segunda-feira, 6 de julho de 2015

Pedra Branca e a Espiritualidade da Montanha II

Artigo publicado no Jornal Cotidiano Pedra Branca - Junho/2015 - Edição 03


Pedra Branca e a Espiritualidade da Montanha II

Aquele repórter sexagenário, que mora com sua família na Pedra Branca, insistiu perguntando: Essa missa na Pedra Branca ela tinha um motivo especial ou simplesmente foi uma continuação do trabalho que você já fazia no Paraná? Provavelmente os dois motivos, respondi.
Na verdade, eu regressava após três anos de mestrados em Roma e tive a graça de voltar para meu estado após 27 anos como missionário fora de Santa Catarina. Assumi a paróquia de São João Batista e Santa Luzia, que inclui os bairros Capoeiras, Chico Mendes, Abraão, Bom Abrigo e Itaguaçu, em 31 de janeiro de 1987, substituindo o guerreiro e incansável padre Maneca, que hoje me substitui na direção da Orionópolis Catarinense.
Formamos uma equipe servidora que promoveu um grande mutirão de levantamento da realidade na qual trabalharíamos nas décadas seguintes - uma sociometria sobre esses dados do mutirão ajudou nosso planejamento pastoral. Saltou aos olhos a percepção de existência de uma juventude exuberante, sedenta de sentidos de vida e de sonhos por um mundo mais justo.
Propusemos a eles escalarmos aquela montanha do Anhangava, lá do Paraná, fazendo um retiro itinerante. Lotamos dois ônibus. Participamos da subida difícil, que exige entre-ajuda, superação de medos e tomada de decisão. No caminho de volta fizemos a inesquecível viagem de trem, que desce de Piraquara até Paranaguá e que também provoca efeitos benéficos surpreendentes.

Foram eles que se encarregaram de sugerir para setembro do mesmo ano de 1987 a celebração da primeira missa da primavera no Morro da Pedra Branca. Provoco aqui o velho repórter a entrevistar alguns desses jovens que também moram no bairro Pedra Branca e que de vez em quando eu reencontro pelo campus da Unisul.
Expliquei, finalmente ao repórter, que ELA tornou-se para mim também um motivo muito especial: a Pedra Branca passou a ser uma nova referência sacramental duradoura em minha vida (como padre em Capoeiras, nas férias na casa dos meus pais no Saco Grande, na fundação da Orionópolis Catarinense, e na reopção como marido, pai e professor nos últimos 20 anos na Unisul).
A firmeza e fortaleza da Montanha têm sido fonte de reequilíbrio para mim, que posso trabalhar aos seus pés. A espiritualidade da montanha na forma de Pedra Branca é um fascínio à parte que também tem inspirado o cotidiano de gerações. Se você quiser desfrutar por antecipação o restante da resposta ao velho repórter, assista ao documentário ELA, sobre a Pedra Branca, no link:
https://www.youtube.com/watch?v=jDDOLiK44nw 

Jaci Rocha Gonçalves é Padre, Doutor em Teologia, Filósofo, estudou comunicação no Vaticano e é professor da Unisul.