domingo, 18 de dezembro de 2016

Jaci sobre as corrupções do Dia a Dia

Na última quinta feira 15-12-16, o professor Dr. Jaci Rocha Gonçalves falou sobre as pequenas corrupções do dia a dia, no Programa "Olhares" da Band. A entrevista você confere no vídeo abaixo a partir de 16:45min.


terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Espiritualidade no timing do cotidiano

FACE-TO-FACE COM O MENINO JESUS

Jaci Rocha Gonçalves*

Car@ amig@ leitor/a. É Natal: niver de Jesus. Partilho um pequeno poema com sabor de reza e mimo espiritual. A intenção é renovar nosso fôlego utópico nos votos de Feliz 2017.

Escrevi o poema porque hoje é sábado que coincide com o 68º niver da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 10 de dezembro de 1948.  O poema foi para o niver no Face de um dos poucos afilhados de crisma que reencontrei na internet e me pareceu assustado com nosso futuro. Ele está beirando a idade dos 55 e, pelo Face, voltei a exercitar com ele o face-to-face, o olhos-nos-olhos e o velho poder de fazer Raio X da alma com quem reencontramos.

Meu afilhado morava lá em Sampa, no velho Bixiga, quarteirão famoso da Escola de Samba Vai-Vai, há poucas quadras da Av. Paulista, palco freqüente de exercícios democráticos na continuidade da luta pelos direitos de nossa jovem e assustada cidadania. Ali, na Paulista, bem perto da Aquiropita, pequena igreja que escolhi para ser ordenado sacerdote em julho de 1975.

Na Paulista, Wall Street brasileira, é onde se reúnem as suntuosas towers do centro financeiro dos maiores Bancos como catedrais de arquitetura imponente do deus Mercado Internacional. O escritor Frei Betto, criador do Fome Zero, o apelidou de deus vampiro. É um monstro que teima em dizer: “confiem a mim as economias, fruto de vossos trabalhos, as juntarei em grandes tesouros bancários sem fronteiras para render nas minhas Bolsas de Valores. Vou protegê-las com juros bem maiores que os 12% anuais sonhados na Constituição Cidadã de 1988. Eu lhes garanto competência rentável otimal como as divulgadas no ápice da crise dessa semana: Juros do cartão de crédito mantêm maior taxa desde 1995; foram de 463,03% ao ano e de 15,49% ao mês. Comigo, vocês não perdem nenhum centavo; quanto mais tem, mais terão.”

Para ser bem objetivo, honesto e amoroso com os parabéns ao meu afilhado negro do Bixiga, perguntei ao Google os números da fome em 2016. O Google me disse: Mundo – Mais de 800 milhões de pessoas ainda passam fome no mundo, 30 mil crianças morrem de fome a cada dia... Eu queria confirmar o tamanho dessa ação vampiresca do deus Mercado: de fato, ele insiste naquela lógica dos sacrifícios dos humanos, mania dos deuses já nos tempos da Torre (tower) de Babel. Diante da angústia de vovô negro, lá na velha megalópole, escrevi esse poema como parabéns prá você. Parabéns prá ele, prá Jesus e prá tod@s nós:

É Natal, seu e do Menino Jesus.
O que importa é manter os pés firmes no chão da fé,
o amor vindo do coração movendo o corpo inteiro
 sob o ritmo da esperança na dança teimosa
do sonho biocrático do Menino Deus (Jo 10,10).

É o que aos 33 de idade, Jesus dizia na praça com experiência e serenidade em alto e bom som:
“eu insisto em me deixar governar por aquele plano de governo do meu Pai -

que tod@s e tudo tenham vida. Vida prá valer. Todos e tudo.”

*Padre Casado, Doutor em Teologia, Filósofo, estudou
Comunicação no Vaticano e é Professor da Unisul.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

UNISUL media presença Guarani no XIV ENAM



UNISUL media presença Guarani no XIV ENAM

No dia 23 de novembro de 2016 o prof. dr Jaci Rocha Gonçalves, da UNISUL, e a naturóloga Marcela Fluetti, egressa da UNISUL, foram mediadores da mesa: Vivência de mulheres indígenas com amamentação e alimentação complementar saudável na Tenda Paulo Freire do XIV Encontro Nacional de Aleitamento Materno (ENAM) e IV Encontro Nacional de Alimentação Complementar Saudável (ENACS). O convite foi feito por Daysi Jung (Fisioterapia UNISUL) e Eliana Wiggers (UFSC).
As falas ficaram por conta de Marcelo Gonçalves, representante do cacicado e Juliana Kerexu Mirim, coordenadora das artesãs guarani, ambos da aldeia Itaty do Morro dos Cavalos em Palhoça (SC).
Jaci trouxe a alegria em presenciar esta busca e valorização da sabedoria originária dos trópicos que por muito tempo foi abafada e esquecida pelos imigrantes no Brasil. Marcelo Gonçalves falou do cultivo dos saberes tradicionais e a urgência da demarcação de terras. Kerexu Mirim respondeu sobre questões maternais. O coral Tapé Mirim (Pequeno Caminho), cantou e dançou com o público animado e participativo.
Coral Tapé Mirim (Pequeno caminho)

As respostas sábias e objetivas de Kerexu Mirim sobre as relações femininas, a maternidade, a amamentação e vários costumes tradicionais guarani formaram uma grande aula que emocionou o público. Esclareceu que há toda uma preparação da mulher para gestar: mudam a alimentação, vestem roupas confortáveis e são orientadas pelas mulheres mais velhas para a hora do parto. Ao contrário da nossa cultura, uma mulher grávida deve estar ativa e não evitar exercícios, pois isso estimula o bebê a se mexer na barriga e facilita na hora do parto.
Na aldeia a mulher opta em dar à luz no hospital ou com as parteiras da aldeia. Juliana, com seus 28 anos, mãe de dois filhos, disse que já foi parteira em seis partos. Ela explica que é um dom herdado de sua avó.
Na aldeia, as mulheres não costumam sofrer com a famosa TPM (Tensão Pré-Menstrual), nem é muito comum os bebês sofrerem com cólicas. Isto porque durante a menarca e a amamentação, as mulheres cortam de sua alimentação o açúcar, o sal e a gordura. Outro cuidado é evitar trazer más notícias às mães. Eles acreditam que as cólicas do bebê também têm relação com o bem-estar da mãe.  

Marcela Fluetti, Juliana Kerexu Mirim e Marcelo Gonçalves

Momento comovente também foi no encerramento com o Coral Tapé Mirim ensinando sua dança tradicional com a participação de todos na grande roda.


Roda de encerramento


Rafaela Iwassaki
Extensionista do Projeto Mediações Culturais do Grupo de Ensino, Pesquisa e Extensão Revitalizando Culturas, da UNISUL.
Supervisão: Prof. Dr. Jaci Rocha Gonçalves