sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O VII UniDiversidade vai acontecer em novembro de 2014 (2)

Prepare-se para o evento curtindo as sequências de MEMÓRIA VIVA (2) de 2013 que o Revitalizando Culturas preparou para você.


Oficina Processo de Aquecimento Solar

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O Projeto Processo de Aquecimeto Solar, do Curso de Engenharia Ambiental, foi orientado pela prof. Dra. Ana Regina Dutra. Foi um importante momento de troca de Know-how no VI UniDiversidade do grupo de pesquisa e programa de extensão Revitalizando Culturas da Unisul - Pedra Branca.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O VII UniDiversidade vai acontecer em novembro de 2014

 Prepare-se para o evento curtindo as sequências de MEMÓRIA VIVA (1) de 2013 que o Revitalizando Culturas preparou para você.



Arte em Grafite no Lixo Zero

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As artistas de naturologia Eliza Makray e Marli de Oliveira deram um tratamento estético pela Arte em Grafite ao Depósito de Resíduos da Unisul Pedra Branca.
Foi um momento de profunda espiritualidade no VI UniDiversidade.


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Jaci agradece os parabéns de amig@s! Il grazzie di Jaci.

Segue o "muito obrigado" de Jaci a todos pelos parabéns na forma de 54" de música no vídeo.


Cari amici,
ricevete il mio grazzie a voi per i ricordi dei 65 anni di età. 54" di messaggio audiovisivo.

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Duas Lições de São Luís Orione

Conheci a história e obras de são João Luís Orione em 1961, com 12 anos de idade, em Siderópolis, região de colonização italiana do sul de Santa Catarina.

Tive a graça de levá-lo como meus temas às academias internacionais de mestrado e doutorado na Pontifícia Universidade Urbaniana de Roma em 1986 e 1996, respectivamente.

A área foi de Missiologia que versa sobre evangelização e culturas que a igreja católica tem nesta faculdade desde 1622, há 392 anos.

Da residência ao lado do Coliseu, fui transferido para vivenciar e trabalhar com a cultura local na paróquia de Ognissanti (Todos os Santos), oferecida a Dom Orione pelo papa Pio X, em 25 de março de 1908.
Na ocasião, o papa lhe disse que ao seu pedido de trabalhar na América do Sul oferecia o convite para evangelizar naquela “Patagônia Romana”, em referência às terras geladas do sul da Argentina.

Tenho duas lições aprendidas com este santo atípico nas minhas buscas como padre brasileiro nas duas vezes em que fui estudar em Roma.

A primeira lição foi tirar a limpo o seu protagonismo como defensor da cidadania do povo negro na igreja do Brasil após a abolição da escravatura em 1888 e a separação igreja/estado em 1891, dois anos após a Proclamação da República.

Pude, então, ver e analisar os manuscritos das cartas trocadas pelo santo durante 27 anos com Silvério Gomes Pimenta, o único arcebispo negro da história do Brasil colonial e republicano porque afilhado de crisma do servo de Deus, o bispo Dom Viçoso em Mariana (MG) que lhe empregara como porteiro do seminário para custear os estudos.

Silvério tornou-se famoso como participante da Academia Brasileira de Letras e como secretário do I Concílio Latino-americano em Roma em 1899. “Niger, sed sapiens! (Negro, porém, sábio!)” diziam discriminadamente sobre o arcebispo negro.

Em 1921, o santo finalmente vem ao Brasil e à Argentina, após ter enviado missionários desde dezembro de 1914, há 101 anos.

Com Silvério, ele inaugura no Brasil o primeiro seminário e noviciado para vocações de homens e mulheres negras em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Por essa causa, Luís Orione sofre vexames, constragimentos e perseguições inclusive por autoridades da própria igreja.

Descrevi em detalhes na dissertação como o santo consegue remover a discriminação legalizada pelo governo lusitano nas Constituições de 1707.

Com método sábio, mais do que por palavras, agiu eticamente contra aquelas leis injustas e anti-evangélicas naturalizadas para justificar a escravidão.

Dentre os frutos dessa ousadia ética, está a ordenação do primeiro grupo de afro-descendentes em 19 de março de 1963 em Roma. Dia de São José. Adivinhem onde foi? Isso mesmo, bem ali na Patagônia Romana. No dia seguinte, o grupo foi recebido pelo papa São João XXIII.

Um deles, o Pe. José do Nascimento F. da Silva, 79, há mais de 30 anos trabalhando em SC lembra nos 51 anos daquela primeira missa que “foi um momento histórico para a Congregação, porque foi o primeiro grupo de padres negros. Isto estava nos planos de São Luís Orione e que seus religiosos levaram adiante, às vezes sem mesmo o perceber”.

De fato, Dom Orione quando apresentou ao arcebispo de Mariana D. Silvério Gomes Pimenta o projeto da criação de duas famílias religiosas para negros e indígenas fez com o bispo negro uma novena a São José em favor do sonho.

E animou o sonho de muitos garotos negros como o menino Nascimento: “Minha madrinha era inspetora do Colégio D. Bosco, perto de Congonhas do Campo. Ela me encaminhou para lá durante as férias. Fiquei quatro dias esperando uma resposta definitiva. Aí ela me disse: ‘Vamos procurar outro semináro’. Então alguém informou que em São Julião estava funcionando um seminário de Dom Orione. Fomos para lá. Eles foram muito rápidos em me atender. Daquela época em diante houve abertura e não tive problemas devidos à cor. No seminário maior do Rio de Janeiro, também já havia uma mentalidade aberta, era um seminário para muitas dioceses e a nossa presença negra foi bem aceita”.

A segunda lição do santo foi a sua luta pelo direito das pessoas com deficiência viverem sua vocação religiosa e sacerdotal na igreja. Uma luta ética travada contra a discriminação jurídica no Direito Canônico vigente que impedia às pessoas cegas, corcundas, sem mãos, etc de serem sacerdotes, monjas e religiosas.

No próprio Vaticano, conseguiu juntar mulheres cegas para inaugurar uma comunidade de freiras contemplativas. Uma atividade dele e do papa mantida em segredo por longo tempo até se tornar costume mostrar a inadequação daquela lei canônica.

Essa bandeira de reconhecimento de direitos às pessoas com deficiência foi fortalecida por São Luís Orione na Itália e também na vizinha Argentina onde foi exilado por três anos.

Em Claypole, fundou uma grande vila que até hoje é a menina dos olhos dos argentinos. No Brasil, seus devotos tem hasteado a mesma bandeira de luta pelo cuidado com as pessoas com deficiência em estado de abandono e de outros abandonados, em uma centena de obras no Brasil e na África.

Tive a graça de animar um grande mutirão para construir a Orionópolis Catarinense. Esse nome passou a homenagear sua memória nas obras brasileiras. É uma extensão do que fez quando em sua humildade apelidava as suas obras de Pequeno Cotolengo como homenagem a São José Benedito Cotolengo cuja obra em Turim, na Itália, chega a 8 mil leitos.

O seu nome nas obras, levam assim a nossa sociedade a hastear as mesmas bandeiras de sensibilidade com a vida de todos. Eu só pude aprofundar esse aspecto dez anos depois, na tese de doutoramento sob o título de Dom Orione Evangelizador.

Hoje, no céu e numa incontável roda de seguidores, nosso santo peregrina com seu sangue, certamente festejando conforme escreveu um dia: “Hoje tenho uma vontade louca de dançar. Haverá dança no Paraíso? Se existe música haverá dança também; quero cantar e dançar sempre. De repente o Senhor me arranjará um cantinho particular para não perturbar os mais contemplativos. Eu quero manter a alegria em todos, cantar e dançar sempre, quero ser o santo das danças, dos cantos, da alegria em Deus”.

Na festa de 51 anos do primeiro grupo de padres afro-brasileiros, no mínimo está havendo um “santo batuque no céu!”

Quanto aprendi e partilhei naquele quartiere romano típico com pessoas de todas as idades e ideologias: jovens universitários e não, cristãos com carteirinha do Partido Comunista obrigados à confissão a cada vez que quisesssem comungar, ex-simpatizantes das Brigadas Vermelhas até à grande presença de idosos próximos ao centenário que diariamente faziam do templo, seu espaço de espiritualidade e aconchego.
Agora no bairro virtual do Facebook continuamos a trocar energias de fraternidade no grupo que formamos sob o nome de L’oceano non conta (O oceano não nos separa), desde 1986.

Em PDF organizado pela gráfica Agnus, ofereço esse estudo de mestrado sob o título São Luís Orione – o santo defensor do povo negro e de outros excluídos no Brasil. Já está disponível também no youtube o vídeo de 12 min sobre o mesmo tema remix de 20 anos atrás.

É homenagem ao seu sangue que passa em reliquário nas comunidades para renovar em nossas veias o sangue do amor, justiça e solidariedade com humanos e com a natureza.

Valores nos quais o santo dá lições de sobra para nossa pós-modernidade virtual carente do virtuoso.

Professor Jaci Rocha Gonçalves

18ª Missa do cadáver na Unisul Pedra Branca

Cerimônia com mais de 150 anos de tradição em Faculdades de Medicina é realizada na Pedra Branca



Eduardo Schmidt
Estagiário Revitalizando Culturas
Supervisão: Jaci Gonçalves, Dr .

Partilha de flores dos veteranos aos calouros simboliza
 a delicadeza no cuidado essencial com a vida


Na última sexta-feira, 29 de agosto, cerca de 60 pessoas, a maioria alunos de Medicina, participaram da 18ª Missa do Cadáver, no Anatômico da Unidade Pedra Branca. A cerimônia, que tem tradição internacional de mais de 154 anos em Faculdades de Medicina, foi presidida pelo professor de ética, antropologia cultural e filosofia, Jaci Gonçalves. O tema desta edição foi ‘Valorização da vida humana’, escolhido pela segunda fase do curso de Medicina. 








Medicina biocrática
O professor Jaci chamou a atenção para a atualidade do tema, lembrou que o comércio de armamentos ainda é o mais lucrativo. “É o comércio da morte em alta. Esse tema lembra-nos que a Medicina tem vocação biocrática, porque faz a opção de se deixar inspirar e governar pelo valor da vida”, disse. Para ele, quem escolhe a Medicina, vai na contramão deste sistema de mercado internacional que sempre encontra uma desculpa para um novo bombardeio, como os do Oriente Médio em curso nestes últimos meses. “Nesta contramão, vocês alunos e professores atualizam em vossa opção a mesma escolha ética de Jesus”, acredita

                                                                                                                                                    Ao som de Tears in heaven, de Eric Clapton

Futuros médicos cantam a sensibilidade com a vida.
Todas as vidas
A cerimônia incluiu orações e canções de valorização da vida humana ao som de violão, dos acadêmicos e do professor Jaci, em clima de muita emoção. Além dos alunos, professores e técnicos, a celebração contou com a presença de pais e colaboradores da limpeza. Ao final, o professor Jaci aspergiu com água benta os cadáveres, salas de aula e todos os participantes que se deram abraços de paz. O aluno Vitor Cruz, da segunda fase de Medicina, coordenador da equipe promotora da celebração, disse que a solidariedade na profissão vai ter que correr sempre em primeiro lugar. “A vida humana terá que ser sempre muito valorizada como dissemos no tema do culto sobre a valorização da vida humana", disse Cruz.

154 anos de tradição

Prof. Jaci é aspergido pelo coordenador 
do Laboratório de Anatomia
 da Unisul Pedra Branca o prof. Heitor
O médico e coordenador do Laboratório de Anatomia, Heitor Germano do Livramento Ducker, disse que este momento é sempre de muita emoção. “Desde minha época de calouro, há 45 anos, quando ingressei na Universidade Federal de Santa Catarina”, lembra. O professor Heitor disse também que esse momento ocorre em todo início de semestre. “Nada mais é que um reconhecimento da vida. Os cadáveres são a vida da nossa Anatomia. Nós vivemos a nossa profissão graças a essas pessoas que não tiveram o seu nome, não tiveram, muitas vezes, o reconhecimento da sociedade, mas que prestam elevados serviços à nossa profissão”, avalia. Essa é uma tradição internacional com cerca de 154 anos nas faculdades de Medicina.

Aspersão com água renovando pessoas, cadáveres e ambiente