quarta-feira, 27 de abril de 2016

O Centro Cultural de Formação Tataendy Rupá

Adão Karaí Tataendy Antunes
"Cada povo tem a sua própria história, cada um conta do seu jeito. A nossa história Guarani, além de escrita com lápis ou caneta está registrada na natureza e nos nossos costumes culturais. Cada povo tem um jeito de olhar para as coisas. Nós, Guarani, temos o nosso jeito"
Apresentação do livro "Palavras do Xeramõi", de autoria do falecido Adão Karaí Tataendy Antunes, o idealizador do centro cultural que leva seu nome, afim de manter vivo e concretizar os sonhos de seu povo
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sábado, 23 de abril de 2016

Espiritualidade no timing da vida, Espiritualidades e democracia participativa

 Jaci Rocha Gonçalves*

Car@s leitor@s. Arrisquei dizer em janeiro que 2016 exigia muita espiritualidade. Pura verdade. Nos fins de abril, o inesperado me convidou para participar no programa SBT e Você, sobre espiritualidade e política, no dia de Tiradentes. Com sabedoria, a jornalista Marja Nunes me pergunta sobre o que de novidade os livros de história não contam sobre ele e os Inconfidentes e sobre sua relação com nosso hoje político turbulento.
Fiz três observações. Na primeira, lembrei que a espiritualidade libertadora do século 18 foi mais ampla. No arco de 100 anos, foram assassinados três líderes. Aos 45 anos, o líder negro Zumbi dos Palmares teve o corpo esquartejado após traição de seu companheiro Antonio Soares, em 1695. Destruiu-se, assim, 100 anos de luta no Quilombo pela dignidade dos povos de etnia negra, a maioria forçada a sair da África.
Vinte anos depois, em 1717, a imagem negra de Nossa Senhora Aparecida foi pescada no rio Paraíba como aliada na mesma luta pela dignidade escravos e brancos pobres e com apenas 25 anos, São Sepé Tiaraju, líder guarani dos Sete Povos das Missões também é assassinado pela união oportunista dos exércitos arquiinimigos de Espanha e Portugal contra os indefesos povos originários, em 1756 nas terras gaúchas. 
Observei, então, que os Inconfidentes fecham esse arco secular de 1695-1792 de líderes mártires e degredados devido às lutas pela dignidade da vida de todos que habitam nosso chão. Desta vez pela libertação de brancos pobres, indígenas e negros escravizados na Capitania de Minas Gerais. Tiradentes é filho de portugueses. O menino Joaquim José de Vila Rica ficou órfão aos 12 anos, trabalhou como mineiro, farmacêutico, dentista e militar.
Seus amigos formam uma equipe multidisciplinar: sacerdotes, comerciantes, literatos, poetas, políticos e juízes. Todos sonham um Brasil com a recém-nascida democracia gestada e resumida nos ideais da liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa de 1789. Mesmo ano em que os Inconfidentes foram presos após a traição de Joaquim Silvério dos Reis sob promessa de regalias, cargos e anistia de dívidas.  Tiradentes, com 45 anos, é enforcado três anos depois, em 1792. Seus companheiros deportados para a África. Todos pagaram o alto preço da Espiritualidade ética na política.
Na terceira observação, a jornalista mesma ligou essas lutas por democracia com nosso momento histórico. Eu lembrei que a nossa esperança reside nas crianças, jovens e adultos que vivem a democracia participativa nas organizações populares de vizinhança: grupos de igreja, catequese de adolescentes e jovens, pastorais, conselhos de saúde, associação de moradores, de pais e professores, sindicatos, partidos políticos, vida universitária, etc. Porque é nesses topoi (lugares) que a utopia factível da democracia participativa cultiva suas sementes.
Ao final do programa, festejamos cinco coincidências com a Unisul Pedra Branca: Marja Nunes, a apresentadora, Alexandre Beck, escritor de Armandinho 7, Pedro Kuhnen, o repórter; Evelyn Yara dos Santos, na mesa de produção e o sociólogo e mestre em jornalismo Fernando Evangelista, assessor de imprensa da Barca dos Livros Biblioteca. Tod@s estudaram conosco na Unisul.
Senti neles, mais uma vez, a força das sementes e que a verdade do viver é como uma olimpíada difícil, por isso mesmo, fascinante. É como escreve o servo de Deus Hélder Câmara quando diz que o “deserto é fértil!” Verdade assinada também pela espiritualidade das mães em maio.   
Então, amig@s, vamu q vamu.
*Padre Casado, Doutor em Teologia, Filósofo,
estudou comunicação no Vaticano e é professor da Unisul.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Qual é o significado da mata para @ Guarani?

Na terça-feira, 12 de abril de 2016, o projeto de extensão Mediações Culturais do grupo Revitalizando Culturas levou alun@s da UNISUL à Aldeia Itaty para uma vivência muito especial com @s guarani e o pessoal do Instituto Çarakura.
A vivência proposta de fazer uma trilha e compartilhar o significado das plantas para @s guarani fez parte da programação da 11ª Semana Cultural Indígena – Mbyá Yvyrupa Reko, que começou no dia 11 de abril e acabará no dia 18, com a homenagem ao Xeramõi Adão Karai.
Início da trilha do Morro dos Ancestrais:
guaranis, çarakuras e acadêmicos da UNISUL





















Aula bilíngüe – guarani-português no Morro dos Ancestrais

            @s kyringue (crianças) acompanharam o professor guarani  João Batista Gonçalves  para aprender - em guarani - o significado tradicional sobre as plantas, enquanto a professora Eunice Kerexu Yxapiry fazia a tradução em português, contando também algumas das histórias tradicionais para os juruá (não-índios). Os representantes do Instituto Çarakura contribuíram com muitas informações científicas ou sobre o uso popular das plantas na região. 
Eunice Kerexu Yxapiry e João Batista Gonçalves
Estudantes de Naturologia da Unisul

            O objetivo final da caminhada era a grande árvore sagrada AGUAÍ, cujos frutos são comestíveis e as sementes usadas em artesanatos. A árvore é uma marca dos territórios guarani. Como muitas plantas,  a AGUAÍ tem seu significado que remonta a uma história narrada pelo casal de professores guarani.






O mito de AGUAÍ.
Em busca da semente de Aguaí


Tudo começou quando a mãe do Sol e do Lua deixou de existir. Então, o Sol, como irmão mais velho cuidava do Lua, criando árvores frutíferas – como a jabuticaba - e alimentando seu irmão com o suco destas frutinhas. O Lua era bagunceiro e teimoso. Certa vez, o Sol foi atravessar um rio e seu irmão mais novo, bagunceiro, não o seguiu e perdeu o barco. Ficaram, daí em diante, separados por um rio. Onde ia o Sol, o Lua ia também, só que na outra margem do rio. Então, o irmão mais velho resolveu criar a AGUAÍ e instruiu O Lua desta maneira: asse os frutinhos, mas não jogue a semente no fogo. O Lua, teimoso, certo dia estava comendo AGUAÍ assado e jogou a semente no fogo. Bum! Aconteceu uma grande explosão e o Lua, despercebidamente foi parar na outra margem do rio, junto ao seu irmão! O Sol, sabendo de tudo, criou esta planta com este propósito de unir novamente os dois. A frutinha é amarela e redonda, a semente é no formato de meia lua.
Semente encontrada por Kerexu
            Em conversa com Eunice Kerexu. Andréia do Instituto Çarakura comenta que “as pessoas que estão numa busca, procuram ter uma visão espiritual das plantas, mas para o guarani não, isso é inerente. Nós fazemos um esforço para perceber a conexão; a gente vê o Aguaí como uma madeira boa que dá pra fazer um barco, etc. Para vocês tem outro porquê como aquela outra planta, a Mamica de Cadela que você falou lá embaixo.... Tem um por quê, porque que com ela se faz um petynguá (cachimbo). Então essa forma linda de contar - de que ela se relaciona com o sol, se relaciona com a lua, é uma visão mais holística mesmo. E uma planta está muito relacionada com a outra. Dá um significado para existência e uma conexão entre as coisas.”
Acadêmicos da Unisul e do Instituto Carakura

             Observamos que este significado profundo, holístico está presente nos estudos sobre mitos de grupos étnicos de Lévi-Strauss: “Para Lévi-Strauss, o mito parte do mundo dos sentidos: ‘o mundo que se vê, que se saboreia’. Esta forma de apreender a realidade foi a que a ciência teria tornado um tanto quanto obsoleta. Tal posicionamento se firmaria na premissa de que: “o mundo sensorial é um mundo ilusório, ao passo que o mundo real seria um mundo de propriedades matemáticas que só podem ser descobertas pelo intelecto e que estão em contradição total com o testemunho dos sentidos.” (LÉVI-STRAUSS, 1978, p. 15) O mito e o rito, escreve Lévi-Strauss, não são simples lendas fabulosas, mas uma organização da realidade a partir da experiência sensível enquanto tal”. (João Paulo Aprígio Moreira)

            Com estas reflexões encerramos o momento de partilha de saberes, contato com a mãe Terra e muitas risadas. Não poderia ser diferente: onde tem kyringue tem muita alegria!
Juruás agradecidos e Árvore de Aguaí

Por: Rafaela Iwassaki, extensionista do projeto Mediações Culturais
Grupo de Ensino, Pesquisa e Extensão, Revitalizando Culturas

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Espiritualidades no timing da vida. Abril: Laura e mártires pela cidadania.

Jaci Rocha Gonçalves*

Car@ leitor@, o nome dela é Laura, do latim aurum = ouro, metal precioso. É mãe, vó e bisavó. Sua espiritualidade produz cidadania. Gira pela vizinhança todos os dias, há muitos anos, como cuidadora voluntária: faz serviços indispensáveis como dar banho nos acamados, chá de ervas, provê lar para pessoas com deficiência severa como os que encaminhou à Orionópolis Catarinense nos inícios da década de 1990.

Há cerca de vinte anos, Laura é Ministra da Eucaristia na Igreja Católica, voluntária que leva Jesus Cristo na forma de palavra amiga e de hóstia consagrada aos enfermos de sua comunidade.  Outro dia me avisou que o papa Francisco respondeu sua cartinha. No final de uma missa de domingo cantamos os parabéns pelos seus 79 anos. Um detalhe: disseram que ela se aposentara como Ministra da Eucaristia.

Mas parece que ela não ouviu direito e continua como Madre Tereza da vizinhança, acreditando que seu nome de batismo é como um mapa para seu viver: ver nas pessoas a “Laurice” de cada uma, quero dizer, sua dignidade de ouro vivo, de pérola preciosa do divino no humano. Laura talvez não saiba, mas sua presença é uma ameaça real contra cidadãos corruptos no trato das pessoas desde funcionári@s públicos de sua comunidade próxima (sejam juízes, parlamentares, executivos) até aos que manipulam consciências nos serviços de mídia, também concedidos temporariamente pelo povo.
Não vejo contradição em listar a bisa Laura com mártires e indignados éticos de abril. Em 1792, Tiradentes, seus amigos e sua filha Joaquina atualizam no Brasil os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa; os da Revolução dos Cravos de abril de 1975 que liberaram os países africanos do jugo português ou São Sepé Tiaraju, jovem líder guarani dos Sete Povos das Missões, martirizado em 1756.

O abril indígena precisa ouvir os gemidos de milhões de mártires assassinados desde a gestão do Governador Geral Mem de Sá quando expôs numa praia fluminense quilômetros de cadáveres do povo Tamoyo como forma pedagógica de dominação ou os martírios da gestão catarinense quando pagava aos bugreiros pelas orelhas dos indígenas assassinados até os 8 mil indígenas pela gestão da ditadura militar conforme a Comissão Nacional da Verdade. 

Mas a esperança não decepciona e os jovens descendentes de São Sepé sopram as brasas sob as cinzas dos tempos nas aldeias guarani de Palhoça, do litoral catarinense e com outros povos originários em inúmeros cantos do Brasil. Vizinhas de Laura e com a mesma determinação ética de Laura,  as mães guarani mantém acesa a chama da dignidade em seus filhos e dão o tom de sua cidadania Homo Serviens na aldeia Itaty ao inaugurar neste abril o Centro Cultural Tataendy Rupá, homenagem ao sábio Xeramõi Adão Karaí Tataendy Antunes cujo enterro descrevi numa de nossas crônicas, lembra-se?

As Lauras, os Tataendy Rupa, os guarani organizados resistem a um mundo corrupto não apenas na manifestação de ruas, indo ao Congresso Nacional, à Assembléia Legislativa mas produzindo cidadania ativa em si mesmos e nos espaços do cotidiano: casa, escola, posto de saúde, igreja, trabalho e festa. Desconfiam de messias salvadores da pátria e insistem repetir em si o jeito de ser Homo  Serviens como Jesus naquele abril distante quando decidiu se deixar moer com o trigo da hóstia partilhada pela Laura à sua vizinhança. 

*Padre Casado, Doutor em Teologia, Filósofo,
estudou comunicação no Vaticano e é professor da Unisul.

Texto publicado originalmente em
 Jornal Cotidiano, Edição 20, Abril de 2016.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Especial 11ª Semana Cultural Indígena

Agradecemos,  

Ao Orionópolis representado pelo Padre Manoel, ao Laércio do Supermercado Hippo, Ricardo do Rosa Supermercado. Que ajudaram a aldeia com alimentos, afim de receber os parentes que vem de outras aldeias de SC e de todo MERCOSUL, na celebração do Mbya Yvyrupa Reko, da festa na comunidade Itáty.

Voluntário Mbyá e Carlos, representante do Cacique Teófilo.
Foto: Elieser Werá

Representante Rosa Supermercados
Foto: Eliezer Werá 

Representante Mbyá, Carlos, Prof. Jaci Rocha, Kerexu Yxapiry
Foto: Eliezer Werá 

Adriano, representante do Orionópolis
Foto: Elieser Werá

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Programação Mbyá Yvyrupa Reko - 11ª Semana Cultural - Sistema Territorial Guarani

Nesta semana (11 à 18 de abril) está acontecendo a 11ª Semana Cultural Indígena: MBYA YVYRUPA REKO (Territorialidade Mbyá-guarani), dessa vez com uma novidade: todos os eventos ocorrem na aldeia e no Centro Cultural de Formação Tataendy Rupa. É mais um capítulo de alegria desses 18 anos de interação sistemática da Unisul com os povos originários de Santa Catarina: Kaingang, Laklanhõ (Xokleng) e Guarani.


sexta-feira, 8 de abril de 2016

11 Semanas Culturais, Milênios de História

Na próxima semana (11 à 18 de abril) acontece a 11ª Semana Cultural Indígena: MBYA YVYRUPA REKO (Territorialidade Mbyá-guarani), dessa vez com uma novidade: todos os eventos ocorrerão na e Centro Cultural de Formação Tataendy Rupa. É mais um capítulo de alegria desses 18 anos de interação sistemática da Unisul com os povos originários de Santa Catarina: Kaingang, Laklanhõ (Xokleng) e Guarani.

É um momento forte no processo de endoculturação e os interessados vão encontrar lá oficina de artesanato, pinturas corporais, jogos guarani, danças rituais, comidas típicas e palestras. Nesta Semana Cultural específica com os Guarani Mbyá da aldeia Itaty, a Unisul exercita a aculturação (intercâmbio cultural) com os remanescentes dessa rica cultura ainda ameaçada de extermínio, estimulando à participação dos alunos, docentes, colaboradores e amigos.  

No dia 18, como encerramento do evento e início de uma nova era, será feita a inauguração do Centro de Formação Tataendy Rupá (Berço das estrelas brilhantes), e terá como convidado especial o professor Dr. Jaci Rocha Gonçalves, do Revitalizando Culturas da Unisul.

Abril tem visto há várias décadas o emponderamento indígena. Os povos originários  têm mostrado sua união  e organização para fazer valer seus direitos: direitos à educação, à terra, aos usos e costumes. Afirma também sua auto-estima como povo que tem importância e riquezas a oferecer no concerto das nações.

Segundo o prof. Jaci, há urgência nas reparações com esses povos: “Tudo o que o mundo hoje faz no apoio a esses povos, criando até mesmo um contexto de reparação, é um atraso tão grande quanto a dívida que temos de destruição do ambiente.”


E conclui: “A criação do Centro Cultural de Formação Tataendy Rupá pode significar a abertura de uma nova era endocultural e multicultural para os guarani, onde todos nós poderemos desfrutar de conhecimentos milenares úteis e até indispensáveis para bem viver e conviver nos trópicos.”  

A programação completa você encontra aqui.

Os participantes receberão certificado de horas para validação das atividades complementares previstas no currículo do seu curso.
Leonardo Santos
(Estagiário Revitalizando Culturas)
Orientação: Professor Dr. Jaci Rocha Gonçalves
O Centro Cultural de Formação Tataendy Rupá
Foto: Jaci Rocha Gonçalves.


terça-feira, 5 de abril de 2016

Homo serviens: Nosso ethos de Páscoa

Ouve-se falar nas escolas do homo sapiens; homo sapiens sapiens; homo faber; homo consumens. Mas a páscoa é tempo do Homo Serviens, ou seja, o ser humano quando é PhD na espiritualidade de servir e cultivas vidas. Foi o que refletimos na CBN Diário, programa Fórum. Padre Luiz Prim e eu, convidados de Renato Igor, sob a direção de Felipe Reis, nosso egresso da Unisul. A sonoplastia de Nunes, dos grupos de jovens de Capoeiras na década de 1970.

Pelo whatsapp, um radiouvinte lembra-nos que o programa é especial porque sendo no dia 25 de março coincidia com a Festa cristã da Anunciação. Nela, se festeja o dia em que o Anjo Gabriel teve a conversa decisiva com Maria de Nazaré na periferia da Galiléia. Em resumo, o anjo repórter divino queria saber se o filho de Deus, o Messias prometido nos outdoors do Antigo Testamento, poderia ser gerado no seu jovem útero. Depois de várias perguntas, quebrando o preconceito de que mulher não podia conversar em público, muito menos com um forasteiro mesmo se dizendo anjo, Maria conclui: “Eis aqui a servidora de Deus (Homo serviens), aconteça em mim os planos de seu Amor”.

O programa do rádio foi perto das três da tarde de Sexta-feira Santa, quando se revive o rito do assassinato de Jesus com as preliminares terríveis da traição de um amigo e o abandono de seus seguidores mais íntimos. Depois, vieram as ilegalidades do Sinédrio que representava o poder religioso, o teatro de Herodes e o gesto de omissão de Pilatos lavando as mãos; por fim, o abandono afetivo do Pai a quem chamava ABBÁ, Paizão.

Jesus ficou calado ante os representantes do poder político-religioso local e discutiu a autoridade estrangeira invasora dos romanos. Quanto a seu Pai Querido, mostrou amor gritando-lhe o salmo: “Eloy! Eloy! Lamá Sabactani!” (Deus, meu socorro, porque me abandonaste?). Porque quem pergunta, é porque ainda ama. E, então, dá o máximo de um recado de Amor para além do perguntar: se oferece. Jesus oferece o Espírito Santo que o havia fecundado em Maria. “Então, Pai Querido, em tuas mãos devolvo o Espírito Santo (Ruah) para que o soltes à humanidade!”. E, dando um grande grito, morreu.

Realizou, assim, o jeito mais amoroso de ser entre todos os viventes, como aprendera com a sua mãe Homo Serviens desde a concepção. Ambos, mãe e filho, são Homo serviens – ser humano que vive enquanto troca serviços vitais! A mãe viúva, servidora do Deus da Vida. O filho Jesus escolhe, mesmo contra a vontade, ser o servidor sofredor e despojado de Javé ( Deus da Vida) mostrando coerência com sua mensagem: quem quiser ser o maior, seja o servidor.

Tal mãe, tal filho. Eles assinam o mais perfeito jeito divino no humano e o máximo do humano no divino. Feliz Páscoa não será desenvolver esse ethos de Homo Serviens. Porque Páscoa (Pessah) significa passagem do mínimo para o máximo. Páscoa no Brasil e na gente, caro leitor: em todo exercício de poder de gênero, acadêmico, político, econômico e religioso fazer valer a nossa identidade de pessoas servidoras da qualidade de vida para todos e tudo.


Jaci Rocha Gonçalves é Padre Casado, Doutor em Teologia, 
Filósofo, estudou comunicação no Vaticano e é Professor da Unisul.

Professor Jaci comenta a nova temporada da novela "Os 10 Mandamentos"

Na estréia da nova temporada da novela "Os 10 Mandamentos", o Professor Dr. Jaci Rocha Gonçalves, comenta no Jornal do Meio Dia, Florianópolis, da Ric Record SC, tece alguns comentários sobre. Exibida originalmente no dia 04-04-16, uma versão bruta pode ser conferida logo abaixo:


"Para o teólogo Jaci Rocha Gonçalves, o sucesso da novela é resultado de uma profunda aliança com Deus, que escuta e liberta os nece [...] Veja mais em: http://ndonline.com.br/florianopolis/plural/301203-na-estreia-de-os-dez-mandamentos-apresentadores-da-rictv-record-vestem-roupas-dos-personagens.html."

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Como está a situação?

6 anos após a tragédia no Haiti, como estão os haitianos na Grande Florianópolis.


Tudo começou no ano de 2010. Um terremoto no dia 12 de Janeiro daquele ano sacudiu violentamente o Haiti, em particular a capital, Porto Príncipe. Mais de 300 mil mortos na catástrofe. Até então poucos eram os haitianos no Brasil. Segundo dados do IBGE, em 2010, havia cerca de 36 pessoas de origem haitiana no país.  O Brasil, que comanda desde 2004 a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH), passou a ser um dos destinos preferenciais dos migrantes, pelo grau de dificuldade de entrada nos países de emigração tradicional.  Desde 2010, cerca de 130 mil haitianos entraram no país pelo estado do Acre. O governo da presidente Dilma Rousseff liberou aos haitianos 43.000 vistos.

Na Grande Florianópolis, habitam 12 mil Haitianos. Destes, 8000 vivem em Palhoça ou Santo Amaro. O Revitalizando Culturas tem exercido um grande papel no auxílio aos haitianos, como no caso da pequena Sofia Laila Fils, concebida no Haiti e nascida no Brasil. Na última atividade de 2015, unimos os esforços com a FMP e o Conselho Municipal para Políticas Culturais em favor do êxito do 1º Fórum de Imigrantes Haitianos realizado em Dezembro na FMP.

Danilo Garcia, Rafaela Iwassaki, Luciana Rocha, Prof. Dr. Jaci Rocha
Na terça-feira, 29 de março, o Revitalizando Culturas e a Unisul receberam a Sra. Luciana Rocha Negreiros, coordenadora do trabalho da FMP com os Haitianos, para uma tarde de trocas de experiências na Unidade Pedra Branca. Ela descreveu e refletiu sobre as ações concretas realizadas pela Faculdade Municipal de Palhoça no apoio aos irmãos de outra nação. Cursos de português e informática têm sido oferecidos e as vagas devidamente preenchidas, uma vez que esse estudo é necessário, para conseguirem bons empregos e tentar mudar uma realidade: a relação escrava de trabalho e salário. Essa é a realidade daqueles que pretendem ficar por aqui, porém, muitos estão planejando o retorno às terras natais. A FMP tem oferecido cursos de administração e gestão de turismo (tecnólogo), este que, ao ser concluído, deixa o estudante devidamente certificado e lhe permite uma pós-graduação. O turismo cresceu muito no Haiti. Após a tragédia de 2010 o povo que acabou precisando deixar para trás famílias e posses, busca agora formação acadêmica, para retornarem e juntos reerguerem a nação.

 A FMP ainda auxilia os haitianos com toda a burocracia da busca de visto de permanência, documentações para contratação pelas empresas locais e dúvidas em geral que eles possam ter sobre a vida brasileira. Na FMP, atualmente, há 100 alunos no curso de português, 60 no curso de informática e 12 na administração e gestão de turismo. Apesar das dúvidas sobre a dificuldade que poderiam ter quanto ao idioma, o desempenho é muito bom.

Luciana testemunhou que “vivendo de forma humilde e obedecendo as leis, cientes de que não estão em sua terra natal, são raros os casos de infrações por parte do povo haitiano. Muitas vezes seus salários, baixos, são divididos entre a sobrevivência e as famílias que ficaram no Haiti.”


O desafio de um novo polo

Como sugestão, Luciana deixou clara a necessidade de um outro polo prestando os mesmos serviços do outro lado da BR101, que abrange a região da Pedra Branca, Jardim Aquarius, Jardim Eldorado, Passa Vinte, dentre outros. Com os apoios da Polícia Federal, Pastoral do Imigrante, Prefeitura Municipal de Palhoça e Ministério de Relações Exteriores

Boa sorte aos irmãos haitianos e o desafio continua.


Leonardo Santos
(Estagiário Revitalizando Culturas)
Orientação: Professor Dr. Jaci Rocha Gonçalves