor do povo negro e de outros excluídos no Brasil. Já está disponível também no youtube o vídeo de 12 min sobre o mesmo tema remix de 20 anos atrás.

É homenagem ao seu sangue que passa em reliquário nas comunidades para renovar em nossas veias o sangue do amor, justiça e solidariedade com humanos e com a natureza.

Valores nos quais o santo dá lições de sobra para nossa pós-modernidade virtual carente do virtuoso.

Professor Jaci Rocha Gonçalves

18ª Missa do cadáver na Unisul Pedra Branca

Cerimônia com mais de 150 anos de tradição em Faculdades de Medicina é realizada na Pedra Branca



Eduardo Schmidt
Estagiário Revitalizando Culturas
Supervisão: Jaci Gonçalves, Dr .

Partilha de flores dos veteranos aos calouros simboliza
 a delicadeza no cuidado essencial com a vida


Na última sexta-feira, 29 de agosto, cerca de 60 pessoas, a maioria alunos de Medicina, participaram da 18ª Missa do Cadáver, no Anatômico da Unidade Pedra Branca. A cerimônia, que tem tradição internacional de mais de 154 anos em Faculdades de Medicina, foi presidida pelo professor de ética, antropologia cultural e filosofia, Jaci Gonçalves. O tema desta edição foi ‘Valorização da vida humana’, escolhido pela segunda fase do curso de Medicina. 








Medicina biocrática
O professor Jaci chamou a atenção para a atualidade do tema, lembrou que o comércio de armamentos ainda é o mais lucrativo. “É o comércio da morte em alta. Esse tema lembra-nos que a Medicina tem vocação biocrática, porque faz a opção de se deixar inspirar e governar pelo valor da vida”, disse. Para ele, quem escolhe a Medicina, vai na contramão deste sistema de mercado internacional que sempre encontra uma desculpa para um novo bombardeio, como os do Oriente Médio em curso nestes últimos meses. “Nesta contramão, vocês alunos e professores atualizam em vossa opção a mesma escolha ética de Jesus”, acredita

                                                                                                                                                    Ao som de Tears in heaven, de Eric Clapton

Futuros médicos cantam a sensibilidade com a vida.
Todas as vidas
A cerimônia incluiu orações e canções de valorização da vida humana ao som de violão, dos acadêmicos e do professor Jaci, em clima de muita emoção. Além dos alunos, professores e técnicos, a celebração contou com a presença de pais e colaboradores da limpeza. Ao final, o professor Jaci aspergiu com água benta os cadáveres, salas de aula e todos os participantes que se deram abraços de paz. O aluno Vitor Cruz, da segunda fase de Medicina, coordenador da equipe promotora da celebração, disse que a solidariedade na profissão vai ter que correr sempre em primeiro lugar. “A vida humana terá que ser sempre muito valorizada como dissemos no tema do culto sobre a valorização da vida humana", disse Cruz.

154 anos de tradição

Prof. Jaci é aspergido pelo coordenador 
do Laboratório de Anatomia
 da Unisul Pedra Branca o prof. Heitor
O médico e coordenador do Laboratório de Anatomia, Heitor Germano do Livramento Ducker, disse que este momento é sempre de muita emoção. “Desde minha época de calouro, há 45 anos, quando ingressei na Universidade Federal de Santa Catarina”, lembra. O professor Heitor disse também que esse momento ocorre em todo início de semestre. “Nada mais é que um reconhecimento da vida. Os cadáveres são a vida da nossa Anatomia. Nós vivemos a nossa profissão graças a essas pessoas que não tiveram o seu nome, não tiveram, muitas vezes, o reconhecimento da sociedade, mas que prestam elevados serviços à nossa profissão”, avalia. Essa é uma tradição internacional com cerca de 154 anos nas faculdades de Medicina.

Aspersão com água renovando pessoas, cadáveres e ambiente

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Mada Lena Giostri, foca de jornalismo da Unisul Pedra Branca: exemplo de solidariedade

Esclarecimentos sobre o Morro dos Cavalos: a montanha sagrada Guarani














Veja em 11min o trabalho em vídeo da estudante de jornalismo Mada Lena sobre a questão da TI (Terra Indígena) Morro dos Cavalos. No vídeo você pode ver e ouvir pessoas e vozes silenciadas na sequência de reportagem Terra Contestada por um cotidiano local: a voz dos indígenas e versão das autoridades constituídas sobre a terra indígena Morro dos Cavalos. Alguns minutos de ricas informações. 

Parabéns à Mada Lena, estudante que elegeu como tema do TCC a relação da mídia regional com os guarani na Grande Florianópolis nos últimos 25 anos .

Aproveite. Está neste link:

domingo, 24 de agosto de 2014


Caminhada SOMOS TODOS GUARANI
 em 11min de vídeo



É o vídeo da jornalista Elaine Tavares sobre a caminhada de desagravo em Florianópolis, SC neste 22 de agosto de 2014.

Exemplo de jornalismo biocrático. Aquele que se deixa governar e pautar pela utopia factível de uma comunicação da dignidade concreta da vida qualitativa para TODOS os povos e para todos os seres.

Divulgue. 

É o movimento social nas Redes Sociais. Por uma humanidade ética, isto é, mais justa, menos desigual e mantendo a riqueza das diferenças.

É o virtuoso no virtual.





sexta-feira, 22 de agosto de 2014

"Somos Todos Guarani!"




Siamo tutti guarani! 

Somos todos guarani. 



Siamo tutti con il popolo guarani che fanno la giornata in

questa mattina per rivendicare l'omologazione di un pezzeto 

di terra comunitaria. 


Il sole (kuaray) oggi è splendido nell' Isola a Florianópolis. 


I guarani con le organizzazione sociali caminano verso la 

Casa Legislativa! Preghiamo! 

Guardate l'intervista ieri di Mada Lena in questo link:

 https://www.youtube.com/watch?v=0AUNkVhTFuI&app=desktop


Pequenas migalhas para a sobrevivência de um povo

"A terra não nos pertence, nós pertencemos a esta terra.!!!" 


Foto: Marianna Kutassy


Manhã atlântica na região de Floripa com o Kuaray (sol)

 radiante.

Povos guarani, kaingang, laklaño, quilombolas, estudantes, 

grupos de comunidades organizadas estão saindo do bar 

Koxixos na Beira-mar em caminhada. 


Pedem respeito pela homologação das Terras Indígenas 

em SC - pequenas migalhas para a sua sobrevivência em 

propriedade comum, escriturada e cuidada pela União. 

Índio não pode ter propriedade particular, só comunitária. 

Pequeno pedaço como o Morro dos Cavalos, sagrado para 

seu povo. 

Voltem a cuidar de nossas florestas, porque já desmatamos 


demais.




Ensinai-nos a pertença digna e respeitosa da terra, povo 

guarani!


SOMOS TODOS GUARANI


Foto: Marianna Kutassy

Guerreiro guarani mirim na caminhada 

SOMOS TODOS GUARANI em Floripa. 



É 22 de 8 de 2014. Observe a matemática:


 22 (2 +2=4 (terra)

08 (2x4=8 (2x terra)

2014 

(2+1=3 (céu, família divina trinitária)

 + 4 (terra)= 7. 


Então, 

dá-lhe mistura do divino no humano, de terra com

céu. Como os 7 sacramentos, etc.








SÍMBOLOS MILENARES



Fotos: Marianna Kutassy   



A procissão leva símbolos

milenares guarani 

pintados nos corpos dos

participantes. Iguais aos

encontrados nas cerâmicas 

rituais da Enseada de Brito 

recentemente. 















A Beira-mar de Floripa: 

um Peabiru (Caminho Sagrado Guarani). 




Foto: Marianna Kutassy

 Tambores da África ecoam e inspiram as danças

 sagradas anunciando a festa da justiça com os 

guerreiros da paz guarani. 


A Beira-mar de Floripa se torna um Peabiru (Caminho 

Sagrado Guarani). A caminhada é até a casa de leis e 

representantes políticos de SC. 

Várias organizações comunitárias (Quilombolas, Sem Teto,

Estudantes, Ambiente) se unem pela homologação das 

Terras  Indígenas Mínimas com indenizações justas

a quem de direito. 


Fotos: Marianna Kutassy


Passeata chega à Praça Tancredo Neves, na Assembléia Legislativa de SC.