segunda-feira, 30 de novembro de 2015

A vida de reciclagem de Marinho

Escrito por: Natalia Santos de Pinho

Marinho Gonçalves tem 76 anos, nasceu e cresceu em Laguna. Já foi professor de artes, pescador, cozinheiro e estilista. Foi nessas profissões que foi aprendendo desde cedo a importância da reciclagem. Aprendeu que dava para fazer arte com o que as pessoas colocavam no lixo. Marinho apareceu na última noite do 5º Desafio Lixo Zero e foi uma surpresa que tornou o 8º UniDiversidade ainda mais especial. Sua participação ocorreu na montagem de um ambiente ao ar livre com Ecoesculturas artísticas feitas de materiais recicláveis.
Quando ainda era pescador aproveitava tudo do peixe e foi neste momento que aprendeu que tudo tinha uma utilidade, nada era lixo. Quando era criança e ia para a escola, ficava imaginando como poderia ser o futuro do Brasil se ia de pés descalços assistir o que a professora tinha a ensinar.
Chefe de cozinha, aprendeu como funciona o reaproveitamento. Recicla frutas, vegetais, fazendo chás. Com a banana, por exemplo, faz esculturas e, posteriormente, seca a casca antes de jogá-la no lixo para não apodrecer (sistema de secagem). Com folhas e caules faz sopa, tudo é aproveitado. A folha de cenoura, por exemplo, substitui o tempero. “Hoje sinto que faço pela natureza e faço tudo de graça”.
Consegue fazer também esse processo de reutilização com animais mortos. Faz a recuperação cozinhando-os, come aqueles que são comestíveis e os que não são joga no lixo, mas como os animais foram cozidos antes não irão apodrecer nem fazer mal ao meio ambiente. Com a galinha, por exemplo, reaproveita o bico, as penas e faz esculturas.

Reaproveita garrafa pet, vidro, artesanato, revista, jornal, papel machê, tronco de árvores. Bambu se transforma em gaiola ou instrumento. Como estilista, sabe reaproveitar também os retalhos. Marinho recicla tudo e, por isso, foi convidado pela Unisul a dar cursos sobre reciclagem.

Luz e anunciação. É chegado o Natal com a reciclagem

Marinho apareceu no último dia do 5º Desafio Lixo Zero como uma surpresa que tornou o 8º UniDiversidade ainda mais especial


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Terÿ Marae-y: voz guarani nas escolas de SC

Espiritualidades no timing da vida

Escrito por: Jaci Rocha Gonçalves
 
Às 18h da quinta-feira, 19 de novembro de 2015, no 8º UniDiversidade junto à Passarela Verde da Unisul Pedra Branca, os instrumentos tradicionais do coral Kuaraí Ouá (Renascer do sol) dos guarani-mbyá da aldeia Marangatu (Terra da paz) de Imaruí (SC) vão sustentar suas músicas mântricas e as danças do CD Terÿ Marae-y (Nome sagrado). O CD compõe o kit  Diálogos Culturais a ser entregue a todas as escolas de Santa Catarina e, cuja exposição, se encontra no MIS/MASC do CIC nessa novembrada.

Gravado em 2002 sob a força da Unisul, Orionópolis Catarinense e FCC, lá se vão 13 anos desta obra de arte com autoria plena dos guarani. São 13 composições de Inácio da Silva Werá Mirim. “Após semanas na floresta da Serra do Tabuleiro, Namandu me ensinou estas músicas!”, disse-nos ele, ao entregar as composições.

Foram gravados três CDs no arco de 10 anos trazendo curiosas revelações deste povo de perfil sereno, alegre e resistente. No CD, crianças e jovens guarani partilham valores, memória de seus ancestrais e resgatam ideais que o tempo não mata: o maior deles – recuperar territórios sagrados como em Palhoça, o Morro Sagrado de seus ancestrais, conhecido como Morro dos Cavalos.

Na música, rezam, cantam e dançam na língua guarani: "Oreruvixá Xepe Tiaraju Nhandeyvy re rejejuka / Nhandeyvy re rejejuka ore katu ndera / Ky kuere rojae ó vyro porai rojae ó vyro / Pi ore torovy ndera ky kue ru / Pi ore torovy a."Nosso chefe Sepé Tiaraju / Você foi morto injustamente pela defesa da nossa terra sagrada / Nós hoje cantamos a todos sem distinção e choramos em silêncio / Sua morte seguramente não foi em vão / Depois da sua morte houve um grande silêncio por toda a terra / Nosso povo ficou  triste / Mas também muito feliz / Porque o seu sangue inocente, nosso irmão, banhou a terra / A sua coragem nos traz força e esperança neste nosso canto sagrado."

A terceira curiosidade é que, após o registro pelo ECAD na Biblioteca Nacional, com partitura e todos os requisitos, veio a notícia de que é o primeiro registro de músicas em guarani desde a proibição do uso da língua Nheenkatu há 250 anos.

Espiritualidade em cada verso, som, instrumentos, pinturas corporais e figurinos, Terÿ Marae-y, foi escolhido pelo MIS/MASC para repassar aos nossos filhos em todas as escolas catarinenses as sabedorias plurimilenares guarani com sua autoridade direta.


Palhoça, cujo  nome mistura palha + oca (casa de palha em guarani), possui ricas memórias deste povo sagrado pelos nomes de seus morros, florestas, animais e rios. É o município catarinense com mais aldeias guarani de SC. E terá lucidez suficiente para resolver com respeito e dignidade os conflitos de terra, sem deixar-se levar por grupos nacionais de ganância que incentivam o ódio e a discriminação. Rezemos com o coral Kuaray Ouá na passarela verde da Unisul Pedra Branca.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

PROGRAMAÇÃO 8º UniDiversidade


PROGRAMAÇÃO COMPLETA:


DIA 18, quarta-feira
19:30h – Evento UNISUL/EAD: 5ª Amostra Cultural – Direitos humanos e relações etno-raciais nas comunidades. Sorteio e premiação dos melhores trabalhos dos Estudos Socioculturais dos Pólos da EAD.
Local: Estúdio Multimídia – EAD – campus Pedra Branca
Exposição presencial da Amostra Cultural em todos os pólos do Brasil.
DIA 19, quinta-feira
14h Coleta de resíduos pela PRO-CREP na Passarela Verde da UNISUL/Pedra Branca.
18h - Evento: Jovens Guarani e a educação cultural em SC.
Apresentações de danças sagradas pelo Coral Kuaray Ouá da aldeia guarani de Marangatu (Imaruí-SC).
Local: Passarela Verde - Palco Hipermídia, Bloco C.
19h  Roda de Conversa: Autoridades Guarani, UNISUL e Museus MIS/MASC.
Homenagem dos Djuruá (não-índios) aos guarani: coral Kuaray Ouá e ao compositor Inácio Vherá Mirim.
Entrega do Kit Pedagógico-cultural “Diálogos MIS-MASC” para as escolas indígenas e bibliotecas UNISUL com inclusão do CD Tery Marae-y (Nome sagrado).
Entrega de cestas básicas às aldeias guarani. (Doadores voluntários podem deixar na Sala dos docentes).
Coleta de assinaturas contra a PEC 2015.
DIA 20, sexta-feira.
18h – Oficina de Tranças e apresentação do Coral Imigrantes Haitianos
Local: Passarela Verde – Palco Hipermídia, bloco C.
19h – Roda de conversa com Haitianos de Palhoça.
Curiosidades da cultura haitiana. Dificuldades e propostas para bem viver no Brasil.
20:30h Momento musical e homenagem com o diploma ReconheciNegro.
Local: Sala 121 – Bloco B.

ReciclAr-te 5º Desafio Lixo Zero

ReciclAr-te 5º Desafio Lixo Zero
5ª edição do evento que conscientiza os universitários sobre os seus resíduos sólidos, promovido pelo Revitalizando Culturas.           

Escrito por: Natalia Santos de Pinho

Nos dias 28 e 29 de outubro de 2015 ocorreu o evento RecliclAr-te 5º Desafio Lixo Zero, na Unisul campus Pedra Branca. O evento foi promovido e organizado pelo projeto Revitalizando Culturas com o Prof Jaci Rocha Gonçalves. Participaram os cursos de engenharia ambiental e sanitária, naturologia, comunicação social, UNAs, departamentos vários da Unisul e empresariado local.
O evento promoveu a conscientização sobre coleta de resíduos através de atividades de teatro, videofórum, palestras e oficinas. A abertura do primeiro dia do evento foi com Palco Livre no Restaurante Universitário juntamente com o lançamento do canECO, canecas de plástico e de barro produzidas pela Escola de Oleiros de São José (SC). Essas canecas foram lançadas com o intuito ecológico de serem sempre reutilizadas substituindo copinhos plásticos.
No mesmo dia ocorreu a criação da Árvore Denunci-anunciativa onde os alunos puderam escrever recados e pendurá-los na árvore. Também a realização de uma Feira Livre onde puderam trocar, doar e vender roupas e objetos que não são mais usados. Um dos momentos mais especiais foi a apresentação do Grupo Maracatu Tamboritá, a maioria alunos e egressos de naturologia do campus. Chamando a atenção de todos que estavam presentes. Outro momento importante foi a reunião para a construção da Liga Sócio-Ambiental da Unisul Pedra Branca.

No segundo dia os participantes foram convidados a levarem seus resíduos sólidos e óleo de cozinha para doação a famílias recicladoras da PRO-CREP no bairro da Pinheira. Dois trabalhadores estiveram presentes para representar o projeto e explicar o funcionamento para os universitários. No mesmo dia ocorreram intervenções artísticas, exibição de curtas e oficina de Contato & Improvisação. 

Alunas da naturologia ajudando na organização e criação dos recados para a árvore Denunci-anunciativa.

Oração com todos os participantes do ReclicAr-te 5º Desafio Lixo Zero.

Universitários pendurando seus recados na árvore Denunci-anunciativa.

Cantores no Palco Livre do Restaurante Universitário.

Grupo de Maracatu Tamboritá. 

CanECO de plástico e de barro para a conscientização  e não utilização dos copos plásticos.

             Interação artística no Restaurante Universitário.

Reunião com os trabalhadores da PRO-CREP e coordenação da engenharia sanitária e ambiental.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Unisul participa da tomada de posse dos conselheiros e suplentes do Conselho Municipal de Políticas da Cultura

Unisul participa da tomada de posse dos conselheiros e suplentes do Conselho Municipal de Políticas da Cultura
O Prof Jaci Rocha Gonçalves participou como representante da Unisul nesta terça feira, 20 de outubro de 2015 do evento que ocorreu na Prefeitura de Palhoça.

Escrito por: Natalia Santos de Pinho


Estavam presentes no evento autoridades da Fundação Municipal de Cultura, como José Virgilio Junior secretário municipal de cultura e esportes. O diretor de cultura, Ricardo Porto que também é músico. O representante da Unisul, Prof Jaci Rocha Gonçalves. O coordenador do centro esportivo Caranguejão, Maicon. Também contou com a presença dos artistas Teresinha Costa, Tatiane e Takashi Severo, que é dramaturgo dos Bruxos da Corte. Também estavam presentes presidente do Conselho Municipal de Políticas de Cultura Ademir Bussolo e o prefeito municipal, Camilo Martins.

O Prof Jaci representando a Unisul lembrou que esse conselho possui uma grandeza ética já que trabalha com a cultura que é responsável por gerar um dos espaços de sentido na vida de um povo e ao mesmo tempo cultiva sua justa dignidade cultivando o Ethos próprio do Palhocense, o seu jeito próprio de ser.

O prefeito Camilo disse que a situação para chegar aonde já chegou não foi fácil, mas que existe uma série de parceiros que estão dispostos a enfrentar esse grande desafio que é trabalhar com a cultura. O prefeito lembrou que foi através de um trabalho cultural passando de bairro em bairro se tornou conhecido nas comunidades. Fez uma listagem completa da parceira e da força que tem recebido da Unisul, e agora contando mais uma vez com a presença da Unisul para criar um grande projeto cultural para o município de Palhoça.


Takashi valorizou o centro esportivo CÉU localizado no bairro Jardim Eldorado, valorizou assim a importância do conselho de cultura e lembrou que a lei municipal de cultura é ainda recente. Infelizmente a Palhoça ainda não tem a valorização adequada de seus artistas, a própria população se desconhece. Com essa criação do Conselho Palhoça está em busca da sua própria identidade.

Fotos por: Danilo Garcia











Espiritualidades no timing da vida

Espiritualidades no timing da vida

Francisco: Um papa SSD, sem papas na língua

Escrito por: Jaci Rocha Gonçalves

Espiritualidades no timing da vida é nosso novo pré-título da crônica quinzenal porque significa o tempo não medido pelos relógios, calendários e cronômetros. É como o kairós dos egípcios e gregos prá indicar o tempo oportuno, como quando a colheita dos frutos está no ponto e as pessoas sentem momentos marcantes na vida. Como no reencontro-surpresa de uma pessoa amiga, mesmo no Face, que reduz 50 anos na sensação de tê-la visto ontem à noite. Tenho experimentado muito isso, graças ao virtuoso no virtual; são encontros de espiritualidade terapêutica porque refazem sentidos de viver e de conviver, nos sacodem e nos acordam da mesmice do cotidiano.

É o caso de pessoas como o papa Francisco com seu efeito-surpresa regenerador de valores esquecidos até por pessoas com rótulos religiosos (como o colega debatedor religioso que o criticava como popstar - caçador de fama e glamour - um “comunista” disfarçado em amor aos pobres). Pena que o fez no minuto final do debate. Em tempo de escassez de lideranças autênticas deve ser mesmo desconcertante para os pessimistas, mesmo sob títulos de religiosos, serem surpreendidos por uma autoridade espiritual que se diz “aquele que vem do fim do mundo”,  que pede a bênção e preces a seu povo; que distingue a pessoa de seus estereótipos como “separada”; “divorciado”; “gay”; “imigrante”; “favelado”; “índio”, etc.

Após o debate, reli o que disse Francisco nos 50 min de entrevista à queima roupa na viagem de retorno de Cuba e EUA. Sobre o sucesso: “Não sei se tive sucesso ou não. Mas tenho medo de mim mesmo, porque me sinto sempre – não sei bem como dizer – fraco, no sentido de não ter poder; É importante se, com o poder, consegues fazer algum bem. E Jesus definiu assim o poder: o verdadeiro poder é servir, prestar serviço, fazer os serviços mais humildes. E eu tenho ainda de avançar por este caminho do serviço, porque sinto que não faço tudo o que devo fazer”.

A última jornalista lhe diz: “É bom para a Igreja que o Papa seja uma estrela, uma star?” Francisco foi gentil, mas também direto: “Sabes qual era o título que usavam os Papas, e que se deve usar? “Servo dos servos de Deus (SSD)”. É um pouco diferente de estrela! As estrelas são bonitas quando as olhamos; eu gosto de olhar para elas, quando o céu está sereno no verão... Mas o Papa deve ser – deve ser! – o servo dos servos de Deus. Sim, na mídia, usa-se o termo “star”; mas há outra verdade: quantas “star” vimos nós, que depois se apagam e caem... É uma coisa passageira. Pelo contrário, ser servo dos servos de Deus (SSD), isto é belo! Não passa. Não sei que mais dizer. É assim que eu penso.”


E com firmeza serena de avô espiritual da humanidade, Francisco faz coisas simples, mas inéditas, como canonizar o casal Luís e Maria Zélia, pais de Santa Terezinha. É sábio como nosso povo ao curtir a Festa de Todos os Santos e Finados; mostra aí sábia rebeldia que garante a dignidade dos que convivem na  rotina sagrada de nosso vai-e-vem cotidiano.