quinta-feira, 30 de junho de 2016

H’Aweté: União de Forças

Na tarde de 28 de junho, no auditório do bloco C do campus Pedra Branca da Unisul, autoridades guaranis e da universidade se uniram para conhecimento e partilha de carinho na “Celebração H’Aweté” (Gratidão).

No encontro, os guarani presentearam as bibliotecas da Unisul com o kit pedagógico do MIS e MASC que inclui o cd Tery Marae-y, entregues em todas as escolas públicas catarinenses.  Eles receberam livros para a Escola Itaty e o Centro de Formação Tataendy Rupá produzidos nos cursos da universidade. O Revitalizando Culturas ofertou artesanatos guarani, cartão de agradecimento e poema-lembrança da 11ª. Semana Cultural Mbya Yvyrupa Reko  compondo um kit de gratidão  para todos que colaboraram nos departamentos da Unisul.

Marcela Motta Dreschel, representante do IFSC da Pedra Branca, propôs um novo curso para ingresso dos indígenas, presentes também o Instituto Çarakura e grupos de apoio como Gilmar do Hippo Supermercados e Ricardo do Supermercados Rosa. Padre José Manuel dos Santos, Marline Rocha Gonçalves e Myriam Righetto representaram outros grupos de apoio voluntários da sociedade civil pela causa do diferente cultural.

Na oportunidade, o prof. Dr. Jaci Gonçalves fez o pré-lançamento e divulgação do 1º Congresso Internacional Revitalizando Culturas – Indigenismo, 13ª Semana Cultural Indígena, que tem como tema geral: Povos Originários: Riquezas Sustentáveis? A palavra conclusiva ficou com Kerexu Yxapyry, jovem educadora guarani e o Vice-reitor da Unisul prof. Dr. Mauri Luiz Heerdt que aprofundou o tema da gratidão como algo urgente na convivência que é ultrapassar o clichê do obrigado pela gratidão que brota do amor.

Ao fim do evento, todos unidos para o registro fotográfico

Aweté Nhanderu! (Deus nos abençoe!)


Leonardo Santos, 
estagiário de Jornalismo no Revitalizando Culturas
Coordenação: Prof Dr. Jaci Rocha Gonçalves

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Jaci Rocha Gonçalves e Kerexu Yxapyru na Record News

Entrevista com o antropólogo da Unisul Jaci Rocha Gonçalves, e com a ex-cacique Eunice Antunes (Kerexu Yxapyru), hoje orientadora pedagógica da escola indígena de ensino fundamental Itaty, na Palhoça. Tema: I Congresso Internacional Revitalizando Culturas sobre Indigenismo de 13 a 15 de setembro na Unisul Pedra Branca. 

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Voz Guarani

Jaci Rocha Gonçalves

O coordenador do Programa Revitalizando Culturas, da Unisul Pedra Branca de Palhoça (SC), Jaci Rocha Gonçalves, doutor em teologia e culturas e Kerexu Yxapyry, orientadora pedagógica e recém formada pelo curso de Licenciatura Intercultural Indígena da Mata Atlântica na UFSC foram os entrevistados de Maria Odete Olsen no programa de referência há 17 anos no  Educação e Cidadania da RecordNews.

O programa vai ao ar nesta quinta-feira, 23 de junho de 2016 às 18h com reprise no domingo, 26 de junho de 2016 às 11h.  Prof. Jaci Gonçalves lembra que o Programa Unisul/Revitalizando Culturas completa 19 anos de ações continuadas com os povos originários, em especial os guarani testemunhando, portanto, a fidelidade de apoio a essa causa nos 20 anos da Unisul na Grande Florianópolis. O programa estimula e facilita docentes e estudantes na interação adequada com as aldeias e os guarani vêm partilhar saberes nos campi de Floripa e do entorno de Tubarão. São 13 Semanas Culturais na Pedra Branca.

O coordenador mostra que o fruto dessa rica experiência multicultural é sua divulgação mundial no I Congresso Internacional Revitalizando Culturas sobre Indigenismo que será nos dias 13, 14 e 15 de setembro tendo como local a Unisul Pedra Branca presencial e a distância e o último dia com todos os congressistas na aldeia Itaty no Centro de Formação Tataendy Rupá.

Prof  Jaci Rocha afirmou sua felicidade pelo trabalho de 25 anos com os guarani e alegre por acompanhar a Educadora e ex-cacique Kerexu Yxapiry num momento de avanços na educação indígena e, ao mesmo tempo, de recuos e temores com massacres como os de Mato Grosso do Sul.

A âncora do programa educação e Cidadania, Maria Odete Olsen, se mostrou emocionada ao entrevistar uma autoridade feminina guarani pela primeira vez em sua atividade jornalística. O papo rolou sobre a forma peculiar de educação nas escolas indígenas. Kerexu explicou em ótimo português sobre o valor e as dificuldades que temos em implantar a educação diferenciada nas escolas indígenas, deixando exemplos concretos de superações que acontecem com freqüência.

Kerexu Yxapiry, Maria Odete Olsen e o Professor Jaci Rocha Gonçalves

Jaci e Kerexu foram interrogados sobre os massacres aos povos originários recentes em nosso país. A guarani explicou que o guarani do Mato Grosso não age como quem ataca com armas, apenas resiste até morrer na defesa da terra sagrada a quem tratam de mãe. Segundo Jaci, a esperança hoje é, porém, mais forte do que quando começou a apoiar essa causa em 1971 e agora há 25 anos com os guarani. Essa esperança é mais forte porque há uma organização forte, silenciosa e respeitosa das organizações dos 180 povos indígenas restantes ainda no Brasil. 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Espiritualidade no timing da vida: Clamor ecológico em Palhoça

Jaci Rocha Gonçalves

Você e eu temos a graça de viver nesse pedaço ecologicamente privilegiado do universo, chamado Palhoça (palha + oca= casa de palha). É nessa vibe  de junho socioambiental de 2016 que partilho com você a sintonia com duas vozes de engenheiros comunicando clamor pelo cuidado com o ecossistema palhocense.

A primeira voz foi de engenheiros escritores. João Carlos Mosiman, engenheiro civil aposentado, faz uma pesquisa online na Universidade de Salamanca sobre os relatos dos espanhóis nos encontros com o povo guarani desde 1515 até 1580 na Barra Sul da Ilha e nos vales e embocaduras dos rios do Sul da Palhoça: Maciambu e Madre. O engenheiro comenta no livro Porto dos Patos que a fama de paraíso natural reconhecida por surfistas e turistas de hoje é bem antiga.   

De fato, dentre as melhores praias do mundo está a da Guarda do Embaú: nela dialogam o Rio da Madre, quando na foz se esconde do oceano pelo istmo de areia para, de surpresa, desembocar frente a frente direto nas ondas do Atlântico.

Além de listar a exuberância de alimentos na flora e fauna de nosso município naquele período colonial, o engenheiro curioso observa também o testemunho do guarani como povo visceralmente solidário e que acolhe e cuida dos naufragados. Esse povo cujos descendentes ainda lutam pacificamente na justiça há mais de 20 anos pela devolução de uma nesga de floresta junto ao Morro dos Cavalos, um dos morros sagrados dos seus ancestrais no Vale do Maciambu ao lado do Morro da Enseada, do Cambirela e Pedra Branca.

Fotografo: Danilo Garcia. Foto tirada no Vale da Utopia em Palhoça - SC


Outra voz de escritor sobre as belezas socioambientais de Palhoça é do velho sábio José Daniel da Silva, engenheiro sanitário e ambiental, quando revela que na foz do Rio Cubatão, e não sob a Ponte Hercílio Luz, é que se equilibram as energias das correntes marítimas das baías Norte e Sul; aí se delimita o fim da estrutura de manguezal no hemisfério Sul pelo fenômeno do tombo da maré. Essas forças energéticas estabeleceram água doce, gerando, nos últimos 100 mil anos, o mangue da Palhoça conhecido como o maior mangue urbano do mundo.

Essas mundialidades da beleza natural palhocense e do jeito de ser solidário do povo originário guarani ou carijó  estão suplicando cuidados urgentes tanto na esfera sociocultural como ambiental. A outra voz é também de engenheiros. Desta vez engenheiros e engenheiras professores da Unisul Pedra Branca. Das várias engenharias: civil, química, sanitário-ambiental que unidos à naturologia estão reunindo forças, esforços e produtos frutos da inovação da juventude universitária diante deste clamor ecossistêmico palhocense. Essa roda de estudiosos querem internacionalizar o Desafio Zera Lixo num movimento da Palhoça para  o mundo. No meio da conversa, um dos engenheiros sugeriu que esse congresso fosse batizado como Congresso Sustentabilis est. Senti que ficamos encharcados com alegria e esperança. Vamu q vamu!

Texto Publicado Originalmente em
Blog Revitalizando Culturas 
16/06/2016

Um Novo Quadro, Um Rosto Reconhecido (ATUALIZADA COM VÍDEO)

O professor da Unisul e teólogo culturalista  Jaci Rocha Gonçalves, foi entrevistado hoje (15-06) para uma das primeiras apresentações do novo quadro que a RBS TV, afiliada na Rede Globo em SC, inseriu ao Jornal do Almoço.

Na estréia do “JA Explica” que foi ao ar hoje, o assunto-foco foi em torno dos problemas que decorrem na humanidade baseados no não saber aceitar o diferente, seja essa diferença pessoal, cultural, de gênero e outras.

No debate que sempre se faz necessário, ganhando ainda mais evidência após o ocorrido na cidade de Orlando, Flórida (EUA),  Jaci levantou dúvidas sobre a quantas está o termômetro da intolerância que, se acirrada, torna-se prato cheio para fundamentalistas políticos, religiosos e ideológicos. Também falou sobre a questão histórica da violência, herança sobretudo dos povos acima da linha do Equador, especialmente das terras anglo-saxônicas.  Um histórico de guerras e dominação do diferente, que os livros escolares insistem em retratar como nossa herança maior.

Mas Jaci fala com firmeza ao dizer que mesmo assim, a maior parte da humanidade está salvando a vida do semelhante. Há povos acolhedores, sobre quais necessitamos conhecer mais, ir ao encontro, e podem nos ajudar no aprendizado de  uma convivência biocrática.

Andrey, Edsoul e Jaci Rocha nos bastidores da entrevista


Leonardo dos Santos, estagiário de Jornalismo no Revitalizando Culturas

Coordenação: Prof Dr. Jaci Rocha Gonçalves

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Espiritualidades no timing da vida

Um São João diferente em 2016

Jaci Rocha Gonçalves*

Caro leitor, a tocha acesa na chama olímpica está acendendo também a chama de nossa esperança na olimpíada de um Brasil mais justo e amoroso? Porque a esperança não é a última que morre, mas é a primeira que nasce. A esperança sustenta a fé e dá leveza para a caridade. Lembro do mantra de São Paulo: “A esperança não decepciona!”, o qual mantive em folhas de recados para animar a saúde integral das comunidades por mais de 30 anos.

Nossas espiritualidades com mantras como esse podem garantir fôlego suficiente para seguir exigindo um modo de ser país que respeite e anime a vida do povo. E optando por escolhas de governanças que tenham foco, sim, no cuidado de todos, mas dando preferência pelo cuidado com a vida dos mais pobres. Caso contrário, os céus não aguentam e criam formas mais ousadas de nos alertar. Junho registra para da coletânea dessas ousadias dos céus nas festas dos Antônios, Pedros e, sobretudo, dos Joãos com seus fogos, fogueiras e pinhões.

O São João das fogueiras, além de batizador, teve esse nome que significava sua missão de anunciador de esperanças em tempos difíceis: voz que clama no deserto cultivando os caminhos do amor, custe o que custar. Talvez por essa autoridade que se deu de enfrentar o difícil – talvez seja, por isso, o segundo nome masculino mais comum no Brasil após José, segundo o IBGE.
Mas junho lembra também a festa do primeiro indígena feito santo na igreja católica. Em dezembro de 2002, por Jõao Paulo II, 554 anos após sua morte, em 1548. É São Cuauhtlatoatzin, nome que na língua nahualt, falada pela confederação maio-asteca no México, quer dizer “águia que fala ou alguém que grita como águia”. Talvez por ser essa águia falante, acrescentou Juan (João) Diego.

São Juan Diego Cuauhtlatoatzin
Aos 47 anos, São Juan Diego Cuauhtlatoatzin tem diálogos com Nossa Senhora de Guadalupe nas aparições de dezembro de 1531. O rosto da santa não é espanhol, nem indígena, mas mestiço, de uma jovem com seus 16 anos. Em 1531 não havia jovens mestiças dessa idade. Parece que La Morenita, apelido carinhoso que lhe dão os mexicanos, estava tentando impedir a carnificina em curso feita pela invasão espanhola. Mas não teve jeito: houve um etnocidio de 14.221.835 indígenas em apenas 36 anos.

Há muitas perguntas não respondidas sobre Cuauhtlatoatzin e a imagem da jovem mestiça estampada em seu manto (tima) que tem dado o que pesquisar aos cientistas da atualidade. Para nossos tempos de junho, com manifestações desde 2013, o único indígena reconhecido santo pode reavivar nos corações jovens a certeza de que a Mãe de Jesus é uma aliada e plantonista expert na esperança de construir saídas para situações caóticas.

Lá em Tepeyac, onde ela apareceu, até as flores nasceram em lugar impossível. Mas a esperança que não decepciona é aquela do amor inclusivo, com preferência pelos excluídos e indefesos. Os gritos juninos nas avenidas precisam ecoar na prática insistente e pedagógica de programas sociais solidários e participativos na olimpíada por um Brasil mais justo e amoroso. Vamu q vamu!

*Padre Casado, Doutor em Teologia, Filósofo, estudou
Comunicação no Vaticano e é Professor da Unisul.

Publicado Originalmente em Jornal Cotidiano Pedra Branca

Em 01 de Junho de 2016