quinta-feira, 29 de outubro de 2015

No dia 28 de outubro de 2015 ocorreu o primeiro dia do evento ReciclAr-te 5º Desafio Lixo Zero, promovido pelo Revitalizando Culturas na Unisul Pedra Branca. Este vídeo contém alguns momentos do Grupo Maracatu Tamboritá gravados pelo nosso amigo e professor Roberto Svolenski. 

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Grande alegria no Revitalizando Culturas: o doutorado da cineasta negra Cleuza Soares

Grande alegria no Revitalizando Culturas: o doutorado da cineasta negra Cleuza Soares


O coordenador do grupo de pesquisa, ensino e extensão Revitalizando Culturas - Prof Jaci Rocha Gonçalves se emociona pela participação da banca de doutorado de Cleuza Maria Soares.



Um momento de grande alegria no Revitalizando Culturas foi a participação do Professor Doutor Jaci Rocha Gonçalves na comissão examinadora para a qualificação de doutorado da cineasta e filósofa Cleuza Maria Soares com a proposta do tema Negra Soy! Negra Sim! Estética Decolonial no Cinema Nacional Contemporâneo no CCE da UFSC, sob a presidência de Claudia Junqueira de Lima Costa a banca formada pela Drª Susan Aparecida de Oliveira e o Dr. Jaci Rocha Gonçalves. Na área de Literatura, há alguns dias.


Jaci disse ainda que Cleuza Maria Soares é dessas mulheres guerreiras porque mãe de família, operária e ativista comunitária. Elas se dedicam a negar as negações sobre o seu povo negro que mora nos morros, onde ela também reside. Negra, ela tem enfrentado a temática já na sua conclusão da faculdade de Cinema e Audiovisual na UNISUL com o conhecido vídeo documentário Semeadura sobre a questão da política de inclusão e as cotas.


Desta vez mais do que fazer negações, Cleuza aponta caminhos de afirmação da riqueza das negritudes do Brasil a serviço de um novo momento por um Brasil mais ético porque menos desigual. “O convite de Cleuza me fez recordar todo um percurso de acadêmicos negros que têm freqüentado aqui a UNISUL Pedra Branca e que têm voltado para o meio de seu povo resolvidos a refazer histórias. São pessoas cujo diploma faz brotar um Brasil mais justo e mais responsável”, conta o professor Jaci.


Da esquerda para a direita, Professor Doutor Jaci Rocha Gonçalves, Doutoranda Cleuza Maria Soares e Prof Drª de Claudia Junqueira de Lima Costa

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Espiritualidades no timing da vida


Espiritualidades no timing da vida

Outubro: Anjos, Franciscos, Terezas, Crianças e Aparecida

Escrito por: Jaci Rocha Gonçalves

Na bancada da TV, durante debate sobre o Projeto de Lei 6583/13, estavam: à minha esquerda,umaparticipante laicistaque reclamava da imposição de conceito minimalista sobre família feita por alguns partidos de maioria evangélica ultraconservadora; À direita, um bispo evangélico que classificava as posições do Papa Francisco como comunistas. O jornalista moderador da emissora era de religião judaica e perguntava pelas saídas para o Estatuto da Família diante de tantos fundamentalismos com base religiosa.

No primeiro bloco ponderei que o Congresso perdera uma grande chance de dar voz e consultademocrática ao povo. Lembrei que o Papa Francisco deu exemplo de democracia,fazendo consulta em todas as comunidades católicas sobre o tema da família hoje.Nosso diálogo no debate não foi tranquilo. Voltei pra casa com o sabor de conversa incompleta.

Lembrei-me, então, das espiritualidades cristãs própriasdos meses de outubro. E começo com as lembranças de Tereza, jovem santa que morreu aos 24 anos de idade, tornando-se padroeira das missões inclusivas. Ela vivia sob o lema “muitos falam de Deus aos homens, nós falamos dos homens a Deus!”. Nunca saiu do claustro, mas vivia em sintonia plena adotando a inclusão da humanidade em sua reza com o Divino.

No dia 03, o mês de outubro nos brinda com os Santos Anjos, devoção não apenas de católicos, mas também dos que descendem da Mama África e dos povos originários. Quem esquece o “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador...”?

Tereza e os Anjos são duas devoções, heranças de nossos ancestrais, que só completam o ciclo com o santo homenageado do dia 4 de outubro: São Francisco de Assis.

O jovem todo desprendido da Praça Central de Assis, sem roupa, sem grana, sem fama, sem sobrenome, se embrenha na floresta adotando nova família com um único sobrenome: ser vivo! Parente das aves e árvores, do sol e da lua, dos animais da terra e das águas. Dentre os humanos, elegeu como íntimos os ditos leprosos, aqueles que viviam excluídos fora dos muros de sua cidade.

Os amores de sua aliada, Clara de Assis, e de seus amigos que buscavam novos e profundos sentidos, remexeu aos poucos as estruturas sociais pesadas e encardidas pelo contexto de ambição e desigualdade. Ele mais pareceu uma versão de Cristo medieval para remoçar a vida das crianças de seu tempo e de nossos tempos - crianças com a autoridade dada pelo povo Guarani(bem antes dos tempos de São Francisco): “são nossas educadoras, porque são mensageiras de Nhanderu, nosso Pai”.


Nosso povo criou-lhe o apelido carinhoso de Chico. Foi um ser humano inspirador, sem fronteiras religiosas e ideológicas. Mas as espiritualidades dos outubros têm muita riqueza a explorar de outros Franciscosinspirados na Aparecida pescada nas tarrafas e perturbadora de estruturas escravocratas. Depois do debate, pensei muito mais. Mas fica pra próxima coluna amigos!

Preparação para o ENEM indígena

Preparação para o ENEM indígena

Alunos da UNISUL contribuem para preparação dos Guarani para o Enem 2015.

Por: Natalia Santos de Pinho

Nesta quinta feira, 15 de outubro de 2015, dia dos professores, a extensionista do Revitalizando Culturas - UNISUL e mediadora cultural, Rafaela Iwassaki juntamente a dois voluntários do curso de Naturologia, Iuri Rocha e Bruna Roggeri, foram até a Aldeia Itaty no Morro dos Cavalos em Palhoça para encontrar com jovens Guarani que estão se preparando para o ENEM deste ano. Na semana anterior, foram dois alunos do curso de Direito que se voluntariaram: Marcos Vinicius e Guilherme Duarte de Souza - atual presidente do DCE.
Esta atividade só foi possível graças à colaboração da diretora da Escola Indígena Itaty - Elizabete e do coordenador do grupo de pesquisa, ensino e extensão Revitalizando Culturas - Prof Jaci Rocha Gonçalves.
No primeiro encontro, Rafaela, Guilherme e Marcos contribuíram com conhecimentos de matemática. No segundo encontro, a aula foi a respeito de questões práticas da prova e de como fazer uma redação dissertativa-argumentativa. Foram distribuídas instruções sobre o dia da prova e também um material sobre redação, com 10 dos prováveis temas para a redação do ENEM 2015. Alguns destes temas foram discutidos em sala e os guaranis que escolheram um deles para escrever uma redação que foi trabalhada no mesmo dia.
Depois da aula, que durou cerca de 3 horas, Rafaela conta que se sentiu muito feliz por ter tido a oportunidade de contribuir para essa preparação dos indígenas. “Eu achei que eles ficaram felizes e motivados a fazer a prova”, conta ela.


Da esquerda para a direita: Iuri Rocha, diretora Elizabete, Rafaela Iwassaki e Bruna Roggeri


Da esquerda para a direita: Marcos Vinicius, Rafaela Iwassaki e Guilherme Duarte de Souza


Marcos Vinicius e a índia Fabrícia

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Palestra Arqueologia dos saberes e fazeres Mbyá-Guarani

Na 9ª Primavera dos Museus ocorrida no Museu Histórico de São José o palestrante da noite do dia 25 de setembro de 2015 foi o Professor Dr. Jaci Rocha Gonçalves, do Revitalizando Culturas da UNISUL.
Por: Natalia Santos de Pinho

O professor Jaci Rocha Gonçalves foi convidado pela Secretaria da Cultura de São José para ser o palestrante sobre o tema “Museus e Memórias Indígenas”. Jaci foi o primeiro nome lembrado por ser referência no assunto, juntamente com o projeto Revitalizando Culturas e com a ajuda da mediadora cultural, a estudante de naturologia Rafaela Iwassaki.
A noite foi iniciada com a palestra do professor sobre a cultura indígena guarani e contou com a participação de alunos, professores e organizadores do EJA – Educação de Jovens e Adultos. Os alunos estavam especialmente animados já que iniciavam a retomada dos estudos. Houve uma grande interação comunitária, todos se mostraram ansiosos em aprender preenchendo cada espaço vazio com perguntas.
Natal Dias Araújo, coordenador do EJA da Escola Municipal de Forquilhinhas, disse que “com frequência nos dedicamos a estudar os povos do outro lado do oceano e esquecemos os nossos povos originários brasileiros”.
Houve momentos emocionantes como o contato com os livros de autoria indígena e suas fotos com pinturas corporais. Como dito pelo professor Jaci, “antes os brancos que falavam aos índios, agora são eles que falam aos brancos e mostram muitos saberes inéditos”. Esta noite foi especial para os indígenas, os alunos do EJA e todos os outros presentes. Foi importante para conhecermos a cultura dos nossos povos originários e também descobrir nossa essência.


Revitalizando Culturas faz exposição

Exposição do projeto Mediações Culturais do Grupo de Pesquisa e Extensão Revitalizando Culturas da UNISUL, da Escola Indígena e aldeia Itaty do Morro dos Cavalos na 9ª Primavera dos Museus. A exposição no Museu Histórico de São José iniciou-se no dia 25 de setembro de 2015 e se encerra no dia 11 de outubro de 2015.
Por: Natalia Santos de Pinho
Com o tema de Arqueologia dos saberes e fazeres Mbyá Guarani foi produzida uma exposição com o trabalho etno-fotográfico, “Um olhar indígena sobre o cotidiano” da aldeia Itaty, composto por fotos feitas pelos próprios guaranis. Também contou com outros arquivos do acervo do Revitalizando Culturas, entre eles estão filmes sobre os guaranis, cd e livros de autoria dos próprios guaranis. O programa Revitalizando Culturas há 18 anos na UNISUL estimula o protagonismo dos indígenas.
A exposição foi inaugurada com a participação de alunos e professores do EJA – Educação de Jovens e Adultos do município de São José, alunos da UNISUL e presenças da comunidade, junto das autoridades responsáveis pela cultura.
O professor Jaci lembrou na Praça de São José da chegada dos açorianos em 1748 e o Tratado de Madri no ano de 1750,  que teve violenta ação contra os povos originários do nosso país. Foi quando Espanha e Portugal se uniram contra os 900 povos originários.  “Quando o Diretório de 1755 proibiu de falar a língua inter-étnicaTupi-guarani foi uma violência de alma desses povos. Os nomes, símbolos, ritos, crenças, tudo em que os povos acreditavam foi proibido. Foi um tiro mortal na cultura para então prevalecer apenas a língua portuguesa” comentou o professor.
No evento nacional da 9ª Primavera dos Museus e a exposição se unem aos esforços de reparação às violações de direitos culturais dos povos originários e de aprendizado tardio de seus fazeres e saberes essenciais para quem quer ser feliz vivendo nos trópicos. Um cenário sempre mais diferente daquele ocorrido em 1750.